A dúvida não veio como medo. Veio como pergunta. Isadora percebeu isso numa manhã silenciosa, quando acordou antes do despertador e ficou olhando o teto, sentindo o corpo desperto demais para voltar a dormir. Não havia dor. Não havia ansiedade. Havia uma pergunta sem forma definida, mas persistente o suficiente para ocupar espaço. Quem eu vou ser agora? Não no sentido prático. Ela já sabia o que fazer ao longo do dia. Sabia as consultas, os horários, os cuidados. A pergunta era mais funda. Quem eu sou quando tudo muda sem pedir permissão? O espelho que devolve perguntas No banheiro, Isadora observou o próprio reflexo com atenção diferente. O corpo já denunciava a mudança sem pedir licença. O rosto parecia o mesmo, mas o olhar… o olhar carregava algo novo. Não era inseguranç

