— O que diz? — Nataly falou tirando o papel das mãos dele — jogo do beijo — falou lentamente as palavras como se desejasse compreende-las, a gótica bufou claramente tinha algo contra ou estava entediada de mais, como constatou Nataly assim que ela se foi, Ted olhava a amiga absorta no papel — vamos participar?
— vamos pegar herpes bucal! — Ted resmungou baixo sentado com as pernas cruzados no chão de ladrilhos brancos manchas azuis claras na roda do jogo do beijo.
— Veja essa oportunidade para perder o medo de beijar — retrucou
— Eu não tenho medo, apenas nojo de saliva alheia e nunca me apaixonei.
— Você está apaixonado.
— por quem????
A garrafa virou interrompendo o assunto entre eles. Os alunos compostos de varias turmas que Ted nunca ouvira falar estavam ali, e Clair parecia mandar no jogo, nunca tinha visto ela tão... Tão assim, parecia estranho ver a garota CDF com um estilo de roupa um tato estranho, cabelos embaraçados em um r**o de cavalo baixo e óculos fundo de garrafa participando disso parecendo estar no controle. Um garoto e uma garota que Ted lembrava deles como Maria e Victor se aproximavam, eram do primeiro ano a garota era o ícone de Nataly, não a garota em si nunca tinham trocado uma palavra mas os cabelos da garota de coloração rosa com um lado raspado, já o garoto era o namorado de Maria alguns centímetros mais baixos trajando de preto com uma camiseta de banda e uma boina tampando os cabelos. Quando entraram no meio da roda ficando de pé pareciam aliviados por terem sido escolhidos assim — Ted não entedia o motivo de participarem sabia que Victor tinha muito ciúmes da garota — a química era inexplicável entre o jovem casal, seus lábios colaram a mão do garoto encontrou a cintura da moça e a puxou para mais perto de si, aumentando um pouco a intensidade do beijo, todos da roda exclamaram quando finalmente saíram dos braços um do outro sorrindo. Victor puxou a garota pelos braços saindo da porta e Maria andou atrás.
A próxima quem iria virar a garrafa era Clair parecia ansiosa olhando discretamente para Ted sorrindo como uma adolescente, que era, de filme clichê. Rodou a garrafa e todos ficaram em silêncio na expectativa de quem a CDF beijaria, a garrafa girou por segundo mas para Ted duraram horas, anos e até décadas torcia para não ter que ser ele a beijar ela, ou qualquer um na roda. Enfim a garrafa parou dando uma última volta e parando nele.
Os músculos de seu corpo congelaram quando viu Clair com tamanha satisfação estampada no rosto lançar um olhar para ele, viu a expressão triste de Nataly de r**o de olho como se estivesse desanimada por um momento, lembrou do que a amiga disse sobre a garota gostar dele a anos isso o fez sentir m*l. Não queria beijar Clair. Não queria beijar garotas.
— Então.... Vamos? — Clair falou com os olhos brilhando sem esconder agora a aura de paixão que a rodeava.
Ted levantou para acabar com a agonia de ter que beijar a garota e ela ia fazendo o mesmo, viu os olhos ansiosos para o beijo que Clair daria, viu a garota passar a língua nos lábios umedecendo-os.
— vamos logo por favor — pediu ele, a garota sorriu se aproximou.
fechou os olhos o mais forte possível bloqueando todos a sua volta, enfim um lábio o encontrou em um selinho que pareceu durar uma eternidade, quando abriu os olhos não uma garota com olhos verdes, cabelos naturalmente loiros sempre emaranhados estava em sua frente e sim Nataly, arregalou os olhos dando um paço para trás se desvencilhando das mãos da garota que estava em sua cintura, Nataly parecia confusa consigo mesma também mordendo o lábio inferior com os dentes, olhou para as pessoas sentadas em rodas, algum com pernas cruzadas outros ajoelhados ou abraçando a perna contra o corpo não ousaram se quer mover um centímetros, as bocas dos espectadores estavam abertas e os olhos arregalados como os de Ted. Fitou Clair que fechou o rosto, algumas lágrimas escorreram do rosto da menina e ela correu da sala, Ted correu logo atrás pegando o caminho oposto ao que ela escolhera e Nataly seguiu Ted. Antes de sair pode ouvir Sara soltando um palavrão.
corredores estavam praticamente vazios, diferente da animação dos alunos para saírem das salas de aulas existia uma tristeza em voltar para elas. Ted se sentia estranho, não que odiara o beijo — selinho — os lábios de Nataly estavam doces por causa do gloss de morango que passava e seu hálito tinha um cheiro bom, mas era Nataly, era errado fazer isso. Era errado beijar a amiga daquele jeito mesmo que só grudando os lábios por segundos.
Ela era Nataly.
Era sua amiga.
Não devia tê-la beijado.
Mesmo que apenas por alguns segundos.
Não devia ter participado do e******o jogo.
Não queria ter beijado, além de tudo, garotas.
Ted viu a amiga apoiada com as costas na parede da quadra, estava suando de correr tentando procura-la, o sinal tocou mas ignorou isso. Se sentia distante de mais dessas coisas para dar atenção a supérfluos como o sinal da escola.
— Por que fez isso? — Ted falou.
— As pessoas fazem coisas esquisitas, não?— retrucou com a pergunta. Tirou um cigarro do bolso e com um isqueiro verde neon acendeu-o, colocando entre os lábios deu uma fungada e soltou a fumaça pela boca.
— Por que me beijou? — Ted perguntou, queria tirar o cigarro da mão dela e o jogar com força no chão o pisoteando até que ninguém mais o fabricasse.
— Foi só um selinho! — rebateu. Colocou um pé na parede ficando com apenas um no chão.
— Você é minha amiga....
Um nó se formou na garganta de Nataly, sorrio de volta para o Ted com os olhos sem o brilho corriqueiro.
— Clair também é só uma amiga sua, veja.... — deu outra fungada no cigarro e soltou a fumaça cinza fazendo círculos tortos e uma que parecia uma rosquinha, Ted se sentiu em Alice no país das maravilhas, na cena que a lagarta drogada falava com a menina fumando — você não queria beijar ela, e tenha certeza seria muito mais que um selinho — Ted tentou falar algo abrindo a boca mas a garota levantou a mão colocando nos lábios de Ted para que ele ficasse quieto enquanto ela não terminasse de falar — além do mais agora ela sabe que você é inalcançável para ela e deve se contentar em ser uma traça de biblioteca.
— Talvez com Clair teria sido pior....
Não acreditava que poderia ter sido pior. Era Nataly.
Não se importava com a fama dela de v***a, indecisa ou qualquer coisa do gênero — p**a. Não era por isso que estava desse jeito se sentindo m*l mas sim por ela ser uma irmã descolada, radical e segura de si, com um palavreado as vezes, sempre, vulgar.
— Se te incomoda tanto — jogou o cigarro no chão — podemos esquecer isso.
Nataly não ia esquecer.
Ted tampouco.
A garota o encarou dando um sorriso e depois pulando no pescoço dele lhe dando um forte abraço, de fundo a turma de educação física estava andando em uma fila desajeitada guiada por um professor careca, Ethan estava ali, seu cabelo laranja preso, alguns fios, para não cair no olhos, mesmo distraído pode ver Ted e Nataly se abraçando, voltou o olhar para o chão onde costumava mantes sua visão.
Ethan, como Ted era um desastres nos esportes, suas mãos ossudas com calos nos dedos trabalhavam bem, e sua mira era boa se estivesse parado, mas suas pernas eram um desastre, não sabia correr e quando se esquivava da bola ela sempre acabava em alguma parte dolorida de seu corpo, como agora, seu pênis. Caiu no chão assim que a dura bola vermelha atingiu a parte de baixo do seu corpo, os olhos marejaram com lágrimas de dor. Berrou, seu urro de dor chamou atenção de Ted e Nataly que continuavam no mesmo lugar, só que sentados no chão de pedras cinzas conversando sobre algo que mais tarde ambos n lembrariam, tentavam esquecer do ocorrido, mas o cérebro de ambos implicavam que deveriam se recordar, o beijo, ou como chamará Nataly, selinho, passava e passava dezenas, milhares de vezes na mente de ambos.
— c*****o — gritou Ethan em posição fetal na quadra, alguns dos colegas da dupla de queimada se aproximaram, também o professor que agachou para poder ver o menino ruivo melhor. Ted reconhecendo a voz, mesmo que modificada pelo eco correu de encontro a Ethan.
— O que ele tem professor? — Ted indagou ouviu os passos de corrida de Nataly atrás dele.
— Bolada no saco, eu acho — olhou para Ted e Nataly e depois para Ethan — o que vocês está fazendo aqui? Vocês dois não é aula de vocês.... — suspirou — podem levar ele para a enfermaria?, Depois já para a sala de vocês!
Um pouco sem jeito Ted e Nataly levantaram Ethan, uma camada de suor cobria o rosto do garoto, gemia de dor.
— Toma cuidado cabelo de fogo — Nataly falou arfando, mesmo sendo alta Ethan era alguns palmos a mais chutava acima de 1,80, Ted também arfava com o peso de Ethan que estava meio mole.
— Sem graça — constatou Ted colocando Ethan com a ajuda da amiga em um banco no pátio externo da escola.
— não.... Não — Ethan começou pegando o pulso de Ted
— O que foi?
— Sem enfermaria — tomou fôlego — Estou bem.
Ted o encarou, podia ver os vergões mais de perto e a camiseta com marcas de sola de sapato, o olho estava meio vermelho como se alguém tivesse dado um soco ali, o coração de Ted apertou.
— Pode pegar a garrafinha de água no meu armário? — perguntou Ted para Nataly que girava o braço.
Tirou do bolso a chave do armário grande amarelo com partes enferrujadas que alugava dês do primário e entregou a Nataly, ela pegou o olhando com desaprovação.
— Quem te bateu? — indagou Nataly para Ethan antes de pegar a chave de Ted.
— Ninguém.
— Vamos fingir que sua roupa não está cheia de pegadas e que seu olho não está vermelho.
Ethan corou se assemelhando a um tomate maduro.
— Ninguém.....
Nataly pegou a chave da mão de Ted que estava esticada quando começou aquele diálogo.
— Você agora é um do nossos, a dupla de fracassados recrutou um outro — Cantarolou dando saltinhos balançando o cabelo enquanto saia de vista.
O coração de Ted batia forte quando chegou perto de Ethan que ainda gemia de dor com a mão em cima da calça onde focaria o m****o dele, parecia estranho essa aproximação mas ao mesmo tempo deixava Theodore confortável, gostava de estar com Ethan mesmo que o tivesse conhecido nesse mesmo dia e nunca reparado em sua existência em todos os outros, parecia certo ficar ali.
— Gosta de música? — Ted perguntou se surpreendendo com a iniciativa.
— Gosto, escuto New kids and block, e umas bandas ai. — Falou, Ted se esforçou para não rir mas uma gargalhada escapou das suas cordas vocais e passou pela sua boca.
— Quer vim para minha casa, eu e Nataly sempre estudamos na minha casa aos sábados e domingo, se quiser mostro o que é musica de verdade — Ted olhou para Ethan que encarava o chão — As vezes Nataly discorda do meu gosto musical, mas ele é bom. Minha mãe tem uma loja de discos na garagem, e temos uma casa da árvore no jardim eu e Nataly a montamos, agora somos grandes de mais para entrar sem nos abaixar, mas acho que caberia você também.
Pareceu confuso com a proposta, então apenas deu um sorriso.
Nataly dentro da escola procurava a garrafa com água no armário de Ted, nunca tinha mexido ali além de ver o amigo mexer, fotos deles estavam grudadas na parede se lembrava de todas elas, quando foram no parque de diversões, o primeiro quadro que Ted fez, o dia do passei, o dia que estavam tão doidos na maconha que quebraram a caneca de porcelana da mãe do Ted, e tinha uma de quando eram crianças era a melhor lembrança que tinha, estavam numa piscina grande de mais para o garoto, pequena de mais para os dois, Ted tinha acabado de perder os dentes de leite da frente e os dela já tinham caído e nascido outro no lugar era a vez do canino que nasceu muito pontiagudo
— como um dente de vampiro — Nataly falou baixo para si mesma enquanto lembrava daquelas coisas.
O dia na foto era bem bonito, ela vestia um maiô vermelho com bolinhas brancas mas a câmera que era preta e branca não captou isso, uma mulher alta, mais do que Nataly e já não se considerava baixa, estava de trás sentada em um banco de plástico, vestia um vestido que Nataly não recordava a cor, os cabelos tinham cachos morenos e era todo virado para fora, lembrava dela como sendo sua mãe.
Sem se demorar mais pegou a garrafa de água embolada nos casacos exagerados de frio guardado no armário, ainda mais para uma época de calor, e foi correndo. Assim que os viu sentiu um leve desânimo, Ted e Ethan riam absortos em algum assunto, os olhos de Ted brilhavam, como jamais o vira brilhar enquanto conversava com o garoto ruivo que gesticulava com as mãos dando mais ênfase a conversa, Nataly se aproximou escondendo o ciúme que estava sentindo de Ted, estava sendo egoísta, deveria manter a forma como sempre fez.
— Buuuuhh — fez dando um pulo e colocando as mãos em Ted e Ethan que se assustaram um pouco — Aqui, espero que não tenha nojo o Ted baba nas coisas.
Ethan bebeu da garrafa sem qualquer comportamento ou expressão de nojo.
— Vocês.... — olhou de Ted para Nataly — namoram?
— Não, crescemos juntos somos quase irmãos. Beijar ele é como beijar a boca de um m****o sanguíneo, se bem que meu primo quer que eu pague um b*****e pra ele para dizer quem caralhos é o Kronos.
— Nataly!
— Por deus! Estou brincando
Os três caíram na risada. Ethan olhou o relógio já não sentindo mais a dor aguda no seu saco.
— Eu preciso ir — falou assim que voltou a face para os dois — faz 20min que a escola já nos liberou.
Ted e Nataly se levantaram rapidamente, atrasados para o trabalho e Ethan também.
— Ah, Ethan — Nataly falou — sábado vamos estudar na casa do Ted e depois ficar ouvindo música, quer vim?
— Vou sim, só tenho que ver se não vai ter muito trabalho na estação que meu pai trabalha, não é fácil fazer os grandes, e pequenos relógios ficarem funcionando para não atrasar ninguém.
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