Moretti não respondeu com balas. Respondeu com um convite. Chegou ao amanhecer, entregue por um garoto de rua que desapareceu antes que os seguranças pudessem interrogá-lo. Um envelope preto, selado com cera vermelha, o símbolo de uma serpente enrolada num punhal. Dentro, um cartão: “Jantar às oito. Sozinha. Traga a menina se quiser. Mas saiba: se você não vier, mando homens para onde vocês estão escondidas. E desta vez, não vou pedir permissão.” Meu sangue ferveu. Mas não tremi. Levei o convite até o quarto de Dante. Ele estava sentado na cama, apoiado em travesseiros, folheando relatórios com mãos trêmulas. — Ele sabe onde estamos — disse, sem emoção. — Sim. — Ele levantou os olhos, azuis e cansados. — Mas ele não sabe que você não é mais a mesma mulher que entrou nesta casa

