MARRETA NARRANDO
Porra, se tem uma coisa melhor que gozar na vida, eu desconheço, na moral. Que bagulho bom é esse? Mas vamos começar da forma certa, né não? Meu vulgo é Marreta e tenho vinte e sete anos, nascido e criado em São Paulo, na favela de Paraisópolis. Fui criado por uma mulher guerreira e um homem que não tem meu sangue, mas até hoje chamo de pai e vai ser eternamente assim.
Antes de contar a minha história, vou falar um pouco sobre mim. Tenho um metro e oitenta e nove de altura, sou forte, branco e tenho tatuagens em grande parte do corpo. Meus braços e peito são completamente tatuados, e também tenho tatuagens na lateral da barriga e nas pernas. Sou loiro, de olhos castanhos, e é isso. Agora, como eu sou no meu dia a dia?
Sou um cara bem de boa, não sou de sorrisos para ninguém, não. Tenho os meus parceiros mais chegados, como o Macabro e o Martelo, e com eles eu sou bem de boa, mas, para as outras pessoas, para ter um pouco da minha simpatia, é difícil. Mas, enfim.
Então, como eu disse, eu nasci aqui em Paraisópolis mesmo. Minha mãe se mudou para cá com os pais quando ainda era jovem, mas, com poucos meses aqui no morro, ela perdeu os pais em uma invasão que a civil fez, e, por bala perdida, os dois se foram juntos. Meu avô se enfiou na frente da minha avó para proteger ela, e a bala passou pelo peito dos dois, deixando a minha mãe órfã, aos dezesseis anos.
Sozinha aqui na favela a minha mãe passou a trampa nas casas das pessoas, cuidava de criança, fazia faxina e em uma dessas casas o arrombado que jogou os espermas dentro dela, a estuprou. Quando a minha mãe me contou essa história eu queria me enfiar debaixo da terra para não ouvir e nem pensa numa p***a dessa ta ligado, minha rainha era nova, sozinha e determinada a ter uma vida digna e horada sozinha, aí vem um filho da p**a de merda, de dentro da favela achar que por ser vapor de confiança do chefe podia fazer o que fosse? p***a nenhuma, ele tirou o que de mais puro minha mãe tinha, mas ela foi na boca da queixa no dia seguinte e mamute levou tirou do arrombado a sua vida assim como ele tirou a virgindade da minha mãe a força.
Meses depois, veio a notícia de que a minha rainha estava grávida. Pensam que ela ficou triste? Que nada! As vizinhas aqui e a tia Aline disseram que ela era a mulher mais feliz do mundo. ela disse para todas que nem só de desgraça era a vida dela e que só de saber que eu viria ao mundo ela se alegrou e voltou a viver. Passou a viver tanto que conheceu o Xavier em um dos bailes que foi com a tia Aline e o tio Caio, e desde então estão juntos.
Xavier era de um morro aliado, vinha direto nos bailes, tinha amizade com Mamute e os parceiros dele, mas Xavier não era envolvido. O cara foi responsa quando jovem, porque ele se interessou na minha mãe, escutou a história dela, bateu no peito e disse: "É nosso". Desde então, ele passou a ser meu pai, e eu não o vejo de nenhuma outra maneira.
Então, só os meus amigos, tia Aline, tio Caio e meus pais que têm o Miguel dentro e fora de casa. Se eu conheço a Alicia? Sim, Alicia é uma mina incrível e extraordinária, mas, devido às suas limitações quando era novinha e mesmo depois que cresceu, ela sempre ficou na dela, se fechava no canto dela e eu respeitava. Tales sempre nos passou a visão de como ela era e, só quando víamos que dava, puxávamos assunto e ela falava com nós, não muito, mas falava, e eu admiro ela pela sua força. Acho que nem nós, sendo como somos, conseguiríamos enfrentar essa luta que ela vive diariamente. E meu mano Tales, eu tiro o chapéu para ele, que sempre esteve por ela e está até hoje, seja lá para o que for.
Agora, falando de hoje, macabro chegou de missão com o d***o no corpo. Já chegou na tortura que nós gosta e, depois, foi ficar com a princesa dele. Hoje é dia de pagode, dia em que os chefes de favelas vizinhas vêm curtir com nós, reforçar a aliança e fazer negócios. É sempre bom ter o chefe por perto, mas macabro sempre foi assim: quando dá nele de não querer participar de baile ou pagode, ele não vem e ponto. Ainda mais se o motivo for a Alicia. O parceiro cuida dela como não cuida nem dele mesmo, e eu não falo nada. Mas todo esse cuidado de amor e amizade, um dia, vai dar casamento, e eu vou achar f**a demais.
PREGO- mano isso não ta certo._ ele entra na sala da boca e eu tinha acabado de gozar na p**a da vandinha de novo, guardo o p*u na cueca e mando ela ralar depois de dar duas notas de cem pra ela.
MARRETA- tem mão não p***a?_ pergunto e em seguida o martelo entra na sala já negando, preciso de um banho, mas deixa eu ver as ideias aqui primeiro.
PREGO- foi m*l, mas ta sabendo que macabro não vai pra o pagode de novo?_ pergunta e eu n**o, mas sem me importar, a cada trinta pagado que fazemos macabro vai em vinte e nem sempre é pela alicia, mas sim porque ele quer fica na dele. macabro nunca foi de muita bagunça e depois da morte do tio mamute só piorou tudo, mas ele é o chefe e faz presença, mas assim como é o último a chegar, ele é o primeiro a sair.
MARRETA - eu não estou sabendo ainda, mas não vejo problema algum nisso, não é o primeiro que ele faz isso e não vai ser o último. _ falo e ele n**a.
PREGO - quando os chefes de favelas achar que ele está se desfazendo de geral aí quero ver. _ olho serinho para ele que n**a.
MARTELO - quero saber o porquê de tu está tão incomodado com isso? _ pergunta.
PREGO - só não quero caô para nós pô, está tudo numa paz tremenda. _ concordo.
MARRETA - está certo, está a mesma paz que sempre está quando o macabro vai ou não no pagode. _ falo e meu celular vibra na mesa, vejo a mensagem do Tales dizendo que ia ficar na goma com a alicia hoje e para eu cuidar e eu só concordei. - Bora agilizar as paradas, chefe já deu a voz e só vemos ele amanhã agora. _ falo e Martelo levanta no pulo.
MARTELO – Bora curtir um pagodinho, comer umas gostosas do asfalto e ficar suave. _Ele fala e eu sorrio de lado, concordando. _ Tá pilhado para a p***a com o lance do Tales não vir, sabe se está pegando alguma coisa que nós não sabe? _pergunta quando prego sai e eu n**o. _
MARRETA – Só sabendo que logo o Tales dá um sacode nele que vai achar o rumo do cargo dele rapidinho. _Falo e Martelo sorri. _bora curtir e amanhã nós desenrola isso.
[...]
Me ajeitei todo para o pagode e, quando cheguei na quadra, já estava o fervo. Nem espaço direito para andar tinha, e se estou andando é porque sou um dos chefes e estou com escolta, porque senão eu ficava onde estava mesmo. Gosto do fervo e da multidão, mas lá dentro do camarote, cê é louco, aqui nem dá para se mexer.
Vou entrando no camarote baixo mesmo porque aqui não dá para fazer e vou falando com os donos de favelas, bituca do Heliópolis e pesadão chefe do morro do sapo, fora eles tem mais alguns, mas os dois são os mais próximos.
BITUCA- e o chefe não vem hoje? _ pergunta e eu n**o, tales não é só o chefe de Paraisópolis, mas da facção toda do pcc também.
MARRETA- chegou de missão hoje e decidiu se fechar hoje. _ jogo a real e eles concordam.
PESADÃO- macabro é f**a, eu não sei perder resenha nem com a mente pilhada. _ damos risada.
MARRETA- é eu acho que não sei fazer isso também. _ falo e continuamos ali conversando, vi prego no celular e deligar negando, depois vejo uma cavala morena gostosa para a p***a rendendo e eu já loco vou na cola e arrasto para um dos vestiários, mas macabro tinha que cortar a minha brisa e manda eu ir atras de cobrar p**a dele, eu já disse que o maior prazer da vida é gozar e o parceiro vai e me corta a goza na metade.
Bom dia, GATINHAS, OLHA AI MAIS CAPÍTULOS BORA COMETAR, 200 COMENTÁRIO PARA MAIS DOIS CAPÍTULOS