Eles não estavam tentando voltar. Estavam lembrando. Foi numa noite simples, sentados no chão da sala de Henrique, que o passado apareceu do jeito certo — sem ferir, sem cobrar. A luz baixa, duas taças de vinho esquecidas sobre a mesa, e uma música antiga tocando ao fundo. — Lembra dessa? — Isadora perguntou, sorrindo ao reconhecer a canção. Henrique riu. — Você dizia que era brega. — Eu dizia isso pra disfarçar — ela respondeu. — Eu gostava. Ela se encostou no sofá, puxando os joelhos para perto do corpo. Henrique a observava com calma, como quem aprende de novo cada detalhe. — A gente ria muito naquela época — ele disse. — Porque não tinha medo — Isadora respondeu. — A gente só… sentia. O silêncio que veio depois não foi desconfortável. Era cheio de imagens invisíveis: o pr

