Scarlett
Estou passando gelo na bochecha do Lui, pois Asura deu um soco certeiro em seu rosto, Mia conseguiu resolver a situação, inclusive me defendeu, não imaginei que iria ficar no meu lado nessa situação, pois é o irmão mais novo dela.
—acho que até amanhã seu rosto está completamente normal e sem nenhuma marca de briga.— falo calmamente.
Lui —vai me pedir para não contar sobre o Asura para o seu pai né? Por que ele veio do nada atrás de você?— parece confuso e sem entender a situação.
—eu te conto tudo se prometer calar a boca sobre esse assunto, não quero envolver meu pai nisso e piorar a situação.— falo pegando um cubo de gelo e colocando na boca, o olhar dele não sai dos meus lábios.
Lui —tudo bem, pelo que parece tudo que ele queria era me bater, estão namorando pois isso é bem a reação de um cara vendo sua namorada com outro.— é isso que não está saindo da minha cabeça, qual o problema dele? Não nos conhecemos, nem conversamos direito, somos amigos de infância talvez, mas ainda assim, não tem o direito de estar se intrometendo na minha vida assim, foi na balada e agora na casa da minha mãe.
—eu não sei qual é o problema dele, o vi na balada na hora de sair, ele me mandou para casa quando ia ir com as minhas amigas para outro bar onde os pilares frequentam e.....
Lui —ainda bem! Nem todos os pilares são bons, a maioria gosta de menores de idade, de assediar entre outras coisas piores.— só respiro fundo.
—depois que fiquei sóbria vi a merda que ia fazer, mas agora Asura não tem desculpas, sou mais velha que você e se decidi sentar no seu colo e te beijar foi por minha própria conta.— falo e vejo o rosto dele avermelhar um pouco, será que está com vergonha?
Lui —vamos esquecer tudo isso que aconteceu hoje, seu pai vai perder completamente a confiança em mim se descobrir.— eu entendo o lado dele, meu pai foi a única pessoa que o aceitou e o criou, ele era apenas um órfão sem família, o pai não o quis e a mãe o abandonou, entendo o motivo para não gostar dos pilares, pois o pai dele é um deles.
—tudo bem.— falo me levantando.
Lui —eu sei que é meio tarde para dizer, mas.... Eu não concordo com a forma que seu pai trata você, não é uma criança e isso é visível.— diz virando o rosto.
—por que não me encara?— pergunto sem entender a insistência dele para não encarar meus olhos verdes.
Lui —seu pai me disse para não te olhar nos olhos, raposas conseguem seduzir pelo olhar, não acho que precise usar esse tipo te poder para conseguir o que quer, já tem completa influência sobre mim mesmo.— ele parece culpado, talvez por estar desejando a filha do homem que o acolheu.
Contínuo a passar gelo no rosto dele em silêncio, gosto desse clima pacífico entre a gente, a noite e a lua só melhoram isso.
Dagon —por que seu rosto está vermelho Lui?— só tomamos um susto ao ouvir a voz dele atrás da gente.
—eu fiquei com raiva e acabei dando um soco nele, mas estou passando gelo como um pedido de desculpas.— falo sem pensar muito e ele fica olhando a minha cara.
Dagon —você fez isso?— pergunta desconfiado.
—quer que eu bata em você para ver minha força já que me subestima tanto?— pergunto séria e ele parece aceitar.
Dagon —qual o motivo que levou você a bater no seu protetor?— pergunta agora querendo me punir.
—é que.....
Mia —ele não deixou a Scarlett beber champanhe comigo, estou cada vez mais brava contigo, não deixa nossa filha beber na minha casa, mandou o Lui seguir ela até aqui, não confia em mim mesmo.— diz entrando no assunto fazendo cara de decepção, ela é uma boa atriz.
Dagon —pirralha.... Me desculpa, não é isso, eu confio em você.— meu pai fica tão desestabilizado perto dela, parece inseguro.
Mia —não confia e eu estou cansada disso tudo— diz entrando em seu castelo fazendo meu pai seguir ela, agora estamos novamente sozinhos, preciso agradecer ela, pois meu pai iria ficar interrogando sem parar a gente.
Lui —Mia tem o completo controle sobre o Dagon, isso é até estranho de se pensar.— diz deitando na grama.
—minha mãe me disse que nem sempre foi assim, era ela que corria atrás dele, mas tomou vergonha na cara e um pouco de amor próprio aí as coisas mudaram e ficaram do jeito que estão.
Lui —é estranho pensar que sua mãe era a mestra e ainda assim corria atrás do servo, quando finalmente ficaram livres da destinação o Dagon que correu atrás dela.
—minha conclusão é que o amor é estranho.— falo deitando na grama ao seu lado, me sinto mais íntima dele.
Pelo que parece nunca vou sentir isso já que sou impedida de conhecer pessoas e me relacionar.
—eu vou morrer virgem, daqui a pouco meu pai decidi me colocar em um convento para demônias, não sei se isso existe, mas conhecendo meu pai, nunca vai aceitar ninguém encostando em mim.— falo tentando não ficar deprimida.
Lui —seu pai é super protetor, mas não seria capaz disso, acredite em mim.— diz tentando me tranquilizar.
—sinceramente, eu já perdi as esperanças, se eu sair da proteção do meu pai terei que servir ao Asura que já parece ser fixado em mim, não nasci para ser serva de ninguém, sou uma kitsune e somos seres livres.— falo e fico sem palavras quando ele segura minha mão enquanto olhamos para a lua.
Lui —eu não vou te impedir de ver suas amigas, mas se for para um lugar perigoso me deixa acompanhar você, eu me preocupo, não por causa do seu pai, mas porque gosto de você.— sinto meu rosto avermelhar na hora.
—eu não sei o que dizer.. — falo pois realmente não esperava por essas palavras.
Lui —pode esquecer isso se quiser, não quero que se sinta obrigada a dizer algo, só quero que saiba disso.
Mia
Entro no castelo para afastar Dagon do jardim onde minha filha está conversando com Lui, pois meu castanho ia fazer perguntas até um dos dois acabar falhando na resposta, ele tem uma masmorra então sabe muito bem o que fazer para extrair uma verdade.
Dagon —por que essa distância? Eu sei que falei merda, mas eu te amo, como pode duvidar disso depois de tudo que passamos juntos.— diz me segurando pela cintura.
—eu não duvido do seu amor, nunca duvidei depois de ter ficado do meu lado por anos tentando fazer eu quebrar meu bloqueio sentimental, mas .....
Dagon —mas o que?— seu olhar está extremamente abalado, eu sou a única que consegue deixar ele assim.
—olha a janela e tenta não surtar.— vou até la junto com ele, estamos vendo nossa filha e Lui conversando de mãos dadas, inclusive Scarlett levantou, ficou em cima do abdômen dele e o beijou ainda deitado.
Dagon —eu não acredito nisso..— vejo ele começar a ficar bravo.
—viu, não dá. Não consegue aceitar as coisas mudando em sua volta, Scarlett vai fazer 20 e você só consegue ver ela como uma garota de dez.— falo evitando olhar para ele, mas o mesmo só levanta o meu queixo me fazendo encara-lo.
Dagon —o que isso tem a ver com a gente?— pergunta sem entender.
—eu tô grávida, e não consigo mais fingir que não vejo a forma injusta que trata ela, pois vai fazer o mesmo com essa coisinha do minha barriga que provavelmente é garota pela sorte que você tem de ser pai.— quando falo isso vejo que ele trava.
Dagon —não faz sentido terminar comigo por estar grávida.— diz sem entender.
—faz sim, se eu conseguir ter esse bebê sem sofrer um aborto espontâneo deixarei ele ter toda liberdade que desejar, mas com você isso não será possível.— digo enquanto vejo ele sentar no sofá.
Dagon —contou para Scarlett?— pergunta me olhando.
—não quero dar expectativas falsas a ela.— digo pois ela sempre ficava triste quando descobria que eu perdia os futuros irmãozinhos dela.
Dagon —quando tempo?— pergunta me olhando.
—vou fazer três meses se tudo ter certo.— digo e ele respira fundo.
Dagon —vou tentar deixar a Scarlett seguir a vida dela mesmo que eu ainda veja ela como minha princesinha.— diz meio para baixo.
—você vai ter outra princesinha para brincar se tudo ter certo daqui a 7 meses, e essa vai precisar de toda sua atenção como pai.— falo com um sorriso, ele simplesmente se levanta e me pega no colo me fazendo gritar pelo susto, ele está feliz, estava esperando eu dizer o tempo para saber se podia me levantar ou não por causa do susto.
Dagon —eu não me importo, mas podia ser um menino né, já tive duas filhas.
—esta me perguntando por quê? São os homens que escolhem o gênero.— falo nos braços dele, acho que a notícia até fez ele esquecer o fato da nossa filha estar de pegação com o aprendiz de luta dele.
Talvez agora ele deixe Scarlett em paz, outro filho vai tirar a atenção dele, pois vai ficar muito tempo ninando nosso futuro bebezinho.