O SILENCIO QUE DOEU

1247 Palavras

Nos últimos dias, algo mudou dentro de casa. Eu percebia pelos detalhes, sempre pelos detalhes. A Letícia tinha um jeito peculiar de deixar rastros pela casa: uma blusa jogada no sofá, quase sempre de cor clara; uma manta que ela gostava de usar nas noites frias quando insistia em assistir televisão até tarde; até o barulho leve da porta da varanda quando saía para deitar na espreguiçadeira e ficar olhando o céu, em silêncio, como se procurasse respostas nas estrelas. Só que esses detalhes sumiram. O sofá estava limpo, quase como se nunca tivesse sido usado. A manta estava dobrada no armário. E a piscina, que antes ficava mais bonita com ela ao lado, só tinha o reflexo na casa. Eu notava, mesmo sem querer. Não precisava de lógica ou de números para entender que ela estava se afastando

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