O segredo não pesava. Respirava. Isadora percebeu isso logo nos primeiros dias depois da confirmação. Não era algo que apertava o peito nem roubava o sono. Era uma presença suave, constante, como uma respiração que se encaixa no ritmo do corpo. Ela acordava com a mesma luz entrando pela janela, o mesmo cheiro de café vindo da cozinha, a mesma casa ainda em processo de se tornar inteira. Mas tudo parecia levemente deslocado — não para fora, e sim para dentro. Como se o mundo tivesse dado um passo atrás para que algo novo pudesse ocupar espaço. O cotidiano que se ajusta Henrique começou a reparar em coisas que antes passariam despercebidas. O jeito como Isadora diminuía o ritmo sem anunciar. Como deixava o café esfriar antes de beber. Como sentava com mais frequência, apoiando a

