O tiroteio aos poucos começou a rarear. O estampido das rajadas, que antes faziam o chão tremer e os ouvidos latejarem, agora se intercalava em tiros isolados, ecos que se perdiam pelas vielas do morro. O cheiro de pólvora impregnava o ar, misturado ao ** de cimento das paredes destruídas e ao medo que parecia pairar sobre cada telha, cada janela. No armário da sala da boca, Laura, Letícia e Bianca permaneciam encolhidas, tentando controlar a respiração. O espaço apertado fazia o calor aumentar, mas nenhuma delas ousava reclamar. O coração de cada uma batia como se quisesse romper o peito. A cada barulho de passos lá fora, a cada porta batendo ou objeto caindo, elas trocavam olhares aflitos, rezando em silêncio para que fosse um dos rapazes. Laura, abraçada aos joelhos, fechava os olhos

