RASTRO

1299 Palavras

O dia amanheceu com um peso imóvel no morro — uma daquelas manhãs sem som, só pressentimento. Na boca, a rotina tava contida: café frio, cigarro apagado, gente olhando pela janela como se o vento pudesse trazer notícia r**m. Coringa, Charada e Naipe estavam juntos desde cedo; o rosto dos três carregava a mesma expressão: quem tem o coração batendo na garganta não finge que tá tudo bem. — Hoje a parada tem que ser feita com cabeça — disse Charada, sem rodeio, já abrindo a mala metálica sobre a mesa. A luz amarela realçava o brilho das folhas, os carimbos, as fotos. Era o documento: o dossiê que podia enterrar o poder do deputado Marcelo Alencar. — A gente não pode vacilar. Naipe deixou a mão na mala, o polegar batendo o metal num tic quase nervoso. — Eu tenho medo de botar isso nas mão

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