TRIP

1135 Palavras
-Por favor, Jojo- Noah insistiu assim que entramos no meu quarto. Me joguei na cama e revirei os olhos- Você nem tem saída, sabe que seus pais não querem ninguém em casa antes da festa.  -Posso ir beber com Josh, virar a noite em uma balada qualquer e depois ir para um hotel- dei de ombros  -Se a tia Johanna pediu para você ir comigo é para você ir- ele disse óbvio.  -Vegas me cansa, ainda mais para ir em um dia e voltar no outro. -Temos que sair em meia hora- ele abusadamente tirou a menor mala do meu closet e começou a guardar algumas coisas ali dentro- Meus pais daqui a pouco estão aqui.  Eu amava Wendy e Marco, Noah e até mesmo Las Vegas mas enfrentar horas na estrada apenas para eles terem uma reunião amanhã cedo e voltar menos de 24 horas depois, parece cansativo. Sem falar que seria corrido para o jantar da noite seguinte, tudo isso porque a LUH iria se tornar parceira e fornecer tequila para um dos maiores cassino/hotel de Nevada.  -O que acontece em Vegas fica em Vegas- tentou me animar com uma frase clichê e eu ri- Vamos baby, se quiser ficamos trancados no quarto a noite inteira- deu um sorriso malicioso- Ainda podemos jogar um pouco.  -Você venceu, Noah- rolei os olhos e levantei para ajudá-lo a guardar as coisas na minha mala.  E não é que meia hora depois estávamos mesmo na estrada? Marco dirigia e Wendy estava ao seu lado, eu sentava no banco atrás dela e Noah no meio, com a cabeça apoiada nos meus ombros.  -Sabem que devem manter a calma amanhã, certo?- a americana advertiu -Não gostam de Bailey e Shivani mas juro que os pais deles são legais- foi a vez do motorista -O problema maior é com Bailey- dei de ombros- Espero que ele fique quieto a noite inteira, vai ser mais fácil assim.  -Você não percebeu a encarada que ele te deu na hora que saímos da escola? Não sei se ele estava te comendo com os olhos ou querendo te m***r- meu melhor amigo disse sem papas na língua.  -Noah- dei um t**a de leve na sua coxa- Não sei o que fiz para ele. Conversamos ontem, o ouvi e entendi seu ponto de vista, tanto que fiquei quieta; agora ele está cavando minha cova justamente no momento que eu deveria ter ganhado uns pontinhos com ele, não que eu me interesse por isso.  -Noah deve estar certo, deve ser a segunda opção. -Até você Wendy?- não segurei a risada- Duvido muito, ele me odeia tanto como eu o odeio- dei de ombros mais uma vez. -Ai, meu brinco- o americano tentou desprender a jóia dos fios do meu cabelo.  -Fiquei carena- reclamei dos fios de cabelo perdidos quando ele se afastou de mim e os dois adultos riram. Amava os fios compridos de Noah e por isso, as próximas horas da viagem foram distrativas pelos penteados que eu o fazia.  -Acho que já está na hora de comermos algo- Marco aconselhou, se passava das quatro da tarde e ainda estávamos sem almoço.  -O que vão querer?- disse depois que o marido estacionou no posto de gasolina, cercado por uma hamburgueria e um restaurante italiano.  -Uhm, acho que hamburguer- concordei com Noah.  -Vamos no outro e nos encontramos aqui em 30 minutos- eles disseram seguindo para o outro lado.  Noah segurou na minha mão e caminhamos até dentro do estabelecimento. Não importava, eu sempre odiaria esses lugares de beira de estrada sinistros e cheios de homens m*l encarados. Ainda usava a roupa de mais cedo, arrumei a jaqueta no corpo quando vi a quantidade de motos estacionadas ao lado da loja e o Urrea fez o mesmo com a jaqueta de couro que usava, me dando a mão logo em seguida.  Entramos chamando um pouco da atenção dos motoqueiros, coisa que eu sinceramente não entendia porque acontecia. Noah contornou minha cintura com seu braço e nos aproximamos do balcão, fazendo nossos pedidos.  -A garçonete claramente estava dando em cima de você- revirei os olhos e escolhemos uma das mesas- As vezes eu penso que a vida se parece demais com um clichê.  -Acho que não- ele deu de ombros- Se fosse assim seria Bailey pegando todo mundo, não você- deu de ombros e eu o encarei sem entender.  -Por que eu e Bailey especificamente? -Ele é popular, vocês se odeiam, é o classíco. A única diferença é que ele é o garoto certinho e você quem está ficando com dois amigos, mas se fosse um livro, filme ou sei lá, com certeza ficariam juntos no final.  -Cala a boca Noah- me irritei um pouco, o que estava acontecendo com ele- Fumou alguma coisa diferente hoje?  -Nada fora do comum, estou no meu perfeito juízo- dei um t**a em seu pescoço  -Babaca -Que você ama -Nunca disse que não amava- sentei em seu colo e senti seus lábios se juntarem aos meus.  -Eu amo Sabina e meus irmãos mas não existe amizade melhor que a sua e de Sina- disse abraçando seu corpo e juntando nossos lábios mais uma vez.  -Você é uma aproveitadora, isso sim.  -Touché Urrea, convenhamos que não sou a única que tira vantagem de tudo isso. -Você com certeza não é- ele riu mordendo meu lábio inferior e me beijando mais uma vez.  -Se isso fosse uma história clichê, você terminaria com Sina- dei de ombros -Não me importaria de ter esse final, ela é gostosa -Só pensa nisso, Noah- ri  -É gente boa também -Preciso concordar com as duas afirmações, estou gostando muito disso -Sei que está.  -Mas não é uma história e não existe a menor possibilidade de um dia eu chegar a beijar o May.  -Não sei porque mas tenho a sensação que isso é uma grande mentira.  -Ele é gostosinho, só isso. Eu só me aproveitaria do corpo dele, nada além. Depois daria um pé na b***a porque ele é insuportável.  -Se aproveitaria igual faz comigo? -Não, eu te amo e você sabe disso- o beijei mais uma vez- Se eu tiver filhos um dia, vai ser padrinho deles- disse aleatoriamente ele riu, acostumado com meus pensamentos um pouco sem sentido e mais uma vez me beijando.  Fomos interrompidos pela garçonete trazendo nossos pedidos, comemos conversando sobre as expectativas para o jantar no dia seguinte. Quer dizer, apostando quantas discussões teríamos.  Não demorou para voltarmos para a estrada, o caminho até Las Vegas não era longo mas eu não via a hora de chegar e me divertir um pouco na única noite que teria pela cidade. Nunca saí para uma "viagem" com tanto pouco tempo de planejamento, isso que dava deixar seu amigo ser mais próximo de seus pais e da família do que eu mesma conseguia ser. 
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