Capítulo 11 – O Preço da Verdade
Marina estava sozinha, mas não era a solidão que a incomodava. Era o vazio profundo que preenchia seu peito, o abismo que a acompanhava a cada passo que dava. Ela havia sido envolvida pela força do mar, arrastada para um lugar onde as leis da realidade não se aplicavam, e, ao emergir desse mergulho profundo, sentiu-se desconectada do mundo. O som do oceano, que antes parecia um chamado constante, agora parecia distante e s***o, como se a própria água tivesse se retirado de dentro dela.
O vento estava calmo, e o céu nublado parecia refletir sua alma. O que aconteceu com ela após ser engolida pela onda? Ela havia sido submersa, perdida nas águas, e agora se encontrava em uma praia estranha, deserta, onde tudo parecia irreal. O mar estava ali, à sua frente, imenso e silencioso, como se estivesse esperando por algo. Mas o que seria esse algo? O que ela deveria fazer agora?
Marina tentou se levantar, mas suas pernas estavam fracas, seu corpo exausto. O peso de suas próprias escolhas parecia carregá-la para o fundo, imerso em suas próprias dúvidas e medos. Mas ela sabia que não podia ficar ali, entregue à inação. Ela tinha que voltar, tinha que entender o que o mar queria dela. Havia algo que ela precisava descobrir.
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Ela caminhou pela praia deserta, seus pés afundando na areia úmida. As ondas batiam suavemente contra a costa, mas não havia vida ao seu redor, apenas o vasto oceano e ela. A solidão era esmagadora, mas a dor que sentia em seu coração era maior. Pensou em Ethan, em como a dor da perda parecia esmagá-la, deixando-a sem forças. Ele havia sido sua luz, sua razão para seguir, e ela o perdeu de uma maneira que parecia impossível de suportar.
Mas agora ele não estava mais lá. A presença de Ethan, que parecia tão vívida e real, havia desaparecido com as ondas, deixando-a sozinha, perdida. Ela se sentou na areia, sentindo o frio do vento contra sua pele e a solidão de sua própria alma. Ela havia feito a escolha. Ela havia desafiado o destino, desafiado o mar. Mas e agora? O que aconteceria com ela?
Era impossível voltar atrás. Ela já sabia disso. O mar não era algo que se pudesse controlar. Ele tomava o que queria e não se importava com as consequências. Ela sabia disso agora. Mas ainda assim, ela não podia aceitar que aquilo fosse o fim. Não depois de tudo o que ela fizera, de tudo o que perdera para chegar até aqui.
“Ethan…” ela sussurrou, o nome dele se tornando uma dor em sua boca. “Eu não posso viver sem você. Eu não posso. Por favor…”
Ela fechou os olhos, e o som do mar, mais uma vez, preencheu seus ouvidos. Mas desta vez, não era apenas o som das ondas. Era algo mais profundo, algo que ela não conseguia compreender totalmente. Uma voz, suave, como o suspiro do vento, soou em sua mente.
“Você está disposta a pagar o preço?”
A voz não era de Ethan, mas era familiar. Era como se o próprio mar estivesse falando com ela, como se estivesse tentando adverti-la. Ela se levantou, sentindo uma pressão no peito. O que isso significava? O preço? O que o mar queria dela?
“Sim,” ela respondeu, sua voz forte apesar da incerteza que sentia em seu interior. “Eu pagarei o preço. Eu farei o que for necessário para trazê-lo de volta.”
As ondas começaram a se agitar mais uma vez, e, antes que ela pudesse reagir, uma figura surgiu à sua frente, emergindo das águas como se fosse uma manifestação do próprio oceano. Era Ethan. Mas não como ela o lembrava. Ele estava diferente. Sua forma era etérea, como se a água o envolvesse, mas seus olhos estavam fixos nela, tão intensos e profundos quanto antes. Marina não sabia o que pensar. Ela sabia que ele não poderia estar ali. Ele já havia partido.
“Marina,” ele disse, sua voz forte e cheia de um peso que ela não conseguia suportar. “Você não entende o que está fazendo.”
Ela deu um passo à frente, seus olhos lacrimejando, seu coração batendo forte no peito. “Eu não me importo. Eu faria qualquer coisa, qualquer coisa para tê-lo de volta. Eu… eu não posso viver sem você, Ethan.”
Ele balançou a cabeça, um gesto de dor, e a água ao seu redor parecia pulsar com um poder crescente. “O que você pede não é algo que o mar possa dar. Você não entende o preço, Marina. O mar toma, mas ele não devolve. Ele exige algo muito mais profundo do que você pode imaginar.”
Ela não podia aceitar isso. Ela não queria ouvir. Tudo o que ela sabia era que não podia perder Ethan novamente. A dor de vê-lo desaparecer era insuportável. Ela o amava, e não importava o preço, ela faria o que fosse necessário.
“Eu não me importo,” ela disse, sua voz tremendo, mas cheia de determinação. “Eu não me importo com o que o mar exige. Eu só quero você de volta. Por favor, Ethan. Diga-me o que eu tenho que fazer.”
Ele olhou para ela com uma tristeza que cortou seu coração. “Marina, você está pedindo algo impossível. Você não sabe o que está oferecendo. O mar não traz de volta o que foi perdido sem exigir algo muito mais caro. O sacrifício é profundo. Ele não se limita a você, mas ao que você é. Você terá que se perder para que eu possa retornar.”
Marina sentiu um choque em seu peito. “O que você quer dizer?” ela perguntou, sua voz falhando. “Eu… eu não entendo.”
Ele respirou fundo, como se fosse uma tentativa de se preparar para dizer o que nunca quisera. “O sacrifício que o mar exige não é apenas físico, Marina. Ele exige a alma. Ele exige que você se perca em si mesma para que eu possa retornar. Você será uma sombra do que foi, uma parte de você será tomada. O que você oferece será o que resta de sua humanidade.”
Marina se sentiu tonta. As palavras dele a desorientaram. O preço era maior do que ela imaginava. Ela estava disposta a fazer qualquer coisa, mas isso… isso era demais. Perder sua própria alma? Sua essência? Ela não sabia se podia pagar esse preço.
Mas o amor que sentia por Ethan era mais forte que o medo. Ela não queria viver sem ele. Não poderia.
“Eu aceito,” ela disse, sua voz firme apesar da incerteza. “Eu aceito o preço. Eu o farei. Eu não posso viver sem você, Ethan.”
Ele a olhou por um momento longo e silencioso, e então a água ao seu redor começou a se agitar ainda mais. A figura de Ethan se distorceu, e sua voz chegou até ela como um último sussurro.
“Você não sabe o que está dizendo, Marina. O mar tomará o que é dele, e ele não devolverá. O que resta de você será apenas uma lembrança do que foi.”
E então, ele desapareceu nas ondas, deixando Marina sozinha novamente. O mar continuava a bater contra a praia, mas agora ela sabia que sua decisão estava tomada. O preço seria alto, mas ela não se importava. Ela faria o que fosse necessário para trazê-lo de volta. Ela havia escolhido o seu destino.
Mas à medida que o vento aumentava e as ondas se agitavam, uma sensação de medo e incerteza começou a se espalhar por seu corpo. O que o mar realmente exigiria dela? Ela estava prestes a descobrir.