Nathaly
Depois do jantar organizado por Lucy, eu fiquei muito decepcionada. Sua insistência para as benditas fotos me deixaram muito cansada e para piorar, não pude sequer me alimentar na hora certa.
Estou dando graças a Deus por me livrar desse casamento sufocante, mas sei que terá consequências e nem quero imaginar quais são.
O meu querido noivo foi outra decepção. Eu realmente estava m*l e ele permitiu que um homem que ao seu ver, era para mim um desconhecido, assumisse a situação. Depois de praticamente me abandonar em minha primeira viagem a NY. Eu não deveria estar surpresa.
- Ei! Tudo bem com você?
- Estou bem, obrigada!
Thales era o oposto de Renan. Desde a primeira vez, sempre se mostrou gentil e atencioso. Graças a ele, meus pés não está com nenhum desconforto. Logo pela manhã ele aplicou o hidrogel e fez massagem novamente.
- Está pensando em quê?
- Se já deram minha falta.
Ele se levantou e estendeu a mão para mim.
- Venha, vamos ver.
- Como assim?
- Tenho acesso às gravações das câmeras do hotel.
Tentei não demonstrar surpresa, apesar de ser difícil. O que Thales não pode fazer nesse mundo?
Ele abre o notebook e entra com as senhas. Virou meu rosto e espero ele terminar.
- As oito da manhã o show começou.
Pelas imagens, vejo pessoas se movimentando por todo hotel Hilton, procurando por mim provalmente. Ao ver meu pai sair do quarto e seu olhar preocupado, me sinto triste e as lágrimas descem sem que eu perceba.
- Seu pai já recebeu uma mensagem avisando que você está segura.
- Obrigada!
Thales passa o polegar pelo meu rosto e em seguida deixa um beijo em minha face.
- Eu disse que vou cuidar de tudo. Confie em mim.
Não respondo e volto a olhar as imagens na tela. Renan com as mãos na cabeça, parece perdido e triste. Já Lucy e Luiz com certeza estão furiosos. Uma pena que não posso ouvir, mas pela expressão facial e os gestos dá para deduzir claramente.
Um sorriso de escárnio sai dos meus lábios ao pensar na falsidade dessas pessoas.
- Onde está meu telefone?
- Está com a Lana. Você receberá outro aparelho assim que a gente desembarcar.
- Quem autorizou a Lana a pegar meu celular?
- Eu dei a ela. Era preciso!
É claro que estou furiosa com a audácia desse homem. Um aparelho de meu uso pessoal, os contatos que não tenho na memória se perderão junto com o telefone.
- Você foi longe demais. Não podia dar meu celular assim.
- Lana vai se comunicar com as pessoas como se fosse você. Já deixou seu pai tranquilo e vai desviar a sua verdadeira localização.
Ele realmente cortou todos os meus laços com o Brasil, nem sequer discutiu comigo ou pediu minha opinião. Agora me dou conta que sai de uma Cilada e cai em outra. Talvez ainda pior.
Almoçamos no avião e pouco depois do meio-dia Thales veio a mim, já que estou de mau humor e fiz questão de ficar longe dele.
- Vai se arrumar. Daqui a uma hora pousaremos.
- Tenho a opção de não ir ao tal evento?
- Não! Você não tem.
Vou para o quarto e tomo um banho rápido. Pegou o vestido no armário e admiro que seja exatamente meu tamanho. Sapatos, produtos de higiene pessoal e até maquiagem se encontram nas prateleiras. Penso se estavam ali ou foram providenciadas para meu uso. Acho que é a segunda opção, tudo é novo e as cores combinam perfeitamente com meu tom de pele.
Prendo os cabelos de forma simples, mas ficou muito bom com o vestido.
Terminei de me arrumar e me sentei na cama. Vou esperar aqui até a hora de desembarcar. Ou pelo menos achei que ficaria, pois a porta se abriu e Thales entrou já desabotoando a camisa.
- Está linda gatinha. Vou me arrumar rápido daqui a pouco nos preparamos para aterrissar.
Vejo ele entrar no banheiro e saio. Não posso ver ele se arrumar, não vou conseguir resistir e manter a distância que pretendo.
Escolho uma poltrona unitária e antes de fechar o cinto, pego uma revista para ler até chegarmos.
- Venha para frente e se sente ao meu lado.
Não levantei a cabeça para olhar para ele. Seu cheiro amadeirado já estava deixando meus hormônios agitados.
- Estou bem aqui.
- Gatinha, ou vem por bem ou, não tenho problema nenhum em te levar nos meus braços.
- Posso perfeitamente andar, obrigada.
Desafivelei o cinto e marchei para o mesmo lugar que sentei quando chegamos. Thales se inclinou e eu o parei.
- Posso perfeitamente colocar meu cinto sozinha.
- Não precisa quando estou disposto a fazer por você.
Ele falou bem rente ao meu ouvido, me causando arrepios. Ao se inclinar para me beijar virei o rosto.
- Vai ser interessante domar minha gatinha selvagem.
Não precisei olhar, mas sabia que ele estava sorrindo. Não sei exatamente o que ele pretende, mas não vou facilitar para ele, disso estou certa.
Desembarcamos antes das treze horas e um carro nos aguardava na saída do aeroporto.
- Entre aqui Nathaly.
- E minha bagagem?
Me preocupo é claro, afinal trouxe tão pouca coisa que se perder, não sei o que fazer.
- Os assessores vão deixar tudo em casa.
Me sinto uma i****a, claro que ele não perde nada e também não tem trabalho de transportar nada com as próprias mãos. É o poder do dinheiro que eu não estou acostumada. Mesmo viajando com Renan, sempre carreguei minhas coisas e ele as dele.
- É onde eu vou morar?
- Não se preocupe. Você vai gostar, confie em mim.
Mais uma vez ele não responde e já estou de saco cheio de ter minha vida decidida por ele. Como posso confiar se estou aqui forçada da pior forma possível?
Não prestei muita atenção ao longo do caminho. Meus pensamentos perdidos principalmente no meu pai. Foi só quando chegamos que percebi onde estávamos.
- O que estamos fazendo aqui?
- O mesmo que todos os casais aí fora.
- Eu não vou me casar com você, pode esquecer.
- Aqueles documentos ainda estão com meu advogado lá no Brasil. Não quer pensar melhor?