Acordei cedo demais, como sempre. O sono nunca dura muito pra mim. A cabeça não me deixa em paz, cheia de cálculos, planos, movimentos que precisam ser feitos pra manter tudo de pé. Eram pouco mais de seis da manhã quando desci as escadas em silêncio. A casa estava mergulhada num sossego raro, só o barulho distante do morro acordando. Entrei na cozinha pensando em café. A jarra da noite anterior ainda estava na geladeira. Peguei, já planejando esquentar, quando ouvi um barulho estranho. Madeira arrastando no piso. Levantei o olhar e vi. Letícia. Ela tinha empurrado uma cadeira pro meio da cozinha e estava em cima dela, tentando alcançar o armário de cima. A ponta dos pés sustentava o corpo frágil, o cabelo loiro caía pelas costas, e o rosto... ainda machucado. As marcas estavam ali, es

