Bati a porta do carro e desci do veículo, encarando Noah sentado sobre o capô de sua BMW. A viagem de volta para Los Angeles tinha sido um tanto quanto cansativa, seja porque eu e Sina tivemos uma noite agitada e dormimos tarde, porque era horário de pico e as estradas estavam engarrafadas ou porque como se não bastasse a noite m*l dormida e o trânsito, estávamos na escola antes mesmo das nove e meia da manhã.
Eu usava coturnos pretos, short jeans e regata de da mesma cor dos sapatos. Eu deveria estar com muita sorte naquele dia, porque o clima pedia no mínimo um moletom e eu sabia que o destino era sentir frio até o fim das aulas.
Esperei Sina sair do carro e nós duas caminhamos até o americano, lado a lado. Ele nos recebeu com um abraço apertado, como se não nos víssemos à semanas:
-Como foi a reunião?- perguntou.
-Tudo certo, conforme o planejado. No início eles não gostaram muito, não sei pela minha idade, por ser mulher ou por estar acompanhada de outra mulher, mas no final consegui convencê-los de que sabia do que estava falando.
-Isso é ótimo, tinha certeza que ia dar tudo certo. É por isso que você será nossa futura presidenta.
-Ainda não temos certeza disso, Noah. Se for da vontade de todos e eu me sentir preparada para isso, tudo bem.
-Eu apostaria que sim, foi extremamente profissional ontem a noite- Sina constatou e eu dei de ombros, fazia parte do trabalho e não enxergava com algo muito além do meu potencial.
-Jojo, acredito que queira procurar Sofya e Josh. Eles entraram juntos, falando que iam para a biblioteca- o Urrea informou.
-Está tentando me despachar?
-Claro que não- me deu um selinho- Mas quero levar Sina em algum lugar...
-Já entendi tudo- mordi meu lábio, sorrindo- Vejo vocês na aula, ou não- deixei no ar, beijando a bochecha dos dois e saindo logo em seguida.
Quando cheguei ao corredor dos armários, já dentro do prédio principal, percebi que a escola estava um caos. A movimentação era maior do que a esperada para uma manhã de terça. Todos andavam de um lado para o outro, panfletos estavam espalhados pelo chão, alunos penduravam faixas sobre o baile que aconteceria em algum tempo, conversas paralelas era criadas e garotos escandalosos gritavam a procura de um par.
No meio de toda essa loucura e da frente do meu armário ocupada por um grupinho da fotografia, consegui avistar meus dois irmãos conversando ao fim do corredor e da bagunça, próximo ao armário de Sofya.
Mas eu não consegui dar, se quer, um passo na direção deles dois. Não antes de algo, ou melhor, alguém tapar minha visão com uma verdadeira parede de músculos.
Subi meu olhar até seu rosto, não que eu precisasse fazer isso para saber de quem se tratava, eu conseguia o reconhecer muito bem pelo casaco do time, ou simplesmente pelo cheiro.
-O que você quer?- perguntei, entre os dentes, sabendo que algumas pessoas em nossa volta já pararam para nos observar. Afinal, éramos rivais e as chances daquilo não dar m***a, eram muito pequenas, minúsculas eu diria.
Mas a verdade é que ninguém entendia o que estava acontecendo. As pessoas podiam saber por cima, do jantar de negócios e talvez que matamos algumas aulas juntos, no dia em que fui até sua casa. Talvez até soubessem que eu tinha virado amiga da sua mãe, mas ninguém podia se quer imaginar que eu carregava comigo, dois grandes segredos de Bailey May, ninguém sabia que tivemos uma conversa civilizada.
-Any está me pressionando por conta dos segredinho- eu poderia dizer que ele se curvou alguns milímetros, em direção ao meu ouvido, para que ninguém além de nós dois pudéssemos ouvir o que era dito.
Fiquei na ponta dos pés por um segundo, olhando por cima de seus ombros e percebendo que Josh e Sofya ainda pareciam distraídos em uma conversa, o que sem dúvidas era bom.
-E o que eu tenho a ver com isso? Seus segredinhos, suas responsabilidades.
-Só quero garantir que você não vai sair os espalhando por aí.
-Ah Bailey, as vezes parece que você não me conhece- sorri sarcástica e olhei em volta.
Pelo menos as pessoas estavam disfarçando, mas ainda assim era nítido que éramos o foco de todos no início do corredor. Por sorte, o sinal anunciou o início das aulas e a maioria das pessoas começou a seguir seus caminhos.
-Por que será?- provocou.
-Te prometi esquecer aquela história
-Você sabe que não estou falando de Shivani, Joalin.
-Hum, deixe-me ver o que posso fazer pelo seu segredinho- mordi o lábio e encarei o teto- Seja bonzinho, assim não teremos problemas- pisquei, passando ao seu lado com força e sem fugir do esbarrão que meu corpo provocou em seu ombro.
Revirei os olhos e respirei fundo. O que eu estava indo fazer mesmo? Falar com meus irmãos, mas naquela altura eu já tinha os perdido de vista.
Procurei em minha volta, o corredor se tornou praticamente vazio poucos segundos após o fim da minha conversinha com o filipino. Para minha infelicidade, ele continuava no mesmo ambiente, em seu armário.
Segui até o meu e joguei minha mochila por lá. Guardei meu celular no bolso e peguei um livro que precisaria nesta primeira aula.
Mas parece que aquele não era mesmo o meu dia de sorte. O motivo? Poucos passos depois que iniciei minha caminhada até a sala, senti uma mão pesada em meu braço e naquele momento, mais uma vez eu sabia que era ele.
Fui puxada para dentro do armário do zelador e por mais que ele tivesse aquela postura de bonzinho, quase o oposto da minha marra de Bad Girl, senti um arrepio medroso percorrer meu corpo assim que ele trancou a porta.
Bailey praticamente jogou meu corpo contra uma estante, mas ainda que tivesse o feito de maneira bruta, fugia do m*****o.
Ele se aproximou de mim e por um milésimo de segundo, não entendi o que estava acontecendo. Seus olhos estavam escuros e pareciam famintos, ele parecia uma pessoa completamente diferente da que eu estava acostumada a ver.
Mas eu sabia, eu sabia muito bem o que ele queria e para ser sincera, naquele segundo eu também queria.
Foi por isso que eu não exitei, muito pelo contrário, apenas esperei que fosse corajoso o suficiente para fazer o que eu achava que ele ia fazer. E ele fez.
Um arrepio correu meu corpo quando senti nossos lábios se encostarem, era uma sensação bem diferente e muito mais prazerosa da que senti quando fui empurrada para dentro daquele cubículo.
Ainda assim, eu nunca, nunca daria o braço a torcer que gostei daquele tipo de aproximação, o daquela pegada, nem morta.
O beijo se iniciou de forma bruta e atraente. Imediatamente corri minhas mãos até os cabelos de Bailey e tratei de o aproximar ainda mais de mim.
A ponta de seus dedos apertou minha cintura com força, assim que nossas línguas entraram em contato. Nossos lábios pareciam ter um encaixe maluco e faminto, tudo tinha velocidade, o beijo era profundo.
Ele definitivamente sabia o que fazer, não foi a toa que um suspiro me escapou, entre seus lábios, assim que ele desceu as mãos até minha b***a e me deu suporte para enroscar minhas pernas em seu corpo.
Eu estava quente, como se tivesse febre. Meus olhos, fechados com certa força, era a prova de que eu estava em outra direção.
Eu estava com raiva, raiva dele ter me beijado, raiva de estar fazendo o que jurei que nunca faria.
Os movimentos eram guiados por esses sentimentos ruins e misturados com uma atração insana, que até então era desconhecida.
Eu mordi seu lábio inferior com força, finalizando o beijo e descendo de seu colo. Ainda encurralada entre a estante e seu corpo, senti um balde de água fria cair sobre minha cabeça, sobre o que tinha acabado de acontecer.
Eu não podia ter outra reação, não tinha como, não seria eu e naquele momento, eu precisava mostrar quem mandava.
Foi então que o impulso mais uma vez tomou conta de mim e dos meus atos. Minha mão voou em direção ao seu rosto em um t**a forte e estalado, que deixou Bailey de boca aberta.
-Nunca mais, nunca mais faça isso.
E então, eu deixei o armário do zelador pisando firme.
Ainda assim, uma grande dúvida pairava em minha mente, porque ele decidiu me beijar tão de repente?