Episódio 11

1409 Palavras
Abrindo os olhos, assim que recuperou a consciência, Dante piscou algumas vezes, tentando se adaptar à luz do hospital. E assim, após pedir ajuda, Erika conseguiu movê-lo para realizar alguns exames para determinar o estado do seu coração. Lembrando-se do que acontecera com Amanda, Dante tentou se levantar e, ao se aproximar, uma enfermeira o impediu. — Senhor, espere. O senhor ainda não pode se levantar. Removendo o soro do braço, Dante se recusou a desistir. Apoiando os pés no chão, continuou removendo os outros dispositivos do peito. — Pare Senhor! Em um esforço inútil, a mulher tentou devolvê-lo à cama. Percebendo que ele não se manteria calmo, ela apertou o botão para chamar os colegas, que chegaram segundos depois, acompanhados por Erika. — Dante... Você não pode tirar os monitores. Aproximando-se dele, Erika colocou as mãos nos ombros de Dante e, erguendo os olhos, ouvindo a voz familiar, ele parou. — Preciso ir buscar Amanda, Erika... Não posso deixá-la ir com Atlas. Apesar do leve desconforto que ainda pairava em seu peito, Dante permaneceu determinado a manter Amanda longe do irmão e, pressionando os seus ombros, Erika continuou tentando fazê-lo ver a razão. — Está tudo bem, mas não agora, Dante... O que importa agora é a sua saúde. Veja onde você está. Não percebeu a sua condição? Examinando o seu corpo, Dante notou que as suas roupas haviam sido substituídas por um avental de hospital. Sentindo-se um pouco envergonhado ao ver seu quarto cheio de pessoas que vieram para exilá-lo, ele franziu os lábios. — Estou aguardando os resultados. Lembre-se, seu corpo ainda está se adaptando ao seu novo coração, então não exagere. Enchendo os pulmões de ar, Dante deixou as mãos descansarem, enquanto abaixava o rosto, esperando por respostas. — Dante, você está se machucando. Entenda que essas emoções são fortes para você agora. Você se esqueceu de que essa era a principal condição para retornar? Em vez de responder, Dante simplesmente engoliu em seco e, voltando o olhar para Erika, acrescentou: eu sei, e me desculpe. É que... Girando as costas, Erika pediu aos presentes que se retirassem e, levando a mão ao braço de Dante, começou a inserir o soro. — Só o quê? Amanda importa mais do que a sua vida? Não sei o que dia*bos há de errado com você, mas amar alguém assim, que não estava lá para você nos seus piores momentos, é estúp*ido. Dante imediatamente olhou para ela com irritação e, levando as mãos ao avental do hospital, Erika o puxou para começar a colocar os eletrodos em seu peito para medir sua frequência cardíaca. — Você sabe que ela não estava lá porque eu não queria. Eu jamais permitiria que ela me visse com pena. A mão de Erika parou no ar antes de colocar o último eletrodo e, olhando-o diretamente nos olhos, ela respondeu. — Verdade, só ela importa. A ironia em suas palavras era palpável e, pegando a mão dela, Dante subitamente mencionou uma grande verdade. — Você sabe que eu não a forcei. Você estava ao meu lado porque queria, então não me critique. Os olhos de Erika se cristalizaram diante dessa verdade e, ao terminar a sua tarefa, ela puxou o robe de Dante para cobri-lo. — É verdade, a única pessoa estú*pida que pensou que você poderia me amar fui eu... Se me dá licença, Sr. Hackett, preciso dos seus resultados. Girando nos calcanhares, Erika saiu da sala sem mais nem menos, e, observando-a desaparecer de sua vista, Dante se lembrou. Início do Flashback Olhando pela enorme janela da mansão Hackett no exterior, Dante se perguntou se estava fazendo a coisa certa. Fazia apenas alguns dias desde a sua partida, e ele m*al podia esperar para voltar para Amanda. Apesar de jurar a si mesmo que não amaria, Dante não resistiu e se apaixonou por sua doçura. Caminhando até seu laptop, tentando controlar a vontade de ligar para ela, ele o abriu e, ao notar como a imagem de sua esposa aparecia na primeira página do noticiário global, Dante sorriu. Amanda Granfort, nova editora da revista H&Ga Parecia que nada havia acontecido, que ela havia continuado sua vida como se nada tivesse acontecido depois de sua partida. Levando a mão à tela do computador, Dante Hackett a acariciou, pedindo perdão à imagem de Amanda. Sim, porque, mesmo que não parecesse, doía deixá-la, nunca mais vê-la, justamente quando o seu verdadeiro casamento estava começando. Ao ouvir passos em direção ao seu escritório em sua nova casa, Dante, inerte, fechou o computador. Ao ver Erika espiando pela porta, sorriu tristemente, dando-lhe as boas-vindas. — Dante, desculpe interrompê-lo, mas tenho os resultados... O seu coração está pior do que eu pensava. Se não lhe fizermos um transplante, você pode morrer mais cedo do que imaginamos. A garganta de Dante secou, e a ardência em seus olhos tornou-se evidente. Ele morreria tão jovem? De uma doença que acabara de descobrir? Dante abaixou o rosto, tentando esconder a preocupação que isso simbolizava, e engolindo em seco, permaneceu em silêncio por alguns segundos. — Eu sei que lhe disse que a nossa partida seria por um curto período, mas, em sua condição, é melhor ficarmos aqui. Temos mais chances de encontrar uma saída. O olhar de Dante imediatamente se ergueu em sua direção. Ele não conseguia ficar longe de Amanda por muito tempo, nem quando ele não lhe deu uma explicação, nem quando ele não tinha coragem de lhe contar que estava viajando com a ex para tratar de uma doença da qual possivelmente morreria. O seu plano ao partir era encontrar uma solução o mais rápido possível e voltar para recuperar o seu casamento, que ele sabia que se romperia, mas que, uma vez descoberta a verdade, voltaria ao que era antes. — Você sabe que não posso. Deixei Amanda sozinha, sem dar uma explicação. Simplesmente fui embora... Não contei a ela que era por motivos de negócios porque não sabia quanto tempo levaria, mas ficar aqui indefinidamente vai semear muitas dúvidas nela, e ainda não estou pronta para lhe contar a verdade. Erika respirava fundo, odiando ter que conviver com o fantasma de Amanda, uma mulher que m*al havia entrado em sua vida, mas que Dante amava. Erika achava que ficar sozinha com Dante o reconquistaria, mas nos poucos dias que se passaram, ele já havia deixado claro que não podia amá-la porque seu coração pertencia a Amanda. — Vou te dizer uma coisa: você precisa escolher... Nós voltamos e você morre nos braços da sua amada, ou você fica e nós lutamos por um novo coração para você, sem despertar a piedade da Amanda. Dante se sentia entre a cruz e a espada. Ele precisava ver Amanda, abraçá-la, mas sentia que não era justo que ela sofresse os estragos de seu coração partido. Um fato que, apesar da sua recente descoberta, estava lhe causando dor. Alguns segundos depois, os seus olhares se encontraram e, assentindo, ele disse: ok, mas vou mandar uma mensagem para ela. Acho justo que eu lhe dê uma explicação. Não será a verdade, mas tentarei justificar minha ausência. Erika sorriu interiormente ao ver que ele ficaria com ela, naquela cidade, e caminhando em direção ao seu local, pegou a sua mão. — Você sabe que tem meu apoio, Dante, e prometo que farei o que for preciso para salvá-lo. Isso, longe de aliviá-lo, fez o seu coração partido disparar, não por causa dela, ou de sua presença, mas por causa do medo de deixar Amanda quando estavam apenas começando a viver o amor. Fim do Flashback Ao terminar de se lembrar daquela parte de sua vida, Dante levou a mão ao peito e, após sentir a enorme cicatriz, acrescentou para si mesmo: por que fui tão estúp*ido? Eu mesmo matei o seu amor, Amanda, e o pior é que não consigo te esquecer. O desconforto ainda atormentava seu corpo e, por mais que quisesse sair dali para encontrá-la, não conseguia. Não quando isso colocava sua saúde em risco, uma saúde pela qual lutava apenas para estar com ela. Dante, exausto, deitou o corpo na maca e, fechando os olhos, manteve a calma, tentando manter a esperança de reconquistar a esposa. Uma esperança que ele começava a perder ao pensar que ela amava o seu irmão. ‍ ‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌
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