A noite chegou como um abraço morno. Depois do caos encantador da tarde, as crianças dormiam espalhadas pela sala — Sofia agarrada ao seu coelhinho azul, e os gêmeos desmaiados no sofá, como dois pequenos heróis depois da batalha. A casa estava em silêncio. Mas era aquele silêncio bom, de lar cheio. O tipo de silêncio que só vem depois das gargalhadas, das mãos sujas de suco e da vida vivida em plenitude. Eu estava na varanda, sentada na cadeira de balanço que minha avó me deixou. As luzes amarelas dos pisca-piscas que pendurei semanas atrás tremeluziam no beiral. O céu estava claro, com a lua gorda lá no alto, como se quisesse espiar minha paz. Senti quando ele se aproximou, antes mesmo de ouvi-lo. Arturo tinha esse dom estranho de fazer o mundo se encaixar só por estar perto. Ele se

