Sombra narrando Eu nunca fui homem de sentimento. Nunca fui de ligar pra ninguém, nunca fui de criar apego, nunca fui de ter dó. Tô no crime há décadas, com quase sessenta anos nas costas e um corre sujo, organizado, e frio. Tudo que eu construí foi passando por cima de gente, de regra, de limite. E nunca me arrependi. Se cheguei onde cheguei foi porque sempre soube fazer o que ninguém tinha coragem de fazer. E mesmo assim, tem uma coisa que sempre me atravessou a garganta como espinho: a Rocinha. Aquela favela maldita sempre foi meu alvo maior. Sempre. Desde quando ainda era território do pai do Sorriso. Aquela p***a é impenetrável. Ninguém entra ali sem permissão, ninguém cresce ali sem aval, ninguém toma aquilo na força. Já tentei de tudo. Já joguei dinheiro, já joguei gente, já jog

