Corvo narrando Quando eu vi o Caveira levando a minha filha pra fora do camarote, eu soube. Não precisei de palavra nenhuma, nem de olhar. A forma como ela segurou na mão dele, o jeito que encostou o corpo... aquilo me disse tudo. Lisandra tinha perdoado o desgraçado. E por mais que meu sangue tivesse fervendo, por mais que o instinto quisesse atravessar aquele salão e arrancar o pescoço dele na frente de todo mundo, eu me contive. Respirei fundo, firmei os ombros e lembrei que pai de mulher tem que saber o momento de entrar e o momento de deixar ela escolher o próprio caminho. Mas isso não quer dizer que eu ia deixar barato. Naquela hora, enquanto eles desapareciam no meio da multidão, eu decidi: Caveira ia ouvir o que eu tinha pra dizer. Não como homem, ou como o chefe da facção,

