Eu parei. O som do baile ainda vinha lá de baixo, mas ali na rua a música parecia distante, abafada pelo vento da noite. Virei devagar. Barão estava parado a poucos passos de mim. A luz fraca do poste iluminava metade do rosto dele. A outra metade ficava na sombra, o olhar pesado preso em mim. — Já vai embora? — perguntou. A voz calma. Mas eu já sabia que aquela calma era perigosa. Respirei fundo. — Já. Ele deu alguns passos na minha direção. — O baile acabou de começar. — Eu sei. Silêncio. — Então? Levantei os olhos para ele. — Eu só quero ir embora, Barão. A expressão dele mudou levemente. Não era raiva. Era outra coisa. Como se ele não estivesse acostumado a ouvir aquilo. — Por quê? Dei de ombros. — Porque eu não quero ficar aqui. Ele me observou por alguns segun

