Caveira narrando Cinco horas. Cinco caralhas de horas. Eu já estava quase arrancando o piso da sala de tanto andar de um lado pro outro. A cada volta, o meu sangue fervia mais. A Lisandra lá fora, com aquela delegada que me odeia, com a memória da mãe toda fodida, com o Carcará e o Dante soltos… e eu preso aqui, esperando. Espera nunca foi meu forte. Nunca. O Corvo tava encostado na parede, braço cruzado, a cara fechada mas eu conheço ele. Ele estava tão tenso quanto eu, só sabia disfarçar melhor. — Caveira… — ele resmungou. — Tu vai furar o chão. Vai abrir um buraco nessa p***a se continuar andando desse jeito. Eu ia responder, mas a porta se abriu com tudo. Juninho entrou correndo, suado, esbaforido, os olhos arregalados. — Caveira! Corvo! Fudeu! — ele quase tropeçou. — O Lele

