Capítulo 2: Se não quiser, eu vou embora.

1053 Palavras
Ainda um pouco chocado com a revelação, Henrique não conseguia emitir nenhuma palavra. Eduarda já estava ficando impaciente achando que ele fosse um m*l-educado. - Você sabe falar? – Ela o pergunta antes de cometer alguma gafe. O seu olhar que antes era de puro transe, ele a olha com uma certa raiva. Nunca em toda a vida dele, ouviu alguém falar com ele assim. - Sei, já que acabei de perguntar quem você era. - Está certo. Mas não pareci até pouco tempo, mas agora não vem ao caso. - Quem pediu para que você viesse? Eduarda olha o papel em que ela tinha anotado o nome e falou logo após ler. - Vinícius p***o. Como ele acha que você não saberá de quem se trata, ele disse que era para falar que é o trator. Acho que agora sabe bem quem é. Ele sorri e sabe que o seu braço direito lhe trouxe a melhor, mas não sabia ao certo se teria forças o suficiente para ter o controle em não provocar ou não beijar a baixinha astuta na sua frente. - Sim, eu sei. Mas e aí dona, vai poder me ajudar? - Olha, vou ser bem franca com você, a garota de nome Estefane Alves alega que você a estuprou e que ainda tentou mata-la. O seu caso é bem complicado, ainda mais que você não tem um álibi para o dia e hora em que aconteceu tudo com ela. - Álibi eu tenho. - Então fale logo de uma vez, para que possamos traçar melhor os planos para resolução do seu caso. Henrique estala a língua olhando para Eduarda que aguarda ansiosamente que ele lhe diga qual é o seu álibi de fato. Mas o silêncio é a sua resposta. Como ele não diz nada, ela levanta-se da cadeira organizando tudo. Henrique se desespera e os seus olhos se movimentam rapidamente vendo todos os movimentos que ela dá. - O que tá fazendo? - Organizando as minhas coisas para ir embora não tá vendo?! – Eduarda fala ríspida. - Eu tô vendo, já que não sou cego! Mas porque vai embora, não vai me defender? Eduarda sorri sarcasticamente e o encara. Aqueles olhos cor de mel ao se encontrar com aquelas duas jabuticabas, faz com que se percam por alguns segundos nos olhares um do outro. Lembrando que ele é um possível cliente, ela se recompõe e fala calmamente. - Você é um caso perdido. Se não quer me contar qual o seu álibi realmente, não tenho como ajudar a sair dessa enrascada. Senhor Henrique, se não quer que eu o ajude, eu vou embora! - Por favor dona, se o trator mandou a senhora aqui, é porque é mesmo boa, mas se eu falar o meu álibi, aí sim, que eu vou morfar aqui nessa cadeia e os meus precisam de mim lá fora. Abrindo a porta da sala especial, o carcereiro avisa. - Doutora Medeiros, o tempo com o seu cliente acabou. Olhando para o carcereiro e depois para Henrique ela suspira. A sua razão diz para recusar, mas algo em seu coração lhe diz para não deixar aquele homem preso. Ela olha de volta para o carcereiro e faz um pedido. - Senhor, me dê apenas um minuo com ele e já o chamo, ok? O carcereiro relutante, acaba cedendo a Eduarda. - Tudo bem. Um minuto doutora. Ela sorri e quando ela faz isso, Henrique fica hipnotizado. É o sorriso mais lindo que ele já viu na vida. Ele sentiu o seu coração descompassar. Assim que o carcereiro os deixando para mais um minuto sozinhos, ela fica novamente séria e encara Henrique. - Bem, já que algo me diz que eu vou me arrepender, voltarei novamente aqui. E acho bom me contar toda a verdade se quiser sair daqui e que eu o ajude. Fui clara? Com um sorriso bobo, ele assente. - Sim, dona. Ela pega a sua pasta e caminha até a porta. Ela bate para avisar ao carcereiro que já estava de saída. Assim que ela sai, ele murmura consigo mesmo. - Mais além de linda é uma baixinha astuta e abusada mesmo hein. Não demora muito, Henrique é levado para a sua cela, enquanto Eduarda segue para o seu carro e lá ao entrar e sentar frente ao volante, ela solta todo o ar que parecia estar preso em seu peito. Assim que ela se recompõe, Eduarda segue para o seu escritório. Júlio que é um colega de profissão e apaixonado por ela, a esperava para saber se eles teriam mais um caso no escritório ou não. Assim que as portas do elevador se abrem, Eduarda caminha até o balcão da recepção e pega as correspondências e confere cada uma. - Oi Duda, e então, como foi lá? - Tudo tranquilo. Alguma novidade no processo de injúria racial daquela socialite contra a nossa cliente? - Não. Ainda estou buscando algumas pessoas que insistem em não querer testemunhar. Mas já estou buscando as imagens das câmeras de segurança. - Perfeito! E o meu pai ligou? - Ligou. Disse que estará a esperando para jantar em casa. - Tudo bem. – Eduarda olha para Júlio e sorri. Caminha até a sua sala e coloca a sua maleta sobre a estante. Retira o seu blazer e coloca em volta da sua cadeira. Ela senta-se e apoiando os cotovelos sobre a mesa, ela massageia a sua testa. A sua dor de cabeça que sempre teve, está sentindo aquela dor que fazia tempo que não sentia vindo com força total. - O que foi Duda, tudo bem? - Vou ficar. Tem mais alguma coisa Júlio? - Não. - Então vou fazer uma ligação e depois vou para casa. Se quiser pode ir embora meu amigo. Ele sorri fraco. Achava que ela o chamaria para jantar junto com o pai dela, para aproveitar e a pedir em namoro, mas não será dessa vez. - Está bem. Assim que ele sai, Eduarda se pega pensando em Henrique. - O que será que ele fez de tão errado para não dizer que álibi ele tem. Quer saber, vou para casa. Ela levanta-se, pega as suas coisas e segue para o seu apartamento e de lá se arrumaria para ir jantar com o seu pai na sua casa. Continua...
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