NARRAÇÃO DE KAITO...
Aquela escola se tornou pequena demais, sufocante demais...
Mas, antes de explicar isso, preciso contar o que acontecera no dia anterior. Abracei meu pai sentido; depois, ele passou o dia tentando entender. Sempre batia na porta do meu quarto, perguntando a razão do meu desespero. Não menti... apenas disse que não queria falar sobre isso.
Foi assim que pude escapar das suas interrogações.
Agora, retornando à escola, eu estava ansioso para ver Bela. Queria, a todo custo, ficar com ela... Afinal, tivemos nossa primeira entrega, e é difícil segurar o desejo fingindo sermos indiferentes na frente dos outros.
Eu quem pedi... Eu quem errei.
Dentro daquela sala vazia, só existíamos nós dois: beijos quentes, estalos, carinhos e toques que me levavam à loucura. Foi intenso demais... Então o sinal tocou; como estávamos matando muita aula, decidimos evitar naquele dia. Assim, não haveria desconfiança, tampouco chamaria atenção.
Fiquei ao lado dela; já me acostumei a ficar ao seu lado. De longe, Billy não prestava atenção na aula, apenas enrolava a caneta entre os dedos e me encarava com meio riso. Abaixei a cabeça, focando no caderno. Não compensava alimentar essa rivalidade; cada um em seu canto era o suficiente. Minha percepção mudou depois de saber do passado do meu pai e de Dom Dawson.
Finalmente, o sinal tocou. Levantei-me, guardando as coisas, e olhei para Bela, sorridente.
— Quer comer alguma coisa?
— Ah, eu quero sim. Estou faminta! — falou, pegando sua mochila.
— Acho que hoje estão servindo pizza...
Bela sorriu, eufórica. Mas, quando saímos da sala, paramos de rir. O corredor estava lotado; onde ficavam os armários dos alunos, havia várias cópias de uma foto. Antes mesmo de ir até o meu armário, já sentia algo pesado, um enorme embrulho no estômago. Bela travou, parecia se sentir pequena diante de tantos olhares e risadas ao nosso redor.
Então fui até o armário e peguei aquele papel: uma cópia da foto. Meu rosto ferveu ao ver Bela sentada em meu colo; sua cabeça estava jogada para trás enquanto eu sugava seu pescoço. Abaixo, estava escrito:
"Parece que o casal se come escondido, mas não tem coragem de assumir. Atenção! Kaito tem um novo lanchinho."
Apertei aquele papel com toda a minha força; minhas mãos tremiam de tanta raiva. Bela, do outro lado, encarava o papel pendurado em seu armário, pálida. Olhava ao redor como se fosse pequena demais para tantos olhares e cochichos. Lucas, seu primo, também pegou a foto; encarou estarrecido e depois me fitou. Não havia surpresa, e sim raiva por estarem fazendo bullying com sua prima.
Fui até ele com o corpo trêmulo de tanta fúria.
— Não deixe ela sozinha! Eu vou resolver isso.
Olhei para Bela; ela me fitava com lágrimas nos olhos, lábios pálidos. Apenas acenei, passando-lhe, ainda que um fio de esperança.
Passei pelos corredores arrancando os papéis grudados, puxando-os das mãos de todos que via. Caminhei a passos pesados até o pátio, procurando uma única pessoa. E encontrei... Billy.
Ele estava rindo, segurando um dos papéis e mostrando aos colegas. Ele se virou; seu sorriso diminuiu.
— Caramba... Na sala que tem o piano de novo?
Joguei todos os papéis em sua direção. Depois... fiquei cego.
Soquei seu rosto com toda a força que pude; ele retribuiu no mesmo segundo. A dor do impacto me causou ainda mais raiva. Tornei a socá-lo, mas ele não recuava; rolamos no chão. Consegui imobilizá-lo, ficando por cima, e então apenas soquei, cego pela fúria, cego pela raiva. Cada barulho de ossos se quebrando me dava mais gosto de continuar. Nem mesmo os alunos conseguiam me segurar. Eu o socava e, em determinado momento, arrebentava seu rosto com os olhos cheios de lágrimas. Amizade de infância... isso nunca foi amizade.
Então conseguiram me afastar de seu corpo. Três professores me tiraram de cima dele. A ficha caiu quando o sangue esfriou. Billy estava desmaiado, com o rosto todo ensanguentado, todo quebrado. Minha mandíbula também doía; sentia gosto e cheiro de sangue. Um dos meus olhos já começava a inchar.
Observei quando correram com ele até a enfermaria. Logo, o diretor apareceu no pátio, em choque, olhando para o chão cheio de neve e sangue.
— Você. Direção, agora. — Ele falou, abaixou-se e pegou um dos papéis.
Todos me encaravam. Limpei a boca, olhei minha mão suja de sangue e segui para a diretoria em silêncio, quase escoltado, como se eu fosse um perigo para qualquer um ali.
Ao chegarmos, ele me encarou, irritado.
— Já liguei para o seu pai. Ele está a caminho.
Respirei fundo, de olhos fechados.
— Não tem necessidade!
— VOCÊ QUASE MATOU UM ALUNO!!! — ele gritou, ficando completamente vermelho.
Meu estômago embrulhou. Peguei o celular, nervoso, e mandei mensagem para Bela; praticamente implorei para que ela saísse da escola junto com o primo.
Minutos se passaram, e meu pai entrou nervoso. Me encarou, parecia que iria brigar, mas perdeu a voz quando observou meu rosto ferido.
— Quem fez isso?!
— Pai... está tudo bem...
— Não. Não está! — o diretor interrompeu. — Ele quase matou um aluno, Sr. Louis. Não sabemos o estado de saúde do rapaz.
Meu pai esfregou a mão no rosto, furioso. Depois, encarou o diretor.
— Qual foi o motivo?!
O diretor estendeu aquele papel. Meu estômago tornou a embrulhar. Eu iria pegar, impedir que ele visse aquela foto, mas ele foi rápido e a pegou. Ficou travado, olhando e lendo o que estava ali. Levantei-me e peguei o papel de suas mãos.
— Vamos, pai. Eu quero ir embora.
Meu corpo tremia tanto... medo de o diretor falar o nome dela. Mas nada disse. Meu pai abriu a porta, e saímos.
Ele caminhou ao meu lado em silêncio até entrarmos no carro. Quando ficamos a sós, ele me fitou.
— Por que não me disse que você e Brenda estão namorando? Eu disse que apoiava...
— Ela não quer ser exposta agora, mas fizeram isso com ela. Ninguém vai diminuí-la...
— Então a honre e a peça em namoro; assim vai calar a boca de todos.
Meu pai pegou um lenço e colocou debaixo do meu nariz.
— Segure isso... Meu Deus, parece que acontece tudo de uma vez. Dom Dawson quer encontrar comigo hoje, você acaba em uma briga na escola... Céus, o dia m*l começou.
Fechei os olhos. Mesmo ferido, eu precisava saber como seria esse encontro.