4° Capítulo - Nos encontramos novamente

859 Palavras
MIA Estava na minha sala programando o próximo assalto quando um de meus soldados, que estava tomado conta da entrada do morro, me passou um rádio. — Fala patroa. — Qual foi Diego ?  — Tem um playboy aqui na entrada criando confusão. — Bota pra correr então.  — Só que tem um problema. O playboy ta dizendo que é teu irmão. — Fica no aguarde que eu to descendo. Desliguei o rádio e peguei meu fuzil em cima da mesa, coloquei nas costas e peguei a chave da minha moto, sai do cabo e montei na mesma. Desci o morro rasgando, no caminho buzinei para alguns moradores e xinguei vira-latas que entraram no meio do caminho. Assim que cheguei no pé do morro reconheci aquele Honda Civic. Desci da moto e fui até o Diego, fiz um toque com ele e disse que estava tudo tranquilo. O playboy já tinha saído de dentro do carro e estava encostado no mesmo com as mãos no bolso, cheio de marra o moleque. Ri com meus pensamentos e fui até ele. — O que te trás ao meu morro playboy? Teu lugar é com as patricinhas da zona sul.  — Meu avós me contaram a verdade. — E o que eu posso fazer? Foi você que me esnobou na sua área, — sorri — é melhor tomar cuidado quando estiver na minha. Ele sorriu malicioso. — Fica tranquila chefia , tô aqui na paz — ele piscou. — Entra no carro, vamos conversar no meu escritório — sorri e montei na minha moto. [...] Me sentei na minha cadeira e coloquei o fuzil sobre a mesa, Matheus se sentou na minha frente e ficou encarando a mesa. — Assustado? — Ergui uma de minhas sobrancelhas e sorri de um modo desafiador. — Confuso — ele sorriu em resposta às minhas expressões.  — O que você pretende exatamente vindo à minha procura? — Me desculpa se te tratei m*l — ele fez uma pausa e analisou com cuidado meu humor. — Bom, eu queria que você me contasse sobre nossos pais e me dissesse exatamente porque me procurou. Comecei a contar minha vida com nossos pais, de como eles eram pessoas boas apesar de viverem na vida bandida. De como era nossa vida no morro, do dia de sua morte, como eles me pediram que cuidasse do morro e que procurasse meu irmão. Ele ouviu a história toda em silêncio, olhando nos meus olhos e prestando bastante atenção. Quando terminei abri a gaveta de minha mesa e tirei uma foto dos dois juntos, meu irmão a segurou com bastante cuidado e observou atento a cada detalhe. Pude ver algumas lágrimas no canto de seus olhos, porém ele engoliu o choro e respirou fundo colocando a foto sobre a mesa. Em seguida comecei a explicar porque o havia procurado, sobre como meus pais pediram que eu pedisse ajuda a ele e que por um momento eu pensei que pudéssemos cuidar do morro juntos, nos conhecer melhor e viver como uma família.  — Não vou lhe pedir que fique aqui comigo, pode ir embora. Continue sua vida como achar que seja melhor, e se quiser me visitar as portas estarão sempre abertas, — fiz uma pausa e comecei a rir — mas nunca traga aquele seu amiguinho playboy metido a b***a. — Tudo bem, — ele riu também — eu vou indo, preciso pensar no que fazer. Obrigado irmã — sorri ao ouvi-lo me chamar de irmã. Me levantei junto com ele e nos abraçamos, encostei minha cabeça em seu ombro e ele acariciou meus cabelos, por um instante pensei que iria ficar tudo bem, mas ele desfez o abraço e se foi. Diega  Estava sozinha em casa sem nada para fazer, então fui pra boca conversar com a Mia e com o pessoal. Quando estava entrando na boca um garoto do asfalto estava saindo do escritório da Mia. Reconheci ele da boate ontem a noite, ele me olhou da cabeça aos pés, sorriu malicioso e saiu da boca. Em seguida a Mia saiu do escritório e assim que me viu veio até mim e me deu um beijo no rosto. — Quem era o cara amiga? — Coloquei as mãos na cintura e sorri maliciosa.  — Era meu irmão, — ela deu de ombros — o playboy que te falei.  — Nossa, ontem você nem disse que ele era seu irmão.  — Estava com muita raiva dele ontem. Mas o importante é que agora você sabe quem ele é. Sorri e me sentei no sofá que tinha no escritório. Ficamos conversando com os vapores da Mia. Menor, Flávio e Léo. Eles começaram a fumar e a Mia os estapeou falando pra irem lá para fora.  — To indo embora porque hoje tem racha.  — Onde? — No bairro São Cristóvão. O início e o fim são na rua Fonseca Teles. Dela a gente vai seguir pela Campo de São Cristóvão, virar na Figueira de Melo até chegar na Francisco Eugênio, aí fazemos o retorno e voltamos no outro sentido da Figueira Melo, viramos na quinta rua e fazemos a rotatória. Viramos à esquerda na segunda rua e seguimos de volta  para Fonseca Teles até a linha de chegada. — Boiei. É que horas — Nove e meia. — Sete horas o Diego virá me cobrir, então eu vou me arrumar.
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