Maite narrando Eu sempre ouvi que certas dores o corpo guarda num canto escuro, esperando só um vacilo da mente pra voltar. E naquela madrugada ela voltou como se nunca tivesse ido embora. O sonho começou embaçado, igual vidro molhado. Eu me vi mais nova, com dezoito… talvez dezenove anos, estirada numa maca de hospital. A luz branca ardia nos meus olhos, e o cheiro forte de desinfetante me dava ânsia. Meus cabelos grudavam na testa de tanto suor. Minha barriga parecia rasgar por dentro, e eu gritava sem pensar, sem respirar direito. — Pelo amor de Deus… não deixa minhas filhas morrerem! Não deixa elas morrerem! — minha voz ecoava pelas paredes, desesperada, rachada, implorando. Filhas. No plural. E quanto mais eu gritava, mais minha visão escurecia. Eu sentia mãos me segurando, me v

