Eu me senti preso entre o fascínio da sua beleza e o desejo de destruir aquela inocência. Em apagar esse seu sorriso, para que os seus lábios nunca mais sorriam.
As informações de Lucian eram como uma ferramenta para brincar com o seu destino.
— Muda? Olhei para cima e fixei o meu olhar em meu irmão.
— Sim, a desgraçada é muda.
Eu sorri de uma forma ma*liciosa e sinistra.
— Essa é uma boa informação. Sussurrei, acariciando o meu queixo.
— É melhor eu não perguntar o que você está pensando. Declarou o meu irmão. Ele me conhecia muito bem, conhecia os meus pontos fortes e as minhas perversões.
— Você tem um relatório sobre o acidente e a morte da esposa de Vinicius?
Ele assentiu. — A polícia não está investigando nada, Vinicius não apresentou nenhuma queixa. Todos os seus homens morreram naquele dia, apenas a sua filha foi salva.
— O mais fraco sobreviveu, que ironia! Eu sussurrei.
— O que você vai fazer com ela? Ele perguntou, ainda olhando para as fotografias.
— Deixe-nos cuidar dela, eu não vou falhar. Exclamou Lucian.
— Não, eu vou cuidar disso. Vinicius vai me pagar até o último centavo com o que ele tem de mais precioso.
O meu irmão assentiu sem refutar as minhas palavras.
— Obrigado, Lucian. Você pode ir embora. Você fez um excelente trabalho, como sempre. Eu disse, elogiando a habilidade e a inteligência do meu irmão.
— Se não estou aqui para servi-lo, não sei para que mais estou aqui. Ele respondeu e saiu do meu escritório.
Descansei as minhas costas recostando-me na cadeira. Peguei uma das fotos na pasta e a levantei.
— Verena. Sussurrei, observando-a pegar uma borboleta na mão.
— Então você é muda? Eu sorri. O que eu mais queria nas mulheres era que elas só abrissem a boca para me fazer um boq*uete delicioso.
Por fim, fechei a pasta e a coloquei sobre a mesa, sentindo-me pronto para dar o próximo passo no meu plano.
VERENA
Ao me acomodar no banco de trás da caminhonete, o suave murmúrio do motor m*al conseguiu quebrar o pesado silêncio entre meu pai e eu. Ele olhava pela janela, aparentemente perdido em pensamentos, e eu fiz o mesmo, tentando encontrar consolo na paisagem que acompanhava a nossa viagem até o cemitério, com as lágrimas escorrendo incontrolavelmente.
Cada lágrima carregava consigo lembranças da minha mãe: o seu riso, seu abraço, o aroma do seu perfume. A perda pesava sobre os meus ombros, e a ideia de visitá-la onde ela agora descansava era quase insuportável.
Inclinei levemente a cabeça, permitindo que a minha bochecha tocasse o vidro frio da janela.
Finalmente, o veículo parou. Assim que o motorista desligou o motor, respirei fundo, preparando-me para o inevitável encontro com a realidade que me aguardava logo além daquelas portas blindadas.
A porta se abriu e o ar fresco de fora inundou o interior da caminhonete. Um dos guardas abriu a porta, sinalizando que eu podia sair. Reuni coragem suficiente para colocar um pé atrás do outro no chão.
Observei o meu pai avançar silenciosamente e segui os seus passos apressadamente. O caminho era ladeado por árvores altas que pareciam se inclinar protetoramente sobre mim.
Chegamos à lápide da minha mãe e, assim que os meus olhos pousaram no seu nome gravado no mármore frio, todo o controle que eu tentava manter desapareceu. Caí de joelhos diante dela, com lágrimas escorrendo incontrolavelmente.
— Vou deixar você em paz. Vou esperar na caminhonete. Disse o meu pai. Ouvi os seus passos se dissiparem. O silêncio era absoluto, exceto pelo leve sussurro do vento passando pelos galhos, como se o mundo inteiro estivesse prendendo a respiração respeitosamente.
Coloquei a minha mão no mármore gelado, querendo sentir ao menos um vislumbre do calor que costumava emanar dela. Fechei os olhos, deixando as memórias voltarem.
Por que, mãe, por que você me deixou? Mãe! Mamãe! Exclamei, incapaz de conter as minhas lágrimas amargas.
As palavras mesmos não saindo dos meus lábios eram carregadas de dor.
O vento, suave, mas frio, acariciava o meu rosto como uma tentativa de conforto. Diante da lápide, cada lágrima que caía no mármore era um testemunho do inacabado, dos momentos que jamais retornarão.
O tempo pareceu parar enquanto eu permanecia de joelhos diante da lápide da minha mãe. Cada minuto que passava parecia uma eternidade, e o peso da sua ausência tornou-se um fardo quase insuportável de carregar. Não quero ir embora. O simples ato de me levantar e ir embora parecia uma traição à sua memória, um passo para um mundo onde ela não está mais fisicamente presente.
Na quietude do cemitério, me peguei desejando poder voltar no tempo. A ideia de encarar um futuro sem a sua presença tangível me enche de um medo profundo.
Eu teria preferido morrer com ela do que viver com a sua ausência.
De repente, um leve movimento na minha visão periférica me fez virar o rosto para o lado. Ao longe, quase imperceptível, vislumbrei a figura de um homem. A sua silhueta estava imóvel, me observando, ou assim parecia.
A distância dificultava discernir as suas feições, mas a sua presença, embora misteriosa, não me inspirava medo, mas sim uma curiosidade inexplicável.
Virei o rosto novamente para a lápide da minha mãe por uma fração de segundo, depois rapidamente voltei o olhar para o local onde vi a figura.
Para minha surpresa, o homem havia desaparecido. Permaneci em silêncio, me perguntando se ele havia sido real ou fruto da minha mente exausta pela dor. Provavelmente era só isso.