A ideia não veio como um susto. Veio como um descanso. Isadora percebeu numa manhã comum, enquanto observava Henrique arrumar a cozinha sem pressa. Ele ainda estava de pijama, os cabelos bagunçados, concentrado em algo simples demais para parecer importante. Mas era. Ele lavava a xícara dela antes da dele. Sempre fazia isso. Ela ficou parada na porta, sentindo algo se acomodar dentro do peito. Não era urgência. Não era ansiedade. Era pertencimento. O pensamento que não assusta Durante muito tempo, Isadora acreditou que pensar em família vinha acompanhado de medo. De perda. De responsabilidade pesada demais. Mas agora, o pensamento era outro. Eu consigo imaginar. Imaginar acordar cedo por alguém. Imaginar noites sem silêncio absoluto. Imaginar dividir não só o amor — mas

