A lua já estava no alto, pintando o céu com tons brilhantes que se misturavam com a fumaça que subia das lajes. Naipe estava no corre. O celular tocava sem parar, um pedido de entrega aqui, uma cobrança ali. Ele conhecia cada viela do morro como a palma da mão e, mesmo sem olhar, sabia quando alguém estranho passava pelo seu caminho. — Fecha aquele pacote e manda pro Alemão, lá na parte alta. — Ele falou rápido para um dos meninos, enquanto ajeitava o boné pra trás e conferia a lista mental do que ainda tinha que resolver. No beco estreito, um grupo de crianças brincava com uma bola murcha. Naipe desviou com cuidado, sem perder o passo. Mais adiante, parou para falar com um mototaxi. — O Coringa já passou por aqui? — perguntou. — Não. Parece que ta na boca ainda. Pediu para levar alg

