O escritório do deputado Marcelo Alencar exalava poder. Cortinas pesadas, móveis em madeira escura, quadros de campanha e fotos com políticos influentes adornavam as paredes. A cidade, vista do alto do prédio, parecia pequena pelas janelas de vidro blindado. Um contraste gritante com o assunto que ocupava a sua atenção naquela noite. — Traga as fotos, Afonso. — ordenou, sem levantar o olhar do copo de whsiky. O segurança, homem robusto, terno preto impecável, aproximou-se com uma pasta. Depositou sobre a mesa e abriu lentamente, como se revelasse um segredo de Estado. Dentro, imagens impressas, tiradas com câmeras de longo alcance. Marcelo pegou a primeira. Laura. Reconheceu imediatamente o rosto. Mais velha, mas ainda com os traços que denunciavam de onde vinha. O coração do deputado

