— Amara e Verena. Eu disse, brincando com a renda da elegante toalha de mesa branca. — Uma de vocês pagará a dívida do seu pai... Olhei para cima. O rosto da amante estava vermelho e ela tremia. A filha ao seu lado começou a chorar, com os lábios trêmulos. Vinicius mantinha o olhar fixo, o maxilar tenso e as mãos fechadas em punhos sobre a mesa. Verena, ela me encarava. Não havia um pingo de medo em seu olhar. Havia dúvida, dor, raiva, ira, menos medo.
— Por favor, eu imploro, por favor, não me leve. Por favor, eu não quero ir com você... A garotinha começou a chorar.
— Amara, fique quieta. Gritou o seu pai. De susto e medo, ela abraçou a mãe.
Sorri, inclinando a cabeça lentamente.
— Você está com medo? Perguntei, tentando-a, só para provocar ainda mais o seu medo.
— Eu não quero ir com você. Ela repetiu, tremendo, abraçando a mãe.
— Não se preocupe, uma bastarda jamais conseguiria pagar a dívida do seu pai. Eu disse. Verena fixou os seus profundos e brilhantes olhos cinzentos em mim. A menininha insuportável parou de chorar. Todos me olharam como se eu tivesse dito que mataria alguém ali mesmo.
— Não! Vinicius se levantou, batendo os punhos na mesa.
— Não? Eu disse.
— Você não vai levá-la. Ele declarou, e coloquei a minha arma na mesa. Mas tudo isso se reduziu a nada quando ela colocou a mão no braço do pai. Vinicius olhou para ela.
Então ela falou com ele por sinais. Eu não entendi uma palavra do que ela disse. Merda! Eu não falo língua de sinais.
— Não, você não vai, você não vai pagar a minha dívida. Declarou Vinicius, e então caminhou furiosamente para ficar ao meu lado.
— Ninguém precisa pagar a minha dívida, Magnus Corleone. Mate-me. Mate-me e cobre a dívida, ou me leve, me torture, mas não a leve. Ele implorou, ajoelhando-se ao meu lado.
— Vinicius, não. Implorou a sua amante.
— Papai. Gritou a garotinha.
Verena se levantou lentamente, caminhou até o pai e colocou a mão em seu ombro. Então, ela me chamou. Novamente, eu não entendi, então ofereci o meu telefone a ela. As suas mãos tremiam, enquanto ela o pegava. Observei-a digitar com os seus dedos finos e, em seguida, me devolveu o telefone.
Eu vou com você, mas deixe o meu pai e a minha irmã em paz.
Olhei para cima e sorri. Oh, oh.
Vinicius chorou enquanto balançava a cabeça. Ele se levantou e pegou a mão da filha.
— Você não acha que é tarde demais para se arrepender, Vinicius?
— Eu imploro. Ele repetiu.
— Ela já falou, Vinicius, ela está disposta a pagar a sua dívida. Agora sente-se e vamos conversar. Ele caminhou com medo e hesitação para o outro lado.
— Você não. Ordenei quando ela tentou se afastar. Os seus olhos estavam fixos em mim, e, droga, eu não conseguia decifrar o que se passava em sua mente quando ela me olhava.
— Em três dias, ela estará pronta para se casar comigo.
Declarei. Todos ofegaram. Vinicius parecia estar vendo um fantasma, e Verena, ela empalideceu.
Foi então, depois de dar minha sentença, cansado daquele circo barato, que me levantei determinado, ajeitei a gola da camisa e passei a mão em susa bochecha.
— Não tente fugir, não tente fazer nada, porque eu vou te procurar e te encontrar até debaixo das pedras, e vou te fazer passar pelo inferno. Disse a ela. Os seus lábios tremiam, mas foi a sua postura firme e defensiva que me surpreendeu.
— Boa noite. Disse finalmente, desviando o olhar daquela feiticeira.
— Três dias. Disse a Vinicius, olhando-o uma última vez. E eu fui embora sem perder tempo.
Assim que cruzei a soleira e me aproximei do meu irmão, ele ficou furioso.
— Eu esperava tudo de você, mas nunca você enlouquecer. Ele exigiu, com raiva.
— Se mamãe quer um herdeiro, um herdeiro é o que eu darei a ela. Eu disse, olhando-o nos olhos.
— Seu herdeiro carregará o sangue de um traidor? Perguntou Lucian.
— Está decidido, ela me dará meu herdeiro, depois que eu a fizer conhecer o inferno, depois que eu a transformar em pó, e então eu tirarei a única coisa que ela valoriza: o seu filho.
Ela não tem medo de mim. Eu vi em seus olhos. Vou mostrar a ela que sou o d***o, que serei o seu pior pesadelo, e que esse medo é a única coisa que ela pode sentir por mim.
****
Magnus
Observei a paisagem silenciosa da noite enquanto nos aproximávamos da majestosa mansão da nossa mãe. Um incrível conjunto de luzes iluminava o caminho que levava à entrada imponente. Do lado de fora, a mansão parecia uma fortaleza, com seus muros altos e câmeras de vigilância impedindo qualquer tentativa de intrusão.
Ela nos esperava para o jantar, como havíamos prometido semanas atrás.
Lucian, ao meu lado, também observava a longa entrada adornada com pinheiros frondosos e perfumados. Quem sabe o que se passava em sua mente?
— Espero que ela tenha feito meu prato favorito. Brincou Lucian. E o meu sorriso se alargou. A minha mãe mimava o meu irmão mais novo, sempre querendo o melhor para ele.
Sra. Corleone, nossa mãe. A única mulher que realmente importava em nossas vidas, a única mulher por quem daríamos nossas vidas. Sua segurança era nossa maior prioridade e faríamos qualquer coisa para protegê-la. Nenhuma mulher se comparava a ela.
Finalmente chegamos à entrada, com a nossa segurança nos apoiando.
Saí da caminhonete, ajeitei o casaco e passei a mão pelos cabelos soltos, na altura dos ombros. O ar fresco da noite acariciou o meu rosto enquanto eu virava a cabeça, olhando ao redor. O jardim estava perfeitamente iluminado. Cada canto da mansão parecia estar sob vigilância. A segurança era implacável, mas também reconfortante, um lembrete de que tudo estava sempre sob nosso controle.
De repente, o chefe da segurança da minha mãe apareceu diante de nós. A sua figura era imponente e seus olhos avaliavam a situação com a precisão de um falcão. Marcos Berlusconi, o único homem em quem eu confiava a vida da minha mãe, um atirador de elite treinado, não havia ninguém como ele.
— Bem-vindos, senhores. Disse ele com um leve aceno de cabeça. — Sua mãe os espera no salão nobre.
— Marcos. Cumprimentei, oferecendo-lhe a mão. Durante anos, ele cuidou da minha mãe como se fosse sua. Sua lealdade a ela e a nós o torna um dos homens mais respeitados entre nós, os irmãos Corleone.
Lucian o cumprimentou e fez algumas piadas com seu tom sarcástico e humor n***o característicos, que só Marco conseguia igualar.
— Venham comigo, senhores, sua mãe está impaciente desde esta tarde. Ele declarou. Sorri, alargando o meu sorriso.
— Não tenho dúvidas disso. Eu disse, conhecendo a Sra. Corleone. Nós o seguimos para dentro da mansão.
Enquanto caminhávamos pelos corredores opulentos, os retratos de família pareciam nos observar, como guardiões silenciosos. Cada passo que eu dava me lembrava do que tínhamos feito e do que estávamos dispostos a fazer por ela.
Finalmente, chegamos ao salão principal. Respirei fundo quando Marcos abriu a porta. Lá estava ela, sentada em seu confortável sofá. Ao nos ver, colocou sua xícara de chá na mesa ao lado.
— Meus filhos. Disse mamãe, levantando-se para nos cumprimentar com dois beijos no rosto e um abraço afetuoso.
Eu sempre amei a fragrância do seu perfume, suave e elegante.
— Como você está, mãe? Perguntei, segurando os seus dois braços enquanto a olhava nos olhos. Aqueles lindos olhos violeta. Ninguém era como ela.
— Um pouco indisposta, mas nada com que se preocupar. Ele disse, minimizando o problema e se aproximando de Lucian para segurar o seu rosto com as duas mãos.
— E como está meu filhinho? Como seu irmão está te tratando? Ela falou com ele como se fosse uma criança de verdade.
— Bem, estou com fome, mãe, mas eu aguento. Ele brincou, sorrindo de orelha a orelha.
— Coitadinho, meu querido, foi por isso que a mamãe fez seu almoço e a sua sobremesa favorita. Lucian pegou as mãos da nossa mãe e beijou cada uma.
— Será sempre um prazer ser o seu filho. Ele disse, enquanto eu balançava a cabeça. Ninguém que nos visse imaginaria que éramos os maiores traficantes de drogas do país e que Lucía era uma assassino por excelência. Aos olhos da nossa mãe, éramos como algodão-doce.
— Entrem, entrem na sala de jantar, já estou esperando, o jantar está pronto. Disse mamãe, pegando cada um de nós pelo braço, e caminhamos até a sala de jantar.
Ela sempre se sentava na cabeceira, com nós de cada lado, Lucian à sua esquerda e eu à sua direita. O jantar começou a ser servido imediatamente, e nos acomodamos.
— Então, me contem as novidades? Alguma novidade, contem para a mamãe. Disse ela, abrindo e fechando as mãos, mantendo os cotovelos sobre a mesa.
Lucían e eu trocamos olhares, e nossa mãe, como a bruxa intuitiva que era, percebeu rapidamente. Nada poderia ser escondido dela.
— Vamos lá, me contem, ou vocês não vão jantar.
— Mãe! Exigiu Lucian com um meio sorriso. — Não quero segredos. Vocês sabem que não deveria haver segredos entre vocês e essa velha.
— Mãe, você não é uma velha. Exigi.
— Eu também não sou uma garotinha. Sou velha o suficiente, bem conservado, mas velha mesmo assim. Ela declarou, balançando a cabeça. — Mas não me provoque. Acrescentou.
— Mãe, eu não estava planejando esconder nada da senhora. Na verdade, eu queria pedir a sua ajuda. Declarei sem mais delongas.
— Ajuda? Filho, o que está acontecendo?
— Magnus enlouqueceu, mãe. Declarou Lucian com uma carranca. — Eu não concordei com o que ele vai fazer, mas ninguém pode fazer ele mudar de ideia. Eu olhei para ele com raiva.
Eu quero esse bebê na minha cama, eu quero segurá-la, eu a quero para mim, sujeita à minha vontade. Eu quero subjugar essa raiva dela. Que o seu orgulho beije meus pés.
— Bem, mais louco, acho que ele não pode ficar, mas o que ele inventou agora? Disse mamãe, alternando o olhar entre nos dois.
— Mãe, quero que você fale com o Padre Antonio. Preciso que ele celebre um casamento. Os olhos da minha santa mãe se arregalaram.
— Para quem? Ela perguntou. A sala de jantar estava em silêncio havia muito tempo...
— Mãe, você vem me pedindo netos, um herdeiro, há muito tempo. Bem, vou realizar seu desejo. Ela colocou as duas mãos no rosto, com uma expressão de absoluta surpresa.