Narrado por Yasmin (sem farsa, sem filtro, só a verdade que ninguém quer engolir) --- O relógio marcava 18h47 quando saí do hospital. O céu tava daquele jeito que só São Paulo sabe fazer: cinza engolindo o fim de tarde, ônibus cuspindo fumaça, gente passando por você como se o mundo tivesse em contagem regressiva. Desci as escadas sem olhar pra trás. Sem crachá. Sem farda. Sem nada além da sensação de que tinham arrancado minha função com alicate enferrujado. ** O primeiro ônibus demorou. O segundo veio lotado. Entrei mesmo assim. Peguei o banco da janela. Encostei a testa no vidro sujo e fiquei ali. Quietinha. Mas por dentro, o caos. O hospital que eu defendia com as tripas me cuspiu como se eu fosse problema — e não solução. Tudo porque falei alto demais. Porque enfrentei

