A noite passou rápido e com ela a manhã logo chegou. Eduarda acorda animada, finalmente colocaria o verdadeiro culpado na cadeia pelas atrocidades cometidas com aquela jovem a quem, pretendia ajudar com estudos e que ela possa ter uma vida nova ao lado da mãe, onde quer que elas fossem.
Ela corre para o banheiro, faz a sua higiene matinal e ao sair do mesmo, passa pelo seu closet escolhendo um dos seus conjuntos de calça e terninho social preto e uma camiseta de seda branca. Escolheu um scarpin de salto mediano da mesma cor do seu conjunto.
Prendeu o seu cabelo em um coque e uma maquiagem bem leve. Pegou a sua bolsa estilo maleta e seguiu para a cozinha afim de preparar o café da manhã. Ela achou melhor não acordar Estefane por enquanto, já que ainda era muito cedo para saírem.
Mesmo que ela não a chamasse, ela já estava de pé preparando o café da manhã para elas. O que surpreendeu e muito, pois, achava que a mesma nem pudesse estar ali por medo de não ajuda-la.
- Bom dia Doutora! – Estefane a cumprimenta levando à mesa a jarra de suco.
Sentando-se a mesa, Eduarda sorri e a responde com um sorriso.
- Bom dia Estefane! Por favor, me chame quando estivermos assim de Eduarda ou Duda.
Acenando em negação, Estefane trata logo de não aceitar esse tipo de cordialidade, já que ela a está defendendo do homem que era para estar lhe protegendo e lhe amparando, mas que ao invés disso, ele fazia tais monstruosidades e que agora, pagará por todo o m*l e finalmente ela e a sua mãe poderão respirar aliviadas por se verem livres dele.
- Não doutora. Eu prefiro assim, para não cometer gafe.
Eduarda dá de ombros sorrindo, afinal, é tudo como ela preferir para se sentir confortável. As duas conversaram sobre várias coisas e uma delas, foi o repasse de tudo o que seria dito no seu depoimento perante o delegado e que poderia vir a prejudica-la, já que a mesma prestou falso testemunho, mas que poderá ser revertido pelas ameaças sofridas pelo próprio pai.
Assim que terminam o café e Eduarda coloca todos os utensílios sujos na lava-louça, ela vira-se para Estefane satisfeita e batendo uma mão na outra de “tudo pronto”, ela sorri para a jovem e as duas seguem para a porta, seguindo rumo a garagem, onde saíram rumo a delegacia.
No mesmo momento em que chegaram na frente da delegacia, Eduarda notou uma certa apreensão e nervosismo de Estefane. Ela segura nas mãos da menina que estavam geladas e a aperta transmitindo um certo conforto e incentivo para ela não desistir.
A garota que estava olhando compenetrada para a delegacia, olha de relance para Eduarda e acena em afirmação. As duas saem do carro e ao chegarem no balcão da recepção o mesmo policial que as atenderam na noite anterior ainda estava ali. Ele arqueia a sobrancelha e faz uma cara de poucos amigos.
Eduarda não se intimida com o seu comportamento.
- Bom dia senhor! Gostaríamos de falar com o delegado.
Eduarda fala de forma audível e séria. O policial apenas a olha de lado e com um sorriso zombeteiro, nem se dá ao trabalho de responde-la olhando-a nos olhos. Ele volta a preencher os papeis e dispara.
- Aqui não é a casa da mãe Joana para vir sempre que quiser.
Eduarda suspirando profundamente, sabia bem que tipos como aqueles não respeitavam uma mulher. Achavam com os seus pensamentos arcaicos, que mulher deve esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque de roupas. Só que as mulheres podem estar onde quiserem e serem o que tiverem vontade. Ela respondeu-o à altura.
- Bom, caso o senhor não saiba, eu sou uma advogada e não tenho a perder. Mas caso não queira mesmo me atender ou passar para o delegado que eu preciso falar com ele, posso agilizar algo.
Ele a olha surpreso e com o olhar em expectativa achando que ela é mais uma advogada de porta de cadeia, já que o mesmo não se deu conta de que ela é a renomada advogada Eduarda Medeiros, ela dispara com um tom frio e muito sombrio, não deixando o seu sorriso escapar dos seus lábios.
- E o que seria? – O seu olhar malicioso condena o que realmente ele busca diante disso tudo.
- Posso lhe processar por obstrução da lei e também por abuso de poder. Ah, não posso deixar de mencionar que o preconceito e discriminação também é evidente nas suas palavras.
- Quem a senhora pensa que é para me ameaçar assim? – O policial já fica irritado.
Atraindo a atenção dos demais, uma policial muito simpática se aproxima delas sabendo bem quem aquele policial é e pode ser um tanto intragável pelo seu humor e machismo ao extremo.
Sorrindo, ela cumprimenta as duas sem ao menos olhar em direção àquele homem.
- Pois não. Posso ajuda-las em algo?
Eduardo virando-se para a policial, a responde com educação e cortesia.
- Claro que sim. Eu gostaria de falar com o delegado, mas parece que o seu colega não quer colaborar.
Suspirando, ela assente.
- Entendo. A quem devo anunciar?
Retirando o cartão do bolso do seu terninho, ela entrega a policial que engole em seco forçando um sorriso e abre espaço para as mesmas.
- Claro doutora Medeiros, me acompanhem.
Eduarda, de cabeça erguida segue com a sua cliente na frente sem ao menos olhar para o policial que está espumando de raiva.
Já a policial o olha com um ar de deboche que finalmente aquele temperamento dele, deve valer de alguma coisa. Ele terá algo que merece.
Ela gesticula para ele com o dedo indicador passando pelo pescoço como se ele fosse perder a cabeça com uma faca o degolando. Ele bufa revirando os olhos.
A policial as acompanha e avisa ao delegado de plantão, senhor Gusmão quem estava esperando para ser atendida. Sabendo de quem se tratava, ele se animou, por saber que era a melhor advogada do Rio de Janeiro, quiçá do país.
- Doutora Medeiros que prazer. Entrem e sentem-se por favor.
Eduarda junto com Estefane sentaram-se nas cadeiras frente a ele e relataram tudo o que precisavam. Gentilmente, Gusmão foi muito solicito e providenciou resolver tudo o mais rápido possível. O que Eduarda ainda não sabia, é que o habeas corpus do seu cliente havia sido expedido e autorizado diante das provas que já haviam sido apresentadas por ela nos dias anteriores.
Uma mensagem da sua secretária fora recebida no momento em que a sua cliente prestava um novo depoimento e com isso, ela checou imediatamente e abriu a caixa do se e-mail, revelando o documento assinado e expedido pelo juiz.
Solicitando do próprio delegado que ele lhe “emprestasse” a impressora, ela imprimiu o documento e apresentou ao mesmo que franziu o sobrolho sabendo de quem se tratava.
Mas, como eles ainda não haviam pego Henrique em flagrante por ser chefe do tráfico e de uma das maiores facções do Rio, eles não podiam contestar aquele documento e mantê-lo preso.
- Vou fazer uma ligação para o presídio e enviar por fax a autorização do juiz.
- Claro delegado, fique a vontade.
Assim que ele fez as ligações devidas, ele avisou a Eduarda que dentro de uma hora poderia pegar o seu cliente no presídio. Ela apenas acenou em afirmação e já que tudo estava esclarecido, ela e Estefane já não tinham mais o que fazer ali.
Mas, Eduarda ainda tinha algo pendente. Pediu a sua cliente que a esperasse do lado de fora da sala, enquanto ela conversava com o delegado.
Relatou tudo o que tem havido desde que apareceu naquela delegacia e o mesmo mostrou um certo desagrado por saber que um dos seus melhores policiais do distrito, estava agindo de forma imprudente e preconceituosa.
Assim que ela saiu, passou com a sua cliente apenas cumprimentando a policial que as atendeu muito bem, nem se dando o trabalho de olhar o Policial Rodrigues. Imediatamente, o delegado, assim que as duas saíram, aparece na recepção com a cara de não muito bons amigos e Chama de forma ríspida o policial.
- Policial Rodrigues, na minha sala agora!
Rodrigues engole em seco e segue ressabiado pelo que aquela mulher lhe falou. Ao entrar na sala do delegado, o ar estava gélido. Um frio pela espinha percorreu pelo corpo de Rodrigues.
- Senhor.
- Feche a porta e sente. A conversa será longa.
- Sim, senhor.
Enquanto isso, Eduarda segue até o hospital em que a mãe de Estefane está internada e a deixa para ficar com ela. De lá, ela segue para o presídio. Finalmente, o seu cliente está solto, graças a sua cliente que teve a coragem em denunciar os abusos e agressões do próprio pai.
Ao chegar na porta do presídio, ela encontra com Vinícius e mais alguns homens esperando por ela. Eduarda, nem se surpreende por eles estarem ali, já que os mesmos conseguem descobrir as coisas que precisam.
Ela sorri e acena para ele. O mesmo acena de cabeça para ela sério. A jovem advogada segue até a sala do diretor que já a aguardava com a cópia enviada pelo delegado por fax.
- Doutora Medeiros. Espero que saiba o que está fazendo? – Seu tom era de desdém.
Ignorando o tom desdenhoso daquele homem, ela retruca com o seu tom imponente.
- Sim, estou lidando com a justiça. Nisso, ele não cometeu crime algum.
- Mas a senhorita sabe bem que ele nem deveria sair daqui.
- Bem, o meu cliente está liberado? – Eduarda desconversa.
O diretor assente e entrega uma via para que a mesma assine e feito isso, Henrique Fontes está liberado.
Os dois se despedem e Eduarda segue até a frente do presídio e comunica a Vinícius que ele estava liberado.
Não demora muito e os portões se abrem com Henrique sendo liberado. O mesmo, estava com um sorriso largo no rosto, mas não era somente pela liberdade, mas por estar vendo aquela bela mulher caminhando até ele para se despedirem.
- Senhor Fontes. – Ela estende a mão para ele.
Ele sorri e olha para a sua mão e depois para ela. Os dois apertam as mãos e uma corrente elétrica percorre entre eles. Ali, era a confirmação de que eles estavam destinados um ao outro.
- Muito obrigado, doutora.
- Só fiz o meu trabalho. Bem, agora preciso ir.
- Até mais doutora.
O seu sorriso continuava ali, enfeitiçando aquela mulher que apenas virou-se após acenar em afirmação e seguir para o seu carro. Estava ofega com o seu coração disparado.
Ele abraçou os amigos e seguiram para o morro. Hoje, teriam uma enorme comemoração, o chefe Alemão Dark estava de volta.