CAPÍTULO 4

1109 Palavras
Annabella estava encurralada contra o tronco áspero do carvalho. O contraste era paralisante: as costas dela sentiam o gelo da árvore e da noite, enquanto a frente de seu corpo era atingida pelo calor vulcânico que emanava de Dylan. Dylan não recuou. Ele apoiou uma das mãos no tronco, logo acima da cabeça de Annabella, fechando qualquer rota de fuga. O cheiro dele — uma mistura de chuva, pinheiro e algo profundamente animal — inundou os sentidos dela. — Luke Foster... — Dylan pronunciou o nome com um desprezo que quase podia ser tocado. — Ele gosta de apontar o dedo para a fera, enquanto se esconde atrás de paredes de mármore. — Ele disse que você é perigoso, que eu tenho que ficar longe de você Dylan — Annabella sussurrou, a voz trêmula não de medo, mas de uma eletricidade que nunca sentira antes. — E ele está certo. Eu sou. — Dylan inclinou o rosto, a mandíbula tensa. Seus olhos pareciam captar a pouca luz da lua, brilhando com um âmbar selvagem. — Eu não finjo ser civilizado quando o sangue ferve, Annabella. Eu não uso palavras bonitas para esconder o que o meu instinto manda fazer. Ele aproximou o rosto do pescoço dela, inspirando profundamente. Annabella sentiu um arrepio percorrer cada centímetro de sua coluna. — A diferença entre eu e o "perfeito" Luke — ele continuou, a voz agora um rosnado baixo perto do ouvido dela — é que eu mostro os meus dentes antes de morder. Ele prefere que você nem sinta a dor. Dylan se afastou abruptamente, como se estivesse lutando contra um impulso interno. Ele olhou para cima, para a lua que parecia maior e mais pálida do que o normal. O céu estava mudando; uma tonalidade estranha começava a tingir as bordas do satélite. — Vá para casa, Annabella Willis Agora. — O tom dele era de comando, mas havia uma nota de urgência genuína. — A lua está mudando. O eclipse está chegando, e você não vai querer estar na floresta quando a sombra tocar o rosto dela. Antes que ela pudesse perguntar o que aquilo significava, ele deu um passo para trás e, com uma agilidade que desafiava a visão humana, desapareceu na escuridão densa, deixando Annabella sozinha com o som do próprio coração batendo como um tambor. Annabella entra pela porta dos fundos, tentando normalizar a respiração. O contraste entre o que ela acabou de viver na trilha e a iluminação amarela da cozinha é quase violento. Thomas estava de pé junto à cafeteira, ainda com o uniforme de Xerife, mas com o colarinho aberto. Ele olhou para Annabella assim que ela entrou. — Você está com cheiro de mato, Bella. E suas botas estão cobertas de lama — ele observou, com o instinto de investigador aguçado. — Eu... eu só fui pegar um pouco de ar fresco. É difícil dormir com o silêncio desta cidade — ela mentiu, sentindo o calor de Dylan ainda vibrando em sua pele. Thomas suspirou e entregou a ela um envelope de papel texturizado, pesado e caro. O brasão dos Foster estava gravado em relevo no lacre de cera escura. — Recebi isso hoje à tarde no escritório. Um convite de Aiden e Harper Foster. Eles querem oferecer um jantar de boas-vindas para a nossa família na sexta-feira. — Thomas parecia dividido. — Como Xerife, eu deveria recusar caprichos de civis, mas eles são os pilares desta cidade. Não podemos dizer não. O dia amanhece com aquela neblina característica, mas Annabella já se sente mais "da casa". Ela chega à faculdade e encontra seu grupo de apoio. Annabella estacionou o carro e, antes mesmo de desligar o motor, viu Evelyn, Leo e Scarlett encostados no muro de pedra da entrada. Eles acenaram com entusiasmo. — Bom dia, sobrevivente! — exclamou Evelyn, entregando um copo de café térmico para Annabella. — Parece que a floresta não te engoliu ontem à noite. — Quase — brincou Annabella, sentindo o peso do segredo sobre o encontro com Dylan na mochila. Enquanto caminhavam para a sala de Direito, Scarlett, sempre observadora, notou a expressão distraída de Annabella. — Você está aérea, Bella. Aconteceu algo? — Meu pai recebeu um convite ontem — contou Annabella, baixando o tom de voz. — Um jantar formal na casa dos Foster, nesta sexta-feira. Meus pais estão nervosos, e eu... bom, eu não sei o que esperar. Leo parou de digitar no celular por um segundo, surpreso. — O jantar anual de "boas-vindas" dos Foster? — ele assobiou. — Isso é um evento e tanto. Geralmente eles só convidam quem realmente importa para o controle da cidade. Seu pai deve estar fazendo barulho como Xerife. No momento em que entram no prédio, Annabella vê o grupo de elite. Luke está encostado na mesma pilastra de mármore. Annabella respirou fundo e se aproximou de Luke enquanto seus amigos seguiam para a sala, lançando olhares curiosos para trás. — Luke — ela o chamou. Ele se virou lentamente. Os olhos castanhos dele pareceram suavizar ao vê-la, mas a frieza habitual ainda estava lá. — Annabella. Você parece ter descansado... apesar dos avisos que ignorou ontem. — Meu pai recebeu o convite para o jantar na sua casa — ela disse, ignorando a provocação sobre a trilha. — Sexta-feira. Luke deu um meio-sorriso, algo que não chegava aos olhos, mas que era hipnotizante. — Eu sei. Eu mesmo ajudei minha mãe, Harper, a selecionar os nomes. — Ele deu um passo à frente, baixando a voz para que apenas ela ouvisse. — Considere isso uma oportunidade, Annabella. Na sexta-feira, você verá como a verdadeira ordem é mantida em Silver Falls. Será um prazer recebê-la no meu mundo... longe da lama e do perigo da floresta. O dia na faculdade foi arrastado. Annabella sentia os olhos de Luke seguindo-a em cada corredor, e o convite de veludo na sua bolsa parecia pesar uma tonelada. Ao voltar para casa, no fim da tarde, ela sentiu um impulso incontrolável de voltar à trilha. Annabella não precisou ir longe. Perto do carvalho onde se encontraram na noite anterior, Dylan estava sentado em uma pedra, com os cotovelos nos joelhos. Ele não parecia o predador dominante de antes; seus ombros estavam caídos e ele olhava para as próprias mãos como se estivesse carregando o mundo nelas. — Você veio — ele disse, sem se virar. O tom de voz dele era suave, quase cansado. — Eu não deveria — Annabella respondeu, aproximando-se devagar. — Amanhã eu vou à casa dos Foster. É um jantar oficial com o meu pai.
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