Episódio 20

855 Palavras
Eu me senti enjoada. A realidade da minha situação me atingiu em cheio. Este homem, este estranho que exalava poder e perigo por todos os poros, seria meu marido. Ele teria direitos sobre mim, sobre o meu corpo, sobre toda a minha vida. — A menos que prefira que eu cobre a dívida do seu pai imediatamente. Ele acrescentou, com um tom casual e contrastante com o peso das suas palavras. Não era uma ameaça velada. Era uma promessa clara e direta. E eu sabia que ele era capaz de cumpri-la. Levantei o queixo, sentindo-me na defensiva. Cumpro as minhas promessas, Sr. Corleone. Eu disse na linguagem de sinais. Em dois dias, me casarei com o senhor, conforme combinado. Ele resmungou em resposta e rapidamente pegou o celular. Entendi imediatamente. Ele queria que eu escrevesse o que eu tinha acabado de dizer para ele. ‍‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌‌ Ele assentiu, satisfeito ao ler. Então, tirou algo do bolso e estendeu a mão para mim. Quando peguei a pequena caixa de veludo preto que ele me ofereceu, os meus dedos roçaram nos dele, enviando choques elétricos por todo o meu corpo. O que está acontecendo? Por que isso me causa tantas sensações estranhas? — Para minha futura esposa. Disse ele. Não era um presente ou um ato de cortejo. Era uma marca de propriedade. Eu sabia disso. Peguei a caixa com dedos trêmulos e a abri. Dentro havia um anel com um diamante enorme, tão ostentoso que parecia querer gritar ao mundo a quem eu agora pertencia. — Coloque. Ordenou ele gentilmente. Tirei o anel e o coloquei no meu dedo. Era pesado. Não apenas fisicamente, mas com tudo o que representava. A minha sentença. A minha gaiola. Magnus observou com prazer o anel brilhar na minha mão. — Não quero que me chame de senhor. Serei o seu marido, me chame de Magnus. Engoli em seco. O fato de ele estar me dando essa liberdade me intrigou. Assenti. Ele me olhou por longos segundos e então falou: vamos, minha mãe quer te conhecer. Disse ele, e todo o meu ser tremeu. No fim, eu temia a mãe dele, não ele. Caminhei atrás dele. A sua altura me impressionava, a sua presença majestosa. Quando cheguei à sala de estar, todos os olhares se voltaram para mim quando Magnus se afastou, revelando-me atrás dele. Lá estava meu pai, ao seu lado a bela e elegante mulher, e do outro lado, um homem, mais jovem, mas uma cópia exata do meu futuro marido. Isso me fez suar frio. Um pouco mais baixo, alguns centímetros mais alto, com cabelo curto, mas seu rosto era idêntico, incluindo a cor dos olhos. — Mãe, esta é Verena. Ele me apresentou. Ela caminhou na minha frente, olhou para mim, me estudou atentamente e então sorriu. — Você é tão linda, minha filha. Olhe esses olhos, esses lábios. Agora entendo por que meu filho quer você como esposa. Ela disse, e apertei os lábios para não sorrir, mesmo tremendo por dentro. — Mãe! Repreendeu Magnus, e o homem, que, a julgar pela semelhança, era seu irmão, riu baixinho e endireitou-se, recuperando a seriedade. — Vamos comprar o seu vestido. Você vem comigo. Será a noiva mais linda. Ela disse, pegando a minha mão, e por um momento pareceu que eu estava sentindo as mãos da minha mãe. O meu peito se encheu de uma sensação estranha. Olhei para meu pai. Ele me encarou, mas então inclinou a cabeça. — Você acompanhará a minha mãe na escolha do vestido de noiva. Disse Magnus atrás de mim, me arrepiando. Como eu poderia reclamar? Eu pertencia a este homem ontem mesmo. Magnus Droga, como isso pode ser tão complicado? No meu escritório no banco, eu estava tentando fazer aulas de linguagem de sinais online para entender aquela garota. Nem sei por que me dou ao trabalho de tentar entendê-la. Afinal, a última coisa que eu queria era que ela me dissesse alguma coisa. Quanto menos eu entendesse, melhor, era uma vantagem. No entanto, aqui estava eu ​​tentando entender algumas palavras. — O que você está fazendo? De repente, a voz do meu irmão me obrigou a desviar o olhar do computador. Eu não tinha percebido quando ele entrou, mas todos estavam certos: ele era como um fantasma, uma alma perdida que você não sentia chegando, a menos que ele se anunciasse. — O que houve? Perguntei. Ele não disse nada. Virou-se para ficar ao meu lado, olhou para o computador e caiu na gargalhada. — O único sinal que você precisa aprender é dizer 'abra a boca para mim' ou 'abra as pernas'. Disse ele, caindo na gargalhada enquanto se afastava. — Ela é muda, não surdo-muda, idi*ota. Eu disse a ele, e ele riu novamente. — Não importa. Mas a desgraçada é linda. Ele disse, e eu senti um gosto amargo na boca. — Ela será minha esposa. Cuidado com como a chama, Lucian. Declarei, e ele enxugou o sorriso.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR