Flores

1249 Palavras

Ívyna Laurent Baranov A cidade inteira parecia respirar diferente naquela noite. Eu não sei se era o frio russo que entrava pelas frestas da roupa, ou se era só o Viktor ali do meu lado, caminhando como se tivesse comprado todas as ruas pra mim. O brilho dos postes deixava tudo meio dourado, meio mágico, e por algum motivo eu me sentia… leve. Não completamente — minhas muralhas ainda estavam ali — mas menos rígidas. Como se estivessem cansadas de me proteger. E ele andando ali, com as mãos nos bolsos do casaco pesado, o olhar sempre pousando em mim de canto, como se conferisse se eu ainda estava por perto. Que homem… e que perigo gostoso esse homem era. — Tá tudo bem? — ele perguntou, a voz grave, gostosa, com aquele sotaque que me arrepiava inteira. Assenti, apesar de não ter certeza.

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