O corpo sabe antes da mente. Sempre soube. Isadora percebeu isso numa manhã comum, daquelas em que nada parecia digno de nota. Acordou com o sol atravessando a cortina improvisada e ficou alguns minutos parada, ouvindo os sons da casa: o rangido leve do piso, um carro distante, a respiração tranquila de Henrique ao seu lado. Nada estava acontecendo. E, ainda assim, tudo estava. Virou-se devagar e observou o rosto dele adormecido. Não procurava sinais. Não buscava respostas. Apenas sentia. Era diferente de tudo que já vivera. Antes, amar vinha acompanhado de alerta — o corpo em estado de defesa, a mente calculando perdas, o coração tentando antecipar dores. Agora, não. Agora, o corpo relaxava. A presença que ancora Henrique acordou poucos minutos depois, ainda confuso entr

