Se algum dia cheguei a duvidar, hoje eu tive a confirmação que a lei de Murphy existe e que escolheu esse dia para se aplicar na minha vida. Definitivamente tudo que poderia dar errado hoje, deu.
Entro em meu apartamento sentindo o peso do dia me esmagar aos poucos e refletindo no fato de que talvez eu não devesse ter saido da cama hoje pela manhã. Passo direto por minha governanta sem nem lhe dar boa noite e vou para o meu quarto com o único objetivo de esquecer.
_menino, aconteceu alguma coisa?- Rosa entra no quarto depois de dar algumas batidas na porta.
_ tudo Rosa. Definitivamente hoje não foi o meu dia.- ela vem até onde eu estou e se senta em minha cama colocando minha cabeça em seu colo e me fazendo um cafuné.
Rosa foi minha babá quando eu era pequeno e durante anos ela foi a única mãe que eu tive.
_ quer me contar?- ela pergunta.
_ eu perdi o contrato com os asiáticos. Aparentemente eles consideram atrasos um desrespeito e falta de profissionalismo. Eles nem me deixaram falar.- me lamento.
_ eu sinto muito meu querido. Você saiu daqui tão cedo, por que se atrasou?
_ aconteceu um acidente no meio do caminho. Eu atropelei uma mulher.
_ você o que?!- ela pergunta se levantando rapidamente e olhando para mim de maneira repreeciva .- quantas vezes eu terei que te avisar para não correr com aquele carro. Você poderia ter se machucado. E ela, como está?
_ eu não estava correndo, ela que entrou na frente do meu carro. E eu não sei como ela está, na verdade eu não sei nem em que hospital ela está. O cara que estava com ela não deixou que eu fosse com eles, além do mais eu já estava atrasado para minha reunião. Só espero que ela esteja bem....- falo mais para mim, do que para ela.
_ tenho certeza que se o pior acontecesse você logo saberia. Duvido muito que a família deixaria por isso mesmo.
_ ótimo, eu não tinha pensado nisso. Acrescente a minha lista de desventuras Rosa, possível processo por homicídio culposo.- bufo exarcebado e enfio minha cabeça entre os travesseiros.
_ não fique assim, ser negativo não te levara a nada. Anda, levanta - ela me puxa pelo braço para que eu saia da cama, mas eu nem me mexo.- vá tomar um banho quente enquanto eu termino o jantar, você verá como se martirizar de barriga cheia é muito melhor.- ela fala de maneira cômica.
_ a claro, isso com certeza é muito animador.- sou irônico.
_ o jantar estará pronto em dez minutos.- ela sai do quarto, fechando a porta e eu me mantenho imóvel em minha cama.
Não sei por quê, mas sem minha permissão meus pensamentos voam novamente para a mulher caída no chão, que mesmo após ter sido atropelada e estar com a cabeça envolta em uma poça de sangue, ainda era uma das mulheres mais lidas que já vi. Qual será a cor de seus olhos, e o som da sua voz......
_Mas que m***a de pensamento foi esse?- levanto da cama e vou tomar um banho, antes que eu me deixe levar por mais besteiras.
Eu só posso ter batido a cabeça com muita força....
Assim que saio do banheiro escuto o toque incessante do meu celular e mesmo contra minha vontade eu o atendo.
**Ligação on**
_ alô?
_ filho...?
** ligação off **
Desligo o telefone antes que a pessoa do outro lado da linha possa falar mais alguma coisa e em menos de um minuto meu telefone está tocando novamente.
Olho para o aparelho sem reação, esperando que por um milagre ele exploda e junto com ele a probabilidade desse dia realmente ter acontecido.
Não pode ser! Por que ele está me ligando agora? Quando penso que as coisas não podem piorar.