NARRADO POR THALES (o cansaço no corpo, o ego remendado) --- Ela olhou o cronômetro, depois pra mim, ainda estirado no colchonete, ofegando como se tivesse saído de uma guerra — e, de certo modo, tinha mesmo. — “Por hoje chega.” A voz veio mais baixa. Não era alívio. Era limite. O dela. O meu. O do corpo que finalmente entendeu que tava vivo demais pra continuar morto por dentro. Eu só assenti com a cabeça, sem força nem pra resmungar. Ela se ajoelhou ao lado, passou a mão atrás da minha nuca e escorou meu tronco com o outro braço. — “Vem. Devagar.” Fiz força com o que restava dos braços, os músculos reclamando, os ossos parecendo ferro retorcido. E ela ali — firme, precisa, como sempre. — “Segura no meu ombro.” Segurei. Não porque confiei. Mas porque não tinha escolha. Ela me

