Rosnado

1375 Palavras

Angelina narrando. O cheiro de café preenche a cozinha, mas o humor do padrinho parece amargo como fel. Ele está sentado à mesa, o cenho franzido, os dedos batendo impacientes contra a porcelana da xícara. Mexe o café sem real interesse, o olhar perdido em algum ponto além da mesa. — Bom dia, padrinho — digo baixinho, pegando um copo d’água e colocando frutas cortadas na frente dele. — Hm. Só isso. Um resmungo grave e curto, mais uma bufada do que uma resposta. Eu aperto o copo entre os dedos, esperando que ele diga algo mais. Mas ele só suspira fundo, esfregando o rosto. — Se arrume — diz, finalmente, a voz um pouco mais áspera do que o normal. — É dia de fazer compras. Eu me endireito, surpresa. — Compras? Ele acena com a cabeça. — Vou mandar o cartão e a senha. Um peão te leva.

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