NARRADO POR THALES (alguns fantasmas têm nome, outros gritam em silêncio) O som da torneira correndo era só um disfarce. Ela tava me evitando. Tentando processar sem quebrar. E eu também. Mas Yasmin não era do tipo que engole e finge que não arde. — “Tu já falou com a mãe do menino?” — ela soltou, sem olhar pra mim. A pergunta veio seca, mas a intenção não era ferir. Era cutucar onde ainda sangra. E sangrou. Eu fechei os olhos por um segundo. A imagem dela voltou inteira: magra, os olhos cavados de ódio, a blusa ensanguentada grudada no peito e aquele grito... "Você matou meu menino!" — “Não.” — respondi, com a voz engasgada. — “Nunca mais.” Ela desligou a torneira. Virou devagar, se encostou na pia. Me olhou. — “Nunca tentou?” Balancei a cabeça. — “Ela me olhava como se

