CAPÍTULO SETE

1238 Palavras
HADES A noite estava mais fria do que de costume quando estacionei saindo do carro e abrindo o porta malas para encontrar um homem assustado como um bebê. O puxei pelo colarinho para fora do meu porta-malas começando a arrasta-lo para dentro sem a menor dificuldade. — Cara me solta! Eu não fiz nada! — Ele se debatia inutilmente. Esse lugar era um galpão abandonado, ou era o que a maioria pensava. Afastado, era perfeito para o meu trabalho, e agora, perfeito para acabar com esse verme. Ele pode gritar o quanto quiser, mas ninguém irá ouvi-lo. — Parece que alguém se meteu onde não deveria, verme. — Minha voz cortava o silêncio, tão fria quanto o vento noturno. Com uma brutalidade controlada, joguei-o em uma cadeira no centro do galpão. O estalo ecoou pelas paredes nuas, mas o som mais alto era o seu coração acelerado. Eu estava além da razão, tomado por um ciúme possessivo que queimava como um inferno interior dentro de mim. Ele tremia como uma folha, uma expressão de pavor estampada em seu rosto. Eu o encarava, os olhos frios como o aço. — Acho que está na hora de uma conversa, meu caro. — Sorri de maneira sádica, saboreando a aflição que refletia em seus olhos. Enquanto o amarrava na cadeira, seus soluços desesperados preenchiam o galpão. Não era compaixão que eu buscava, mas sim uma resposta para a insolência que cometera. Vasculhei seus bolsos, encontrando uma identidade que o identificava como Elliot, e alguns comprimidos soltos. — Elliot, meu novo amigo. — Ironia permeava cada palavra minha, enquanto eu estudava o rosto dele, agora pálido. — C-cara, olha eu não sei quem você é ou porque está fazendo isso, mas se é por dinheiro eu… Meu riso cortou suas palavras seguido de um gancho de direita no seu rosto que quase o derrubou da cadeira, um som que reverberava nas paredes nuas. Ele cuspiu sangue no chão. — Veja, Elliot, há coisas na vida que não se tocam. E Lizzy... ela é uma delas. — Lizzy? A ruiva da boate? O medo transformou Elliot em uma versão patética de si mesmo. Sentindo o cheiro do medo, um sorriso c***l se formou nos meus lábios. A luz fria do galpão destacava os contornos da crueldade que se desenhava naquela noite chuvosa. Elliot permanecia amarrado à cadeira, uma marionete nas mãos do meu descontentamento. Meu olhar cortante fixou-se nele enquanto me aproximava, o eco dos meus passos misturando-se ao som da chuva lá fora. — Sabe, Elliot, eu sou um homem ocupado, e você me fez perder tempo. — Minha voz era uma lâmina afiada, cortando o silêncio tenso. Meus punhos cerraram-se. A chuva martelava o teto do galpão, como se a própria natureza lamentasse pelo que estava prestes a acontecer. — Eu... eu não sabia... ela... — Não sabia? — Interrompi-o com um riso cínico. — Você achou o que? Que iria abusar dela e sair impune? Além de ter a audácia de tocar ela ainda estava querendo drogar a minha mulher, Elliot. — Cada palavra era pontuada com uma ferocidade crescente. O primeiro golpe aterrou com força, um estampido seco ecoando no galpão. Elliot gemeu, o som abafado pela intensidade da chuva lá fora. Cada soco que eu desferia era uma descarga de fúria contida, uma resposta brutal ao ultraje que ele tentara cometer. — Vamos lá, Elliot. Diga o que você estava planejando fazer com Lizzy. — Eu o provocava, cada pergunta uma provocação c***l. Ele cuspiu sangue, os olhos inchados e desesperados. — Eu... eu não queria... ela... — Não queria? — Repeti, meu riso sarcástico cortando a negação dele. — Seu arrependimento não vai salvar você. Fale, ou a noite vai ficar ainda mais longa. Com um suspiro trêmulo, Elliot começou a relatar seus planos repugnantes. — Eu não sabia que ela namorava. — Ele chorava e babava sangue. A confissão de Elliot era uma tapeçaria grotesca de seus próprios erros. Eu o forçava a enfrentar a verdade crua do que ele tentara fazer. A chuva lá fora intensificava-se, como se até a natureza condenasse suas ações. — Lizzy... ela é minha. A última parte do julgamento estava prestes a começar. Fui até a mesa pegando um celular pré pago e a minha arma, uma extensão do meu poder, uma ferramenta que garantiria que a justiça fosse feita. Mantendo a frieza que me caracterizava, apontei para Elliot ambos. — Sorria para a câmera e fale querida. Conte o que iria fazer com ela. Implore pelo perdão da minha mulher seu verme! — Desculpa. Eu sou um merda. Ia colocar droga na sua bebida pra eu e meu amigo transarmos com você. — Adeus Elliot. — Gesticulei sem deixar que um só som deixasse meus lábios. — NÃO! NÃO! POR FAV… O disparo rasgou o silêncio do galpão, uma explosão que simbolizava o fim da linha para aquele que ousara desafiar minha posse. A cabeça de Elliot se inclinou para trás, uma mancha vermelha se formando em sua testa quando parei a gravação. Meu peito subia e descia ofegante, minha mão direita manchada com o sangue dele por cada golpe que dei. Colocando o celular e a arma sobre a mesa retornei ao meu carro, o som da chuva batendo no metal adicionando uma trilha sonora sombria à noite. Abri a porta do banco do carona e retirei um pacote cuidadosamente preparado: uma caixa preta e uma fita de cetim cinza. A chuva pingava da minha camisa se enquanto eu retornava ao galpão. Elliot permanecia lá, uma sombra pálida da ameaça que representara. — Vamos adicionar um toque final a esta noite, Elliot. — Minha voz era um sussurro frio, um prelúdio para a cerimônia sombria que se seguiria. Coloquei a caixa preta na mesa ao lado dos meus instrumentos, como um altar. Abri-a lentamente, revelando o interior forrado com veludo escuro. Uma atmosfera solene preenchia o galpão, misturando-se à tensão que pairava no ar. Peguei um cutelo caminhando lentamente ao corpo sem vida a poucos metros de mim me ajoelhando ao seu lado. Ergui o cutelo e encarei Elliot, seus olhos vazios refletindo o temor que há pouco dançava neles. Sem uma palavra, levei o cutelo à altura do pescoço dele, a lâmina afiada cortando a carne com uma eficiência brutal. A cabeça de Elliot rolou para fora o sangue espirrou em mim logo formando uma poça no chão, uma visão grotesca da punição que recaíra sobre ele. Peguei a cabeça, segurando-a como um troféu macabro. Uma mistura de alívio e triunfo pulsava em minhas veias, uma execução que ecoava nas sombras daquele galpão. Coloquei a cabeça de Elliot dentro da caixa preta, cuidadosamente alinhada com o veludo escuro. — Seja a lembrança de que mexer com o que é meu tem um preço, Elliot. — Minha voz carregava o peso da justiça que eu mesmo impusera. Voltei minha atenção ao celular que usara para gravar a confissão. Com um toque final, coloquei o dispositivo na boca de Elliot,. — Espero que Lizzy goste do meu singelo presente. Fechei a caixa com cuidado, a fita de cetim cinza contrastando com o vermelho escuro que manchava minhas mãos e roupas. Com a caixa nas mãos, saí do galpão, a chuva lavando as evidências da noite sangrenta. O som da tempestade encobria meus passos enquanto eu me afastava. Já estava na hora de Lizzy saber um pouco sobre mim.
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