Capítulo 1 : Duas opções

1049 Palavras
○●○● Olho para o relógio mais uma vez . Eu precisava tomar uma decisão e dependendo da qual escolher terão minha cabeça até ao anoitecer . Pego um cigarro e o esqueiro que estava em cima da mesinha e o levo até a boca na esperança de que um cigarro que era capaz de me matar aos poucos também fosse capaz de aliviar minha mente e me dar uma luz no meio dessa merda toda que eu havia me enfiado. — Eai ? Já decidiu ? Meu melhor amigo me pergunta entrando na pequena casa que eu morava até poucos dias atrás. — Eu ainda não sei . Trago o cigarro e o encaro com desdém. — Eu não sei se você sabe mais minhas opções não são muito agradáveis. Pierre se aproxima e se senta ao meu lado no pequeno sofá , mas antes tira o revólver da cintura e coloca na mezinha a nossa frente. — Tu tá ligada que não importa o que você decidir eu tô nessa com você não é? Concordo com a cabeça. —Tá comigo mesmo se eu decidir largar tudo isso e ir embora ? Ele tira o cigarro da minha mão e o apaga no cinzeiro e logo em seguida coloca as duas mãos em cada lado do meu rosto, me fazendo olhar dentro daqueles olhos esverdeados que conheço desde de criança . — Você não vai ir embora. — Como pode ter tanta certeza disso ?— Pergunto com os meu olhos já lacrimejando. — Porque eu te conheço. — Talvez eu tenha mudado . — Você nunca vai mudar, não pra mim , não comigo Maria Lurdes .— Fala meu nome ao invés do meu apelido o que me faz revirar os olhos e sorrir triste . — Mataram ele Pierre. Falo já sem controle e deixando que as lágrimas caiam. — Eu sei. —Tiraram o amor da minha vida de mim — Soluço — Eu o amei e o mataram. Me levanto do sofá e começo a andar de um lado pro outro, nervosa, triste mais principalmente p**a com toda essa situação. — Ele iria sair dessa vida , p***a ! Ele iria deixar tudo por mim . — Nós dois sabemos que isso nunca foi verdade . Paro de andar . — Ele me amava. — Digo como se isso fosse a coisa mais importante de toda minha vida e desmentisse isso que ele acabou de falar. —Sim, ele te amou . — Balança a cabeça em concordância. — Só que amava mais esse morro. Passo a mão pelo rosto , desesperada e começo a negar mesmo sabendo que o que ele disse era a mais pura verdade. —Ele cresceu aqui , comandava isso com a p***a da sua vida e agora ele morreu . Ele não iria abandonar isso a não ser com a morte , não iria deixar o que demorou anos pra conquistar. Ele te amava mais não o suficiente pra deixar essa vida e você sabe disso. Pierre vem até mim e me segura pelo ombros . — E agora tu tem a opção de ir embora e ficar por conta própria ou ficar aqui e comandar esse lugar que ele lutou até a morte pra ter no nome dele . — Essa lugar o condenou e contribuiu a matar ele. — Não é bem assim... — Ele era um traficante que bateu de frente com a polícia — Falo alto — Talvez se ele tivesse largado isso ele não estaria agora dentro de um caixão, então sim essas mesmas ruas pela qual ele deu a vida foi a mesma que o condenou desde de o começo que ele decidiu entrar nessa vida , foi por conta desses becos que agora ele está a sete palmo do chão. Fecho os meus olhos com força tentando a todo custo esquecer a imagem e sensação de vê-lo no caixão fechado pois o tiro foi no meio da testa. — Foi o policial que atirou mais foi esses becos que mirou na testa dele anos atrás. Pierre tira suas mãos do meu ombro e suspira alto . — Tá legal , você tem razão. Essas ruas pode muito bem ter condenado ele desde do o começo. Mas e você? — O que que tem eu? — Já não está condenada também? Não entendo o que ele diz . — Eu ainda sou jovem , posso muito bem ter outra vida , não vou nunca mais chegar perto da quantidade do dinheiro que eu tinha em mãos quando trabalhava nesses becos mais teria algum dinheiro pra sobreviver .— Falo sem convicção. —Sobreviver ? Você nunca quis dinheiro apenas pra sobreviver . Nego. — Como você vai fazer quando começarem a irem atrás de você? Em ? por que sabemos o que significa ficar por conta própria. Não o respondo. — Eu não sei bem se você se lembra mais Russo era bom apenas com você. Ele tinha vários inimigos que dariam o próprio sangue apenas para ver alguém importante pra ele na vala mesmo ele já estando morto . Sei muito bem que Russo tinha bastante inimigos , assim como também sei como que alguns traficantes funcionava , eram podres e se a idéia de me matar fosse no mínimo satisfatória para eles seria isso que fazeriam sem nenhuma sombra de dúvidas. Fecho minhas mãos com força ao constata o óbvio que meu amigo queria que eu visse desde de o começo . — Já estou condena . — Infelizmente sim. Suspiro alto e deixo mais lágrimas cair. — Então é isso ?— Sussurro.— A única opção que eu tenho que me faça ficar viva é ficar aqui e comanda esse morro ? Como um cachorrinho do Baguá? — Eu sinto muito mesmo Malu .. mas se quiser sobreviver vai ser isso que vai ter que fazer. Matar ou morre. Essas eram as minhas escolhas. E adivinha ? Eu não quero morrer. Não agora, não porque eu fugi como um rato assustado com os gatos feroz que me caçariam até ter o meu sangue em suas patas. Fecho os olhos com força novamente quando percebo que já tenho a minha escolha. ○●○●
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