O que vai acontecer comigo

1493 Palavras
Pov Sofia: Pego um táxi até o endereço que aquela mulher me deu, que se diz a minha mãe. Ele não quer transferência, quer dinheiro em espécie, por isso tive que passar no banco antes para sacar o dinheiro. Não consigo acreditar que estou fazendo tudo isso. Espero que não estejam brincando com as minhas ilusões e sentimentos e que realmente aquela menina seja minha filha e não uma imagem baixada da internet, embora eu saiba como eles agem, e possa ser mentira. Se aquela menina for mesmo a minha filha e estiver morrendo, preciso recuperá-la, tirá-la daquele hospital e levá-la a um centro de saúde melhor. Graças a Fernando, posso fazer isso, mas enquanto não tiver o dinheiro da herança, tenho que depender de Alex. Ainda não consigo acreditar que ele teve aquele gesto comigo. Ao contrário... hoje o vi mais tranquilo, mais conciliador, será por eu ter me abraçado a ele ontem à noite, chorando desconsoladamente, ou talvez por... aquele beijo que lhe dei antes de sair da cozinha? Algo aconteceu, mas prefiro assim, não tenho forças para brigar com ele neste momento tão importante da minha vida. Com o dinheiro guardado camuflado na minha carteira, é difícil carregar tanto dinheiro sem parecer suspeito, saí do táxi... mas há algo estranho, aquele lugar... — Senhorita, tem certeza que este é o lugar certo? Pergunta o jovem taxista, preocupado. — Não sei... espere um momento, vou fazer uma ligação para confirmar. Peguei o telefone e liguei para minha mãe. Segundos depois, a porta daquele lugar um tanto abandonado se abre e meu irmão Marco sai de lá, aproximando-se do táxi para me ajudar a descer. Pago ao taxista e, embora um pouco preocupado, decide ir. Marco pega a minha carteira e juntos entramos naquele lugar. Não sei onde estou me metendo, mas juraria que é um daqueles bares de apostas clandestinas e não gosto muito disso. Ao atravessar a porta, o cheiro azedo de tabaco rançoso e álcool barato me atinge em cheio. O ar é espesso, quase irrespirável, e as luzes fracas m*al iluminam as mesas de pôquer cobertas de notas amassadas e copos pegajosos. Juro que cada parede exala miséria. Não preciso olhar muito para saber que não estava errada: este lugar é um daqueles bares clandestinos onde dinheiro e dignidade se esvaem em questão de minutos. Minha mãe e meus irmãos sempre gostaram do jogo, talvez por isso nunca conseguimos progredir, porque todo o dinheiro ia para aquele lugar. O único honesto e honrado era meu pai, mas um infarto o levou para sempre do meu lado, deixando nas mãos dessas alimárias, que nem sequer posso chamar de família. — Minha querida Emília. Cumprimenta Marco cinicamente, ele sempre foi o responsável por vender o meu corpo a todos os homens e agora... sozinha com eles... Deus... eu deveria ter pensado melhor, como me ocorreu vir sozinha, mas eu tinha que arriscar. Alex não pode saber a verdade sobre a minha filha ou tenho certeza que ele me colocará na rua sem compaixão. Quanto tempo faz que não nos vemos... mamãe, Laura e eu sentimos muito a sua falta. — Pare de mentiras, Marco, aqui está o dinheiro, diga-me onde está a minha filha. Digo, enfrentando-o com determinação. Não posso provar a eles que estou aterrorizada, senão eles se aproveitarão da situação. — Fique calma, irmãzinha, antes venha tomar algo conosco e cumprimentar a família. O bar é de má fama, só tem algumas mesas de pôquer, de bilhar e uma pequena cantina onde servem bebidas. Marco me arrasta pelo braço até uma mesa no canto. Lá está a minha mãe, com o olhar frio como sempre, e ao lado dela, Laura... tão magra que parece uma sombra do que era. A sua pele pálida e as olheiras profundas, me dizem o que os seus lábios silenciam: Marco também está vendendo-a. Um nó se forma na minha garganta, a dor revira o meu estômago, mas me forço a manter a calma. Primeiro preciso resgatar a minha filha. Depois... tirarei Laura desse inf*erno, custe o que custar. — Mas olha quem temos aqui. Diz a minha mãe com desgosto. — Espero que você tenha trazido o dinheiro que te pedi. — Claro que fiz, aqui está. Digo, colocando-o sobre a mesa. — Emília, você não sabe o quão feliz estou em te ver de novo. Laura se levanta da mesa e caminha na minha direção, abraçando-me com a doçura que a caracteriza. — Laura… Ainda está ao lado deles? Pergunto, olhando-a nos olhos. — Por que não vem comigo? — Não consigo fazer isso, Emília… eu… Acho que ela está prestes a me dizer algo, mas Marco se aproxima dela, a agarra pelo braço com violência e a senta de volta ao lado da minha mãe. — Já chega. Grita aquela m*aldita mulher. — Marco, venha me ajudar a contar o dinheiro. Um dólar a menos que tenha e esqueça a sua filha. — Está bem, mãe. Durante mais de uma hora eles se põem a contar o dinheiro e, efetivamente, está o milhão completo como eles pediram. — Agora me diga onde está a minha filha e por que di*abos mentiram para mim? Pergunto furiosa. — Não grite comigo, menina m*al-educada. Se você não nos tivesse abandonado, agora estaria com a sua filha. Te interessou mais casar com um velho por causa do dinheiro dele do que ficar com a sua própria filha. Abro os olhos de par em par, atônita com o que ouço, jamais na minha vida vou perdoá-los pelo que fizeram. — Vocês me disseram que a Sarah tinha morrido! Gritei com raiva, fora de mim. — É verdade... tentamos vendê-la para uma família muito rica, mas a m*aldita menina estava doente e nos devolveram... agora é sua vez de cuidar dela. — É isso que eu quero... me diga onde está. — Não se apresse, irmãzinha, primeiro tome algo conosco. Diz Marco, sentando-se ao meu lado e me oferecendo um copo de uísque. Sei muito bem que essa bebida tem algo, juraria que querem me drogar como nos velhos tempos para me entregar a algum degenerado. — Não pretendo beber nada que venha de você. — Ai, mas como você é desconfiada, irmãzinha. — Não acha que tenho motivos para desconfiar de você? Pergunto sem recuar. — M*aldita Emília. Grita a minha mãe, levantando-se, batendo na mesa com o punho fechado. — Ou você bebe ou juro que não te direi onde está a sua filha. — Por que vocês fazem isso? As lágrimas de frustração começam a rolar pelas minhas bochechas. — Vocês não me fizeram m*al demais já? — Só precisamos de você mais uma vez, Emilia. Pagarão muito bem por você. Depois desaparecemos da sua vida para sempre. Lembre-se que a vida da sua filha está em jogo. Não consigo fazer isso, po*rra, de novo o meu passado... de novo vender o meu corpo por dinheiro, para que só eles se beneficiem. Mas, infelizmente, não posso ne*gar... eles sabiam muito bem o que estavam fazendo ao ficar com a minha filha. Conseguiram me extorquir e me usar até me destruir completamente. — Está bem... O meu coração acelera, não quero fazer isso. — Farei. — Muito bem, minha querida irmãzinha, eu sabia que você era uma mulher sensata, agora... beba esse copo até o final. Peguei o copo entre as mãos, olhei fixamente para ele, enquanto as lágrimas escorriam pelas minhas bochechas, só mais uma vez, Emilia, só mais uma e você terá a sua filha, digo para mim mesma, tentando me acalmar. Sem pensar muito, bebo o líquido de um gole. — É uma pena que você tenha caído na mesma armadilha de novo, Emília... você nunca aprende, não é? Pergunta Marco, olhando nos meus olhos, enquanto começo a sentir tonturas e preciso sentar para não cair no chão. — O que você vai fazer comigo? Exclamo com voz pausada, meu estômago revira, tudo ao meu redor gira, as vozes se afastam e percebo as imagens mais borradas. — O que eu deveria ter feito desde o início. Tirá-la deste país, vendê-la a um homem poderoso que possa pagar uma soma milionária por você. Ele diz com uma gargalhada malvada que ecoa pelas paredes. — Você é um m*aldito desgraçado... Pouco a pouco vou perdendo a consciência, e sinto como braços me levantam e tiram-me daquele lugar, não consigo ver quem é, certamente é um daqueles homens que querem me comprar... fui uma idi*ota, a pior de todas... como pude confiar neles, como pude vir sozinha. Agora ninguém sabe onde estou, ninguém poderá me resgatar e eu... não poderei conhecer a minha filha. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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