HANDCUFF

946 Palavras
-Eu ouvi uma conversa de Krystian e Diarra. Cheguei na metade mas ainda deu tempo de ouvir que ele teve uma noite agitada no último fim de semana, acabou algemado na cama e a pessoa responsável pela "prisão"- fez aspas com a mão e uma expressão maliciosa- não o soltou e ainda levou a chave embora.  -E o que ele fez?- ri  -Nada, passou a noite tentando se soltar mas não conseguiu- parou para rir e respirou fundo tentando continuar- O May chegou em sua casa no dia seguinte, encontrou aquela situação vergonhosa e ainda teve que chamar um chaveiro para tirar ele de lá, e o vestir, para poupar mais constrangimento.  -Queria ver a cara dos pais dele com essa história- gargalhei  -Parece que estavam viajando- ela deu de ombros -Eu queria mesmo era saber quem o prendeu e porque não soltou- foi a vez do meu gêmeo  -É, queria ter chegado 5 minutos antes- prendeu os cabelos loiros em um coque e controlou as risadas, voltando a falar em seguida- Sold também falou comigo de um boato que Shivani é adotada- disse um pouco surpresa- Ela teria sido adotada na Índia mas ninguém sabe se a história é real, se ela sabe ou como age com isso tudo.  -Eu já sabia disso a tempos, acho que temos que concordar em esquecer esse assunto. Não é o tipo de coisa que dá para brincar- me espreguicei  -Como você descobriu? -Alguns documentos que tive que arrumar na detenção. Tinha o local de nascimento, papéis de adoção e do orfanato, mudança de sobrenome e essas coisas.   -Uhm, sempre a achei diferente de Bailey- Josh mordeu os lábios- Acho que devemos falar sobre isso com os outros. -Sobre as algemas? Com certeza- me fiz de desentendida  -Sobre Shivani- a caçula afirmou  -Não sei não- era importante para mim proteger aquele segredo, talvez funcionasse como uma autoafirmação de que não sou um ser humano tão h******l- Se isso se espalhar vou me sentir culpada, não sei se todos vão concordar em manter o segredo.  -Eles são nossos amigos e precisam saber- Josh começou -Se temos uma promessa de não esconder nada, não podemos fazer isso- Sofya continuou- Nós confiamos neles, vamos contar, explicar e dizer que não vamos fazer nada por uma questão moral.  -Não somos monstros, muito menos Sabina e Noah -Eu era a única que deveria saber disso- revirei os olhos e suspirei- Tudo bem, mas precisamos falar com Sina também, ela faz parte disso agora.  -Se você diz- Josh deu de ombros -Vamos contar separados para não chamar atenção mais do que já chamamos. Até porque precisamos conversar em inglês por conta de Sina. -Precisa ensinar espanhol para ela- Sofya me aconselhou  -Vou fazer isso- pausei- Eu conto para ela e vocês se dividam para contar para Noah e Sabi  -Eu falo com Noah- Josh confirmou despreocupado.  -Falem em um lugar calmo e tenham certeza que ninguém vai ouvir, não podemos deixar isso vazar.  -Por que está tão preocupada, Joalin?- minha irmã suspeitou  -Eu não estou preocupada, só acho que isso é maior do que qualquer outra coisa. Eles são babacas, fúteis e cheios de segredinhos, o que não nos dá o direito de bagunçar com a vida da garota dessa forma, a ridicularizar por algo que não deveria ser motivo de vergonha- dei de ombros, já estava ficando irritada com aquele assunto. -E todos nós já falamos que concordamos com você, mas você continua repetindo de 3 em 3 segundos que devemos ser cuidadosos, o que você está escondendo?- Josh deu uma risada rouca.  -Nada, c****e. Só não gostaria que isso acontecesse comigo, não me importo se tiver um outdoor gigante expondo a história das algemas mas não me sinto confortável com a adoção, acho que passa por cima dos meus limites, só isso- disse estressada. -Ok, entendemos- os dois se encararam e eu revirei os olhos.  Eu também não fazia ideia do real motivo daquele assunto causar tais reações em mim. O fato era, eu sabia muito bem (ou melhor, eu sentia), que se algo sobre fosse espalhado a culpa cairia sob mim e seria mais dura do que em toda minha vida, e o pior, sentia que saber daquela história, literalmente saber da verdade por nossas próprias mãos, sem boatos, era o que nos conectava com o outro grupo, o que de certa forma me amedrontava.  O que eu não sabia administrar era: esconder tal segredo da família May era o que iria criar mais um muro entre os dois grupos ou justamente o contrário, seria o ponto de união? Rezava pela primeira opção, não queria nem pensar em como a segunda seria desenvolvida, até porque deles tudo o que eu queria era o máximo de distância possível.  Eu estava me acostumando com a presença de Sina, gostando de tê-la por perto e realmente e verdadeiramente começando a confiar nela. Eu sentia pena, pena por como seus amigos viraram as costas na primeira oportunidade e foram falsos, no início esse foi o único motivo pelo qual a apoiei.  Eu ainda era um ser humano e tinha sentimentos, sentia que nossa relação estava se tornando genuína e gostava disso, mesmo tendo medo de onde poderia parar.  Ao mesmo tempo, duvidava da minha integridade, se consegui me aproximar dela e gostar disso, o que me garantia que todos os outros eram exatamente como eu pensava? Que os odiaria se tivesse oportunidade de me aproximar e, de fato, conviver? Minha intuição era minha garantia, e naquele ponto, tudo o que eu tinha.   Eu sempre estava certa sobre esse tipo de coisa, não seria diferente bem dessa vez, além do mais, eu nunca cederia a qualquer aproximação! 
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