- Chegamos no posto mas eu estava muito fraca, minhas vistas turvas e as pernas falhando. Sentei logo e a Caroline já veio me ajudar.
Caroline: Amiga você está sentindo alguma coisa? - Falou me ajudando a sentar.
Luana: Amiga, estou com sensação de desmaio. - Disse quase querendo apagar.
Caroline: Vou pedir um atendimento pra você, fica calma. - Falou indo até a recepção.
- Eu não estou bem e por mais que eu precisasse ser forte nesse momento, não estou conseguindo. Minhas forças se esgotaram, estava fraca e me entregando ao caos que está acontecendo.
Digão: ATENDIMENTO PRA FIEL DO MANO AQUI p***a, ELA TA DESMAIANDO. - Ele falou e depois disso eu apaguei na cadeira, caindo para o lado.
- Acordei com a visão turva ainda e em uma cama de um quarto no posto, não sei o que aconteceu. Juntei todas as forças que eu tinha pra me levantar, precisava saber do Vitor. E a porta se abriu com a Caroline entrando.
Caroline: Amiga, você não pode levantar. Está fraca, calma que a médica já vai vir falar com a gente. - Falou me ajudando a deitar novamente.
Luana: Eu quero saber do Vitor, não posso ficar deitada aqui enquanto ele está precisando de mim. - Disse chorando.
Caroline: Ela vai vir falar do Vitor também, calma amiga. Por favor, fique calma. - Falou fazendo carinho no meu cabelo.
- Eu estava no meu limite, esgotada de tudo. Só queria que isso tudo fosse um pesadelo e ao acordar não fosse real. A médica entrou pela porta do quarto e eu fiquei olhando atenta para o que ela tem a dizer sobre o Vitor.
Dra Beatriz: Boa noite, Luana. Como você está se sentindo? - Falou com um prontuário na mão.
Luana: Estou melhor, só quero saber do Vitor. - Disse tentando tirar o foco de mim.
Dra Beatriz: O Vitor está em cirurgia e o médico dele já cai vir passar o caso dele para todos vocês, mas antes preciso avaliar você. Seus exames deram tudo certo dentro da normalidade, mas algo chamou minha atenção, a sua menstruação está atrasada? - Falou atenta e anotando algumas coisas.
Luana: Ainda não desceu esse mês, mas é bem normal, o meu ciclo é bagunçado mesmo. - Disse descartando qualquer hipótese de gravidez.
Dra Beatriz: Então vamos fazer um beta para descartar qualquer possibilidade? Você está com uma anemia considerável e algumas alterações nos exames que chamam uma atenção para uma possível gravidez. - Falou e eu fiquei em choque.
Luana: Eu não quero fazer exame nenhum agora, não quero descobrir uma gravidez com o meu marido em uma sala de cirurgia, não vejo sentido nisso. - Disse nervosa e totalmente contra a isso.
Dra Beatriz: Não posso te forçar a isso, mas se existe uma gravidez, ela precisa ser acompanhada de perto para que a gente tome todos os cuidados e precauções possíveis, ainda mais que você está com anemia, não é qualquer remédio que eu possa te passar sem antes de saber. - Falou e eu fiquei confusa.
Luana: Tudo bem, eu faço. - Disse sem dar importância, vomitei um dia inteiro quase, não tem como eu estar saudável e meu exame dá tudo ok, mas grávida eu sei que não estou.
Dra Beatriz: Vou tirar o seu sangue e em meia hora o resultado sai, mediante a isso a gente ver os próximos passos.
- Ela tirou meu sangue e levou para o laboratório, a Caroline ficou aqui o tempo inteiro comigo e eu só tenho a agradecer por ela ser o que é pra mim. Ela não me deixa cair, e mesmo que eu caia, ela me levanta novamente.
- O Diego entrou no quarto com o possível médico que está cuidando do Vitor e eu fiquei sem respirar alguns segundos com medo do que o médico iria dizer, a minha mente parece que vai parar a qualquer momento.
Dr Daniel: Olá, boa noite. Vocês são os familiares do Vitor, certo? - Falou olhando pra gente.
Luana: Sim Dr, pode falar. - Disse atenta e prestando atenção em tudo.
Dr Daniel: O tiro do braço a bala não ficou alojada, entrou e saiu o que é um ótimo sinal. Já a bala do abdômen perfurou o intestino e o que fez ele ter uma hemorragia interna, mas conseguimos tirar a bala alojada e estancar a hemorragia, ele está bem na medida do possível e as próximas horas será fundamental para o desenvolvimento do quadro dele. Colocamos ele em coma induzido por questões de termos médicos, a recuperação dele será um pouco delicada e o caso requer atenção. No mais é só esperar ele acordar e responder os tratamentos. Mediante a forma que ele chegou aqui, quase sem vida. Vitor é algo que nem a medicina talvez consiga explicar, ele é um milagre. - Falou explicando a situação do Vitor.
Luana: Ele é um guerreiro e eu não tenho dúvidas disso, será que eu posso ver ele? - Disse chorando.
Digão: Ele ainda corre riscos de vida? - Perguntou querendo saber mais.
Dr Daniel: Ele não corre riscos de vida mas não está fora de perigos. O caso dele é grave e complexo, não sabemos se ele terá sequelas mediante a isso. Mas a senhora pode ir sim ver ele, só não pode ficar muito tempo. Ele está no CTI e requer um pouco mais de cuidados. Mas lá as enfermeiras vão te instruir como você deve entrar lá. Qualquer coisa só vocês me chamarem, boa noite pra vocês e saúde. - Falou se retirando do quarto.
- Me levantei devagar com a ajuda da Caroline e fui indo no corredor até o CTI, não quis entrar de imediato porque não quero colocá-lo em riscos, deixar exposto a bactérias, estou toda suja e todo cuidado é pouco nessas horas.
- Mas quando vi ele pelo vidro, cheio de fios e entubado, eu quase enlouqueci. Chorei baixinho e a Caroline me abraçando por trás, como eu amo esse homem. Ele não pode me deixar, não é justo com a gente. Fiquei um tempo ali fazendo uma oração e pedindo pra Deus cuidar dele, até que a médica nos chamou e eu me despedi dele com o coração doendo e voltei para o quarto. Deitei na cama e me acabei de chorar, nunca pensei em vê-lo nessa situação.