CAPÍTULO 8

979 Palavras
Era domingo e mamãe estava prestes a chegar em casa para o nosso almoço. Eu estava péssima ainda e não fazia ideia do que dizer a ela sobre o divórcio com Roger. E ainda mais que ele teria filhos com outra. Uma humilhação tamanha. - Trouxe essa salada pronta, querida! - Mamãe colocou a tigela sobre o balcão da copa - Essa casa parece cheia de **- mencionou observando o ambiente. - Impressão sua. Foi limpa ontem - tirei o plástico filme da tigela e roubei um bacon da salada. - Entendi - falou desconfiada - E Roger? O avisou que eu vinha? - Não, mamãe. Ele não está em casa! - Como não, Sam? Roger me adora e jamais faria uma desfeita dessas! - Resmungou. - Mamãe, escuta... - Cobri a salada outra vez- Roger e eu estamos nos divorciando. - finalmente havia tomado coragem para dizer. Mamãe pareceu se segurar no balcão de mármore da copa. - O que você fez, Samantha? O que fez para Roger ter saído de casa? - Nada! Ele simplesmente encontrou uma mulher que poderá dar filhos a ele... - Baixei a cabeça envergonhada. - Que tragédia, meu deus! E como você se manterá, minha filha? Roger provia tudo! - era mamãe que parecia ter sido abandonada. - Vou voltar a costurar! - O que? Costurar? Não pode, Samantha! Seria uma vergonha! - E quer que eu faça o que, hein? - Não sei, minha filha. Mas voltar a esse trabalho medíocre não!!!! Que situação!!! Deus poderia me levar logo! Minha conversa com mamãe fora interrompida pela campainha. Quando eu imaginava que a situação não poderia piorar, papai apareceu com a sua namorada quinze anos mais nova. - Como vai filha? - Disse-me sorrindo , mas perdeu o brilho quando mamãe acenou para ele de dentro de casa - Não sabia que tinha visitas! - Vou bem, papai. Entre. - Falei dando espaço pela porta. - Samantha, essa é Luiza, minha namorada. Fiquei de apresentá-la a você. - Prazer, eu sou Samantha. - dei dois beijos na moça. - Seu pai arrumou uma cuidadora de idosos, Sam? - mamãe falava como se papai não pudesse ouvi-la. - E sua mãe, filha? Será que já trocaram a fralda geriátrica dela? Se soprar essa cara de múmia sai até **, de tão velha que está. Cuidado para os cupins não comerem seus pés, Joana! - Velho é você, seu reumático. Você está tão velho desfigurado que a morte nem te reconhece, por isso ainda não foi dessa para a melhor. E os xingamentos iam para um lado e retornavam do outro. Luiza, a nova namorada do papai, sentou-se no sofá e ficou mexendo no celular. Eu aproveitei a distração dos dois, peguei minha bolsa e rumei para o centro da cidade. Ficaria louca no meio da discussão deles. Ah, o ar fresco da manhã era perfeito. Meus pulmões se refrescavam com a brisa suave. Nada de papai e mamãe gritando em meus ouvidos. Talvez eu devesse comprar aquela casquinha de sorvete de baunilha do centro da cidade. Seria perfeito. Mandei mensagem a Mierra para ver se poderíamos nos encontrar, mas ela respondeu dizendo que não poderia, pois Marcos a estava seguindo por todos os cantos. Sugeri de nos vermos no dia seguinte, se ela quisesse. O sinal fechou e atravessei pela faixa de pedestre já separando minha bolsinha de moedas. Parei por um instante do outro lado da calçada e uma sensação de que me observavam desviou minha atenção para próximo ao lago do parque Por ser domingo havia muitas familias e crianças correndo pela grama verde. Um homem de boné e óculos escuros lia seu jornal sentado no mesmo banquinho onde outro dia eu conversava com Mierra. Parecia me ignorar, porém eu jurava que pelos óculos escuros que vestia os olhos dele me encaravam. Será que eu estava ficando paranoica com tudo? Janelas abertas, toalhas reviradas no armário, pessoas me observando na rua. - Uma casquinha pro favor! - pedi entregando as moedas ao senhorzinho. - Claro, minha filha. A casquinha estava saborosa como sempre . Talvez se eu fosse para um lugar menos cheios as paranoias diminuiriam. A pracinha perto da igreja central seria perfeita para eu me sentar e terminar de ler o morro dos ventos uivantes. Passei por dentro de uma galeria repleta de lojas, já bem distante do parque. Porém eu continuava com a ideia de que me observavam, me seguiam. Mas quem? Olhava constantemente para trás e apertei o passo ao ponto de praticamente correr por dentro da galeria. As pessoas transitavam por todas as direções e não reconhecia ninguém. Podia jurar que aquele mesmo homem de boné e óculos escuro estava misturado a multidão. Se antes eu pensava que ele me via por trás dos óculos escuros, naquele instante eu tinha certeza de que ele me seguia. Eu não poderia enlouquecer, não daria esse gostinho ao Roger. Com o coração quase saindo pela boca, entrei numa loja de sapatos. Iria esperar aquela multidão do lado de fora diminuir. somente assim me sentiria confortável outra vez para pode voltar a caminhar. Que d***a! Fingi que via algumas sandálias nas prateleiras passando por três corredores. Quando voltava para perto da porta, praticamente fiquei paralisada. Sim, aquele estranho todo camuflado com boné e óculos escuro passava pelo corredor da galeria com seu jornal embaixo do braço. Me escondi atrás de uma prateleira e o observei procurando por algo. Aquele estranho olhava para os lados, desconfiado. Não havia dúvidas, ele me seguia e nada me tirava da cabeça que teria a ver com o que eu sabia sobre os dois bandidos na maldita viela. Eles estavam me caçando? Ao vê-lo sumir pra fora da galeria, tomei coragem de sair da loja e segui-lo. Era tudo ou nada. - Samantha! - Disse Mierra sorrindo. - Mierra? Achei que estivesse com Marcos, não?
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