MARIANNA THOMAZ Acordei com um grito. O meu. O coração disparado, o suor escorrendo pelas têmporas, o corpo tremendo. Por um segundo, não sabia onde estava, o quarto escuro parecia o mesmo do pesadelo. As sombras nas paredes ganhavam forma, o som do vento lá fora se misturava aos ecos da minha própria voz. Simas, o nome dele ainda queimava na minha mente. Eu o vi de novo, o mesmo olhar frio, a mesma voz venenosa, o mesmo toque asqueroso me dizendo que eu nunca seria livre. E, no sonho, ele me arrancava o bebê dos braços. Eu gritava, implorava, mas ele só ria. Quando abro os olhos de verdade, o quarto está banhado pela luz azulada do abajur. Gabriel está ali, do meu lado, sentado na cama, o rosto cheio de preocupação. — Amor… ei, ei… — ele diz, com a voz baixa, acariciando meu rosto.

