FIGHT

1961 Palavras
-Me deixa só postar essas fotos primeiro- pedi para que me esperassem, enquanto eu terminava de editar.  Das dez fotos que uma única publicação poderia conter, escolhi postar quatro.  Na primeira, todos estávamos juntos.  Noah havia tirado no espelho do banheiro, ele estava no centro, abaixado e Sina estava ao seu lado, lhe dando um beijo na bochecha. Também abaixadas, do outro lado do americano, Sabina e Sofya sorriam em sintonia. Eu estava em pé atrás do Urrea, entre Bailey e Josh, ambos me abraçavam pela cintura.  Na segunda foto, estavam todas as garotas, enfileiradas por ordem de tamanho e apesar de mostrarmos o que vestíamos, fazíamos careta. A terceira imagem era minha com meus irmãos, com Sofya no centro, sendo abraçada (ou amaçada) por nós dois.  Na última, Noah se pendurou nas costas de Sina, que por sinal quase caiu. Os dois tinham expressões divertidas no rosto, enquanto ao lado deles, Bailey segurava minha cintura e tinha a cabeça deitada no meu ombro e eu revirava os olhos, mostrando o dedo do meio. Era uma foto engraçada, definitivamente.  Marquei todo mundo, adicionei a localização como Tijuana, México e finalmente publiquei, encarando meus amigos impacientes, aguardando na porta de entrada da festa. Pelo que Josh havia me falado antes da viagem, era normal que o hotel que estávamos hospedados fizesse festas no subsolo nos fins de semana.  Nessa noite de sábado, não estava sendo diferente. O espaço não era muito grande e a festa era completamente restrita aos hóspedes. Luzes coloridas espalhadas por todo o canto e um DJ tocando músicas conhecidas que faziam a pista de dança lotar.  O bar também estava meio cheio, após alguns minutos de espera, eu e todo o bando conseguimos as primeiras bebidas da noite. Era ótimo saber que o meio de transporte que nos levaria até o quarto era um elevador, sendo assim, nenhum de nós precisava se manter sóbrio para dirigir com responsabilidade.  Nós ficamos apenas dançando e bebendo por um tempo. Não demorou muito para que todo mundo já estivesse meio bêbado, mas não sairíamos da pista de dança nem se um reboque viesse nos retirar.  Já tinha perdido a noção de quanto tempo se passou, provavelmente algumas horas, quando Sabina começou a falar:  -Eu vou fazer uma live, mostrando para aqueles invejosos da escola como é uma festa de verdade.  -Vai com calma, Sabi- Josh falou com a mexicana, que visivelmente era a mais embriagada.  -Olá criaturas- ela passou por todos nós com o celular- Olhe quem já está aqui, o grupinho que comanda o i********: de fofoca- ela riu sarcástica- Vocês são rápidos, não tem o que fazer em um sábado a noite? Já estão gravando essa live para espalharem para quem perdeu?- ela mandou beijo, sendo debochada.  -Ela está bem?- Bailey me encarou, se aproximando.  -Vai por mim, melhor que nunca- eu já estava mais que acostumada com o jeito de Sabina e, consecutivamente, seu lado bêbado.  -Onde nós estamos?- ela deveria ter lido uma pergunta.  -Tijuana, Baby- Noah entrou na visão da câmera, puxando Sina pela mão.  -Esses dois...- Josh revirou os olhos.  -Com ciúmes do Urrea, irmãozinho? -Achei que só você tinha esse direito- piscou para mim.  -Eu amo tanto vocês, tenho os melhores irmãos do mundo- Sofya se jogou entre nós, a bêbada carinhosa e carente.  Enquanto isso, Sabina chamava Bailey para falar com a irmã dele, que assistia a live.  -SHIV- gritei, fazendo a Hidalgo virar o celular na minha direção- Na próxima vez, venha no lugar do seu irmão- falei, me afastando alguns passos para dançar.  Bailey e Sabina participavam ativamente da live, eu sentia que esses dois ainda seriam melhores amigos um dia, daqueles que vivem implicando um com outro e parecem irmãos. Quem sabe... Talvez fosse apenas loucura da minha cabeça.  Sina e Noah começaram com a pouca vergonha e estavam quase se comendo do nosso lado, enquanto isso eu, Josh e Sofya aproveitávamos a pista e improvisávamos nossas coreografias. Modéstia parte, os irmãos Loukamaa tinham um talento imenso para a dança. Braços envolveram minha cintura, de repente. Olhei em volta, não era Bailey, tampouco Noah.  Abaixei a visão e reparei em uma infinidade de tatuagens, era um desconhecido e eu não estava gostando daquilo. Veja bem, o problema não era o toque, mas a falta de autorização dada para aquilo.  Se fosse qualquer um de meus amigos, irmãos ou até mesmo o May, eu certamente não me importaria. Tentei me virar para o cara, mas ele me segurou mais forte, na tentativa de me arrastar para longe do grupo.  Aquele não era o tipo de contato de um cara tentando dar uns pegas na balada. Era lotado de maldade e eu enxergava isso de longe.  Que escroto.  -Me solta!- exclamei alto, em espanhol e em inglês. Problemas de estar na fronteira, não sabia qual língua ele ia entender.  -Você vem comigo para o meu quarto, gostosa- ele disse, em um inglês claramente australiano.  -Eu já falei para me soltar- disse, ainda mais alto.  A rodinha já estava formada em volta de nós e eu sabia muito bem como aquela história terminava.  Babaca, quem ele pensava que era? Olhei para Josh com o maior olhar de S.O.S e ele, que me conhecia melhor que eu mesma, tratou de perceber o que estava acontecendo.  -SOLTA A MINHA IRMÃ AGORA, c*****o- Vi o rosto do meu gêmeo se tornar vermelho como uma pimenta, enquanto ele marchava pela curta distância entre nós.  Foi tudo muito rápido, Sabina virou o celular em minha direção, transmitindo o que estava prestes a acontecer. Eu enfiei minhas unhas nos braços do cara, que ainda cruzavam minha cintura e, quando dei por mim, Noah tinha corrido em nossa direção e socado a cara do desconhecido.  -p**a QUE PARIU- O Urrea gritou, segurando seu punho machucado. Ele não era o cara de briga, não era uma ofensa nem nada, mas meu melhor amigo não tinha o porte ideal para isso. -Você está bem?- Sina prontamente se juntou ao americano. Ela me enviou um olhar desesperado e me puxou pela mão, mas o seu ato só fez com que o aperto em minha cintura se tornasse mais forte.  Quando dei por mim, Bailey havia me soltado dos braços daquele homem e me abraçado. Eu respirei fundo, sentindo um incomodo no lugar que ele havia apertado.  Olhei para o meu irmão, o cara era forte e claramente estava tentando fugir dos socos que Josh desferia em seu abdômen. Ele com raiva se transformava no Mike Tyson, sabendo que estavam mexendo com uma de suas irmãs então, a coisa ficava pior ainda.  Bailey saiu do meu lado como o Flash, o cara tinha tentado correr para longe do loiro, mas foi parado pelo filipino, que também o socou algumas vezes. Era dois contra um.  O May também não fazia o tipo que brigava, em seu caso não pelo porte físico, mas por ser o garoto certinho.  -Você está bem?- Sofya e Sabina perguntaram, me abraçando de lado. A mexicana ainda filmava a confusão dos três.  Noah e Sina chegaram em seguida, me perguntando a mesma coisa das garotas. Ignorei os quatro e caminhei para perto de Bailey e Josh que detonavam o cara.  -CHEGA- gritei tão alto, que observei três estátuas na minha frente.  Minha primeira reação foi socar a cara do homem, por mim mesma. Eu estava tão possuída pela raiva, que aquela muralha de quase dois metros de altura tombou para trás e por pouco não caiu.  O resto do meu grupo se aproximou de nós, como se fizesse nossa segurança.  -NÃO LEVANTA A MÃO PARA ELA, SEU COVARDE DA p***a- O May tentou entrar na minha frente, quando o cara tentou levantar aquele dedo podre na minha direção.  -Se encostar em mais um fio de cabelo dela, vai parar no hospital- Noah disse, em uma calma ameaçadora- Nem que eu tenha que quebrar todos os ossos do meu corpo, para isso.  -Que bonitinho- ele sorriu debochado, como se não se sentisse ameaçado. No fundo, eu sabia que se sentia- O irmão, o namorado- apontou para Josh e Bailey, revirei os olhos- E deixe-me adivinhar, o amante- olhou na direção de Noah.  -p**a QUE PARIU- Josh gritou, ameaçando ir para cima dele mais uma vez. O segurei, andando na sua frente e enfiando meu dedo na cara do homem:  -Você deu sorte que eles estavam aqui para bater em você por mim- Não me abalei com sua insinuação ridícula e sexista- Se fosse eu contra você, não iria sair daqui com o nariz quebrado e um corte no supercilio- o encarei com todo o meu deboche- Iria sair daqui estéril, seu filho da p**a de m***a. Vai se fuder sozinho, c*****o- falei, alto o suficiente para que todos em volta ouvissem.  Não poupei esforços, dei um chute entre as suas pernas, como se minha vida dependesse daquilo. Ele caiu para trás, dessa vez.  Chutei seu corpo no chão, umas duas ou três vezes. Nojo, era isso que eu sentia.  -Tenta abusar da Ronda Rousey da próxima vez, palhaço- Sofya cuspiu em cima dele e também o chutou no chão.  -Não perca seu tempo, Soso. Com assediador só há um caminho: cadeia- o tom de Sina foi incrivelmente ameaçador.  -Espero que morra e vá para o inferno, filho da p**a- Sabina também se pronunciou.  -Vamos sair daqui- meu irmão falou, passando o braço pela minha cintura e me puxando para fora da festa.  -Sabina, acho melhor você parar de gravar- Sofya a encarou.  -Eu sei, é que eu fiquei tão nervosa que só conseguia apontar o celular para tudo isso. Se a coisa ficasse ainda mais séria, eu pelo menos poderia provar para a polícia que somos inocentes- falou, completamente desesperada.  -Estão todos bem?- Sina questionou.  -Minha mão dói- eu e Noah falamos ao mesmo tempo.  -Eu vou tentar arrumar gelo para vocês. Josh e Bailey estão bem? Também precisam?- a caçula soou prestativa.  -Eu estou bem- Bailey disse baixo.  -Também- meu irmão falou, ainda abraçado a mim.  -Sabina e Sina, vêm comigo?- Sofya puxou as duas, que assentiram e a mexicana finalmente encerrou aquela live- Deixem os lutadores de boxe irem para o quarto.  -Você está bem mesmo?- Bailey questionou, quando entramos no elevador.  -Estou, eu juro- tentei soar firme.  -Eu preciso fazer aulas de Muaythai, minha situação hoje foi patética- Noah tentou quebrar o clima, ele sabia que essa tática funcionava comigo.  -Eu fiquei com sangue nos olhos, minha vontade era de m***r aquele cara de tanta p*****a- Josh era o que estava mais nervoso, entre nós quatro.  -Ei, acabou. Está tudo bem- falei calma- Não quero que infarte e morra antes dos 30, nascemos juntos e vamos morrer juntos, ok?- Sorri baixo e me escorei no canto, próximo a Bailey.  -Ai eu nasci no mesmo dia que vocês, mas espero viver mais. Sou mais saudável- Noah falou.  -Vai acreditando mesmo nisso- meu irmão debochou.  -Segunda vez em menos de uma semana, em- o asiático disse virado para mim, em tom baixo, com o tom de voz baixo.  -Da última vez ela chegou em casa acabada, tive que carregar no colo e dar sorvete na boca- o loiro relaxou os ombros- Serei eternamente grato por ter cuidado dela, cara.  -Que isso, não fiz mais que minha obrigação.  -Ainda bem que eu tenho quem me defenda- senti minhas bochechas avermelharem- Eu sozinha, já estou perdendo minhas forças- deitem minha cabeça no ombro de Bailey.  -Eu sinto muito, por vivermos em um mundo tão machista- seu tom de voz era extremamente sincero, ele queria me confortar e estava buscando uma forma de fazer isso.  -Eu acho que senti um clima- Noah falou, encarando nós dois.  -Você acha? Eu tenho certeza- Josh revirou os olhos, deu um sorriso de canto e saiu do elevador. 
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