Diana
Entrei na consultório e encontrei o divã de coro Preto no meio da sala, a poltrona bege a frente separados apenas por uma mesinha de vidro com uma caderneta em cima, o lugar todo era branco e tinha uma parede inteira de vidro deixando o local mas arejado e iluminado
Andei divagar e me sentei no divã e esperei, meu terapeuta sempre atrasa, era gentil mas as vezes isso irritava
- Diana, chegou cedo - Ele adentrou a porta, usava seus tradicionais óculos de armação, camisa xadrez e calças caqui, ele se aproximou e sentir-se a minha frente
- Ou você chegou atrasado - cruzei as pernas sorrindo pra ele
- deite criança, pelo seu humor, eu tenho certeza que você não está bem
Suspirei e deitei, já estava me consultando com ele a alguns meses, não tínhamos feito nem um progresso. Eu tinha dificuldade em me abrir e ele a aceitar esse fato
- Teve pesadelos essa noite? - ele pegou seu bloquinho e eu suspirei - Vamos Diana, e só responder sim ou não
- Sim - olhei o teto de gesso
- Sobre o que?
- Achei que seria apenas sim ou não - O olhei
- Responda por favor
- O dia em que fui traída por Marcelo, quando ele me entregou a Thomas
- Você nunca falou da primeira vez que foi levada
- Humrum
- Que tal me falar, tudo do começo
- Do começo? Isso aconteceu a tanto tempo
- Fale, talvez você melhore
- ok - Suspirei - Tudo começou quando conheci Marcelo
Fechei os olhos e suspirei contando
Eu nasci em uma cidadezinha do interior, trabalhava em um armazém, la era sempre parado e nunca tinha novidades, todas as pessoas eram as mesmas, quase não tínhamos turistas, era bem chato parando pra pensar
Em uma segunda-feira tive que acordar cedo pois o dono havia se acidentado, então eu abriria tudo limparia e ficaria o resto do dia vendendo os produtos, era de tarde quando ele apareceu, vestia calças pretas camisa preta e uma jaqueta de coro Preto, seus cabelos eram até que bem grande e negros amarrado em um r**o de cavalo pequeno, seus olhos eram cinza quase gélido, ele entrou e me olhou por uns minutos, meu coração parecia uma escola de samba dentro do meu peito, acabei sorrindo também, ele acenou levemente com a cabeça e foi escolher algumas coisas, ele parecia ter uns 18 ou 19 anos. Eu nos meus 15 o via como um Príncipe encantado, lindo sexy e misterioso, tudo o que eu precisava pra fugir daquela minha vidinha chata. Então fingi me apaixonar
Quando ele voltou, ele simplesmente me entregou suas compras, pegou o celular e começou a conversar, ignorando minha presença
Passei todas as suas compras, ele me deu o dinheiro e saio com tudo sem nem dizer um obrigado, suspirei e fiquei o olhando sair em sua moto
Todas as pessoas da cidade sempre agradecia e me desejavam um bom dia, mas não aquele forasteiro, não ele, ele simplesmente virou as costas pra mim, e olha que eu era linda, tinha longos cabelos castanhos escuro quase Preto e lisos, era magra mas a tinha uns peitinhos legais, era alta, eu podia ser até uma modelo.
Passei o dia pensando nele mas ele não apareceu, no outro dia, como numa criação, me arrumei toda, até me maquiei, mas ele não apareceu, nem no outro dia
Já se fazia três dias e nada, achei que ele já não tivesse mas na cidade, que ele tivesse ido embora
Mas no quarto dia, quanto eu tirava minha soneca da tarde, senti algo me tocar, ao abrir os olhos eu o vi, ele tinha um sorriso leve no rosto, me levantei em um pulo o fazendo sorrir mas é me olhar curioso
- Boa tarde, o que deseja? - passei a mão no rosto e olhei em volta pra ver se meu chefe não estava por lá
- Não se preocupe, eu fui o único que vi
- Ai Deus -- Passei a mão no rosto, eu iria ser demitida
- Não vou contar, vai ser o nosso segredinho, ok?
- ok - sorri o olhando quase que sem piscar
- Agora você... - Ele se aproximou um pouco e só olhei pra boca dele
- Eu.... - Me aproximei também
- poderia passar minhas compras? Tenho que voltar pro hotel
- Há desculpe -- comecei a empacotar suas coisas - em que hotel está hospedado?
- O perto da estrada, não é tão bom mas da pro gasto
- Há, o do senhor Silva
- Você conhece? - Ele se encostou no balcão me olhando
- Cidade pequena, conheço praticamente todos
- Olha, eu cheguei a pouco tempo e não conheço nada nem ninguém, você poderia me mostrar a cidade? -- ele me olhou sorrindo -- acho que ficarei aqui algum tempo
- Jura? Quer dizer.. claro eu mostro sim, vai ser legal
- Que tal amanhã?
- claro.. Eu vou esta de folga - Juro que me amaldiçoei por ter gaguejado
- perfeito então, nos encontramos aqui?
- Humrum - preferi só confirmar do que pagar mico falando e gaguejando
- Então até amanhã
Ele se aproximou e beijou minha bochecha, sorriu e saio com suas compras, meu coração virou Mantega ao sol e se derreteu, eu não seguia tirar o sorriso de meu rosto, eu corri pra casa animada pra contar a minha mãe que eu tinha um encontro, logo eu, a garota estranha que ninguém queria ficar perto por ter sonhos estranhos de querer sair da cidade, todos os pais me achavam uma má influência sem saber que eu só queria sair, não tinha planos de ser top modelo como muitas garotas, eu simplesmente queria sair, queria ser livre, a vida que eu vivia não era liberdade, eu me sentia em uma prisão sem grades
Entrei em casa correndo e abracei minha mãe, ela estava dobrando roupas
- O que foi criança? - minha mãe havia me olhando sorrindo e eu sorri com ela
- tenho um encontro, tenho um encontro um encontro - minha felicidade era tanta que eu pulava e tentava a fazer pular comigo também
- Com quem criança? - ela se sentou rindo ja meia tonta
- O garoto novo na cidade, ele me convidou
- Não gosto disso Diana, você m*l o conhece - ela cruzou os braços
- Mas irei conhecer, ele é bom, eu sei
- Diana eu não abandonei a escola pra cuidar de você pra que você fique se esfregando em um garoto desconhecido por aí
- E eu não abandonei a escola que eu tanto amava pra isso, eu abandonei pela senhora, eu abandonei pra lhe ajudar, então eu mereço sim sair com alguém uma vez ou outro, trabalho todos os dias da semana e só tenho um dia de folga que uso pra trabalhar mas pra lhe ajudar; nunca pedi um obrigado, nunca pedi um reconhecimento
- Diana...
- só irei sair com ele, não vou t*****r com ele, só quero conhecer pessoas novas
- ok Diana, vá -- ela suspirou e se virou voltando a dobrar a roupas
Mamãe lavava roupa pra fora, mas isso não ajudava a pagar as contas e tão eu abandonei a escola e comecei a trabalhar também, eu trabalhava no armazém, ajudava ela a laçar as roupas, ajudava na casa e aos fins de semana trabalhava em uma lanchonete aqui perto durante a noite
Suspirei e fui para meu quarto, eu queria tanto sair dessa cidade, não aguentava mas só trabalhar, eu queria viver
Queria ser livre