HELENA Ele estava me observando. Não da forma como homens normalmente observam mulheres em escritórios envidraçados. Não com fome, nem com admiração. Cristian Muller me observava como quem lê um enigma perigoso. Com cautela. Com precisão. Com desconfiança. Isso me irritava. Desde que comecei a missão, esse era o primeiro alvo que não se rendia ao meu charme sutil, aos olhares milimetricamente medidos, às frases jogadas com uma precisão quase cirúrgica. Cristian era polido, gentil, mas frio. Tinha os olhos de quem já viu morte de perto e aprendeu a disfarçar a dor com um paletó de grife. Ele era, de fato, o escudo de Arturo. E agora, era meu novo desafio. Esperei três dias. O suficiente para que o ritmo da empresa me engolisse sem alarde. Cumpri horários, entreguei análises perfeita

